Terra Magazine

6 de novembro de 2009

CIA: a “casa caiu”, mas nada vai mudar no governo Obama sobre sequestro de pessoas em outros países

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Abu Omar, minutos antes do sequestro pela CIA

Abu Omar, minutos antes do sequestro pela CIA

A partir de hoje — data da publicação da sentença condenatória na imprensa oficial —, 22 espiões da CIA não poderão deixar os EUA, sob risco de prisão e extradição.

Certamente, terão lembrança do sucedido com torturadores, violadores de direitos humanos e assassinos que arriscaram passeios fora dos seus países, onde se mantinham imunes e impunes.

O falecido general Pinochet, por exemplo, não acreditou na força coercitiva dos mandados internacionais e acabou preso na Inglaterra, por ordem do juiz espanhol Baltazar Garzón.

Mais prudente, o 56º secretário de Estado americano, Henry Kissinger, nunca deixou o solo pátrio depois de se envolver numa série de atrocidades e desumanidades, a serviço dos governos Richard Nixon e Gerald Ford (1973 a 1977).

Os mandados internacionais para captura dos 007 da CIA já estão nos computadores das polícias dos Estados-membros da União Europeia e dos países que mantêm acordo de cooperação internacional com a Interpol e a Europol.

Os 007 da CIA, junto com 11 italianos do serviço secreto peninsular foram condenados à revelia por sequestro, em Milão e no ano de 2003, do imã Abu Omar. No Brasil, não seriam condenados, pois a lei processual não admite julgamento daquele que foge antes de ser citado para o processo: grande Brasil, il, il, il, il. . .
Abu Omar é o nome religioso de Nasr Mustafá, um imã de 45 anos que figurou no elenco dos dez mais procurados da Central Intelligence Agency (CIA).

Contra Abu Omar pendia um mandado de prisão por terrorismo internacional, expedido pelo Egito.

Abu Omar em foto do arquivo da CIA

Abu Omar em foto do arquivo da CIA

Segundo a CIA e o governo do Egito, ele era um membro da alta burocracia da Al-Qaeda. Uma de suas tarefas consistia em recrutar camicases dispostos a explodir no Oriente Médio e, lógico, fazia a arregimentação entre os mais ansiosos em desfrutar no paraíso o otium cum dignitate (ócio com dignidade), presente no imaginário dos “al-qaedistas”.

Abu Omar recebeu asilo político da Itália e vivia pacificamente em Milão, onde era responsável por uma mesquita islâmica.

As duas esposas de Abu Omar, em 2003, começaram a se preocupar com a falta de notícias do marido: uma residente em Tirana (Albânia) na companhia dos dois filhos do casal. A outra, moradora em Alexandria (Egito) com os três rebentos do segundo casamento. E a preocupação aumentou depois de o jornal italiano Corriere della Sera, na edição de 1º de março de 2003, haver noticiado o estranho desaparecimento do imã e suspeitar de 007 de serviços de inteligência.

Abu Omar vivia legalmente em Milão há cinco anos. Seu desaparecimento ocorreu na manhã de 17 de fevereiro de 2003, quando percorria o curto trajeto entre a sua residência e a mesquita que coordenava.

Naquele início de 2003, sabia-se que a CIA mantinha prisões secretas fora dos EUA, autorizadas por Bush. Isso para isolar, interrogar e torturar pessoas presas ou sequestradas pelos 007 da CIA e sob acusação de associação com organizações terroristas.

A propósito, o presidente Bush, em entrevista coletiva, admitiu a manutenção de cárceres secretos no exterior, evidentemente com violação a todas as conquistas universais no campo dos direitos humanos.

Com relação a Abu Omar, a magistratura do Ministério Público de Milão, a mesma da Operação Mãos Limpas, concluiu ter ocorrido sequestro. Pior ainda, numa ação da CIA em território italiano e com séria suspeita de cobertura ilegal pelo Sismi, sigla do Serviço para as Informações e a Segurança Militar Italiana, comandado pelo general Nicolò Pollari e subordinado ao Ministério da Defesa.

sinais das torturas

Abu Omar: sinais das torturas

Pelo comprovado no processo criminal pela Promotoria italiana, a CIA mantinha um escritório de espionagem em Milão, dirigido por Robert Seldon Lady, vulgo Bob Seldon.

Coube ao espião Bob Seldon preparar a operação de sequestro de Abu Omar, que contou com a participação direta de 12 pessoas. O imã acabou sequestrado na milanesa Via Gerzoni. Num furgão, foi levado até a base americana de Aviano, localizada na cidade italiana de Pordenone.

Num jatinho fabricado pela Gulfstream e de propriedade de um time de beisebol de Boston (Sarasota Red Sox), alugado por 5 mil euros a hora de voo, Abu Omar, com escala na Alemanha (base aérea de Ramstein), terminou a viagem no Cairo.

Na execução do plano de sequestro da CIA, coube ao maresciallo Ludwig (sargento na hierarquia dos carabineiros italianos) abordar Abu Omar e pedir-lhe a apresentação de passaporte.

No relato de Ludwig, nome de guerra de Luciano Pirioni, o imã permaneceu de costas para o furgão alugado pela CIA. Do furgão saíram cinco brutamontes, que o arrastaram para o seu interior.

Um automóvel dirigido por pessoa designada pelo espião Bob Seldon recolheu Ludwig e ficou com os documentos e o celular de Abu Omar.

Ludwig, que tinha interesse de ingressar no mundo da espionagem, exultou ao receber, depois do sequestro, a informação da sua designação para a embaixada italiana em Belgrado, a ganhar o triplo do soldo e muitas vantagens na carreira. Perante a Justiça, o maresciallo sustentou que o Sismi sabia de tudo, segundo informou-lhe Bob Seldon.

Na última quarta feira — 4 de novembro de 2009 —, e pelo juizo penal monocrático de Milão, foram condenados, pelos crimes de sequestro e de favorecimento a esse ilícito,  22 espiões da CIA e 11 agentes pertencentes ao antigo serviço secreto italiano (Sismi).

Por força da lei sobre segredo de Estado, reconhecida como aplicável ao caso pela Corte Constitucional italiana, declarou-se o não se poder proceder em favor do então chefe do Sismi, o general Nicolò Pollari.

Em razão do reconhecimento de imunidade diplomática, não foi proclamada a responsabilidade do ex-chefe da CIA na Itália, Jeff Castelli, e dos seus subordinados Ralph Russomando e Betnie Madero.

Igual tratamento, no entanto, não teve o ex-chefe da CIA em Milão, que foi o responsável e coordenador das ações que resultaram no sequestro do imã Omar. Assim, o americano Robert Seldon Lady, vulgo ‘Bob’, acabou condenado à pena de 8 anos de reclusão, à revelia: ele caiu fora da Itália quando, em 1 de março de 2003, o jornal Corriere della Sera revelou que o imã havia sido sequestrado em Milão e levado para o Egito, onde se encontrava preso e incomunicável.

Os 007 da CIA foram todos condenados à revelia. Além de altas penas de prisão, fixaram-se duas indenizações por danos morais em favor de Abu Omar (1,0 milhão de euros) e da sua segunda esposa Nabilla (0,5 milhão de euros).

Na revista CartaCapital, o responsável por este blog Sem Fronteiras, do Terra Magazine,  contou, em outubro de 2006, com exclusividade e à luz de elementos contidos no processo que tramitava em segredo de Justiça, todos os detalhes sobre o sequestro e torturas suportados por Abu Omar, que, frise-se, nunca foi da Al-Qaeda nem arregimentava camicases.

PANO RÁPIDO. Sobre as condenações dos 007 da CIA, o governo Obama protestou e o atual diretor da CIA, Leon Panetta, não descartou a continuação de iguais operações, “só que com melhor controle para evitar abusos”.

Como se percebe, continua o vale-tudo na guerra secreta ao terror.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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5 de novembro de 2009

Travestis brasileiros e cocaína: governador italiano pode ter pago com verba pública

Natalia, como Marilyn Monroe, para a revista Novella, hoje nas bancas européias.

Natalia, como Marilyn Monroe, para a revista Novella, hoje nas bancas europeias.

Pelo jeito, não há muita diferença entre Roma e Brasília. Ou seja, lá e cá, existe, pelo controle precário, possibilidade de desvio de verba pública destinada à chamada representação de gabinete.

Neste ano, na Itália, foram instaladas catracas para atrapalhar a vida dos funcionários públicos fantasmas e inibir a entrada e a saída dos que comparecem só para marcar ponto e deixar o paletó no encosto da cadeira.

Nenhuma providência, no entanto, adotou-se com o “andar superior”, tomando de empréstimo a irônica expressão criada pelo brilhante jornalista Elio Gaspari, da Folha de S.Paulo e de O Globo.

No particular, deu confusão quando o Executivo tentou intrometer-se no Judiciário. Isto para controlar — também com catracas eletrônicas — o comparecimento dos juízes aos palácios de Justiça e às audiências.

Parêntese: não se sabe a opinião do ministro Gilmar Mendes — que opina sobre tudo e até prejulga — a respeito do sucedido em terras peninsulares.

Como na Itália ainda não se implantou o  cartão corporativo — nem para adquirir tapioca —, os gastos com a chamada “verba de representação” são registrados em diferentes e genéricos itens: “almoço oficial”, “ estacionamento e hotéis”, “ viagens ou deslocamentos para encontros políticos e culturais”, “postagem de correio” e quejandos.

Conforme suspeitam os magistrados do Ministério Público e os membros do grupo de operações especiais da polícia (ROS), o então governador Piero Marrazzo pode ter camuflado nesses supracitados itens genéricos o pagamento — com verba pública de representação de gabinete — de cocaína e de encontros íntimos mantidos com as travestis brasileiras Natalia, Brenda e Thaynna.

travesti brasileiro Brenda, em Roma

A travesti brasileira Brenda, em Roma

Alguns indícios provocaram a atual devassa nas contas públicas e na privada conta-corrente bancária do governador. Além do apurado exame nas contas públicas, foi  quebrado o sigilo bancário e fiscal do governador.

Afinal, quem ganha 10.566,89 euros por mês como governador (sem outra fonte declarada de ganho) não pode, salvo se for pródigo, gastar semanalmente 5 mil euros com travestis, ainda que sejam nossas conacionais canarinhas.

Como ensina a sabedoria lusitana, “quem tem cabritos e não é possuidor de cabras, de algum lugar eles provêm”.

A travesti Natalia — já miss no Rio de Janeiro e em Florença — declarou, em duas oportunidades — perante o grupo de ações policiais especiais (ROS) e o Ministério Público —, que recebia 5 mil euros por programa sexual com o então governador Marrazzo. O encontro íntimo não passava de quatro horas.

No primeiro interrogatório, Marrazzo — que renunciou em 27 de outubro em razão de haver sido filmado enquanto se relacionava sexualmente com a carioca Natalia — declarou que pagava 5 mil euros por “programa”.

"Um Outro Modo", era o mote de campanha do governador Marrazzo.

"Um Outro Modo", era o mote de campanha do governador Marrazzo.

Perante o magistrado inquirente, em relato de mais de três horas, Marrazzo mudou o relato. Afirmou que pagava mil euros para Natalia. Mais ainda, no dia fatídico tinha na carteira 3 mil euros e saiu zerado ( “al verde”, como se diz na Itália): mil para Natalia e 2 mil furtados pelos dois policiais que invadiram o apartamento, consoante declinou Marrazzo.

Natalia, em dois testemunhos, sustentou que recebia 5 mil euros por programa com Marrazzo.

Quanto à compra de cocaína, Marrazzo, no primeiro testemunho (ele aparece como vítima de extorsão por policiais), frisou que não fazia uso dessa droga proibida. Depois, perante o magistrado inquirente, admitiu o uso esporádico de cocaína em alguns programas e com preço embutido. Ressalvou nunca ter usado ou visto cocaína nos encontros com as brasileiras Natalia e Brenda, a última apelidada “Brendona”, pelo porte físico avantajado.

PANO RÁPIDO. O ex-governador não esperava uma investigação financeira. Entre as travestis que fazem trottoir, ele ficou conhecido por pagar muito pelos encontros íntimos. Quando passava pelas ruas, as travestis exibiam os seios, para tentar cooptá-lo para um encontro vantajoso economicamente.

Marrazzo formou-se em Direito, mas tornou-se jornalista da estatal de rádio e televisão italiana (RAI). Na RAI, nunca recebeu salário diferenciado.

– Wálter Fanganiello Maierovitch–

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4 de novembro de 2009

Travesti brasileiro que derrubou governador foi miss no Rio e, como celebridade, vira capa de revista italiana

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A carioca Natalia, em foto da revista Novella.

A carioca Natalia, em foto da revista Novella.

Natalia, -a travesti carioca filmada na cama e em atividade sexual com o então governador da região Lazio-Roma-, estará, amanhã, em todas as bancas européias.

Ou melhor, Natalia será capa da revista italiana Novella, que é campeã de vendagens. E capa em duas edições.

A transcanarinho emplacará duas edições. Isto porque, -como pesquisou a revista-, tem  muita gente curiosa por conhecer, -além dos detalhes de um escândalo onde o governador mudou três vezes de versão-, a sua vida e os seus amores.

Depois do escândalo que provocou a renúncia do governador Piero Marrazzo, esta será a primeira, entrevista de Natalia a uma revista. Natáli que foi registrada, em cartório civil carioca, como José Alessandro Vidal Silva.

Na entrevista, Natalia fala do seu sucesso nas passarelas.

Ela conquistou o título de Miss Transex Internacional, em 2004, na cidade de Florença. Como diz com vanglória, virou a rainha dos gays espalhados pelos mundo.

Em 2006, Natalia esteve no Rio de Janeiro para participar do concurso Scala Gay. Emplacou o primeiro lugar e guarda o cetro no seu apartamento romano, na via Gardoli: no mesmo prédio, os terroristas das Brigadas Vermelhos, nos anos 70, mantiveram em cativeiro, e depois mataram, Aldo Moro, ex-primeiro ministro e presidente do partido da Democracia Cristã.

Os pais de Natalia moram no Rio. Ela é de família de classe média e sempre  visita os genitores. Na entrevista à revista Novella, a travesti Natalia conta do bom relacionamento com a família, de um namorado carioca de prenome Marcelo e de um terminado casamento de oito meses.

No casamento, pelo que vazou da entrevista, Natalia assumiu o papel de marido. No particular e com relação ao ex-governador Marrazzo, não revelou detalhes, fantasias e preferências manifestadas nos encontros íntimos.

Natalia, -já rainha dos transgays do planeta-,  conheceu o ex-governador Piero Marrazzo em 2001, quando ele trabalhava como jornalista na RAI 3, que é estatal italiana de rádio e televisão. Em 2005, “pararam de se frequentar”. O reeencontro só ocorreu em 2006, quando Marrazzo já era governador.

PANO RÁPIDO. Na entrevista à revista Novella, —segundo apurado por este blog Sem Fronteiras de Terra Magazine—, não foi feita nenhuma pergunta sobre os planos de Natalia a respeito dos jogos Olímpicos no Rio de Janeiro.

A nossa assessora, - a caneta falante Concetta Rompi-coglione-, foi informada que Natalia exigiu a publicação de uma foto vestida e maquiada como Marilyn Monroe. E foi atendida.

Não se sabe, -agora que ela virou celebridade-, quanto recebeu da revista pela exclusividade.

E não sabe, também, o quanto realmente cobra por um programa amoroso, de 4 horas: “Mi sono fermata com Piero (Marrazzo) al massimo quattro ore” (ficava com Marrazzo no máximo por 4 horas).

Natalia afirmou que Marrazzo, -ao qual só chama de Piero e a conheceu em 2001-, pagava 5 mil euros ( R$15.000,00) por programa íntimo.

Marrazo, em depoimento ao ministério Público, declarou que pagava a Natalia, pela prestação sexual,  1 mil euros (R$3.000,00). Ou seja, 1 mil euros por quatro horas.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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3 de novembro de 2009

Trans brasileiros são inocentados pelo ex-governador italiano. Cocaína, Assassinato e Extorsões são ingredientes do escândalo.

filmda em encontro îtimo com o governador.

Natalia: filmada em encontro íntimo com o governador.

—1— É  o  a m o r . . . ?

O ex-governador Piero Marrazzo, –conforme noticiou este blog Sem Fronteiras de Terra Magazine–, foi ouvido no final de semana pelos magistrados inquirentes do Ministério Público de Roma.

Acaba de vazar parte da sua declaração.

A surpresa decorreu do fato de Marrazzo haver alterado a sua versão. Ou melhor, Marrazzo mudou o relato anteriormente apresentado ao ROS (Raggruppamento Operativo Speciale).

O ROS, por força de aparecimento de elemento circunstancial, apurou o escândalo que envolveu o então governador da região Lazio (capital Roma), Piero Marrazzo. Isto a partir de interceptações ambientais e telefônicas em investigação sobre tráfico de drogas pela facção de ‘Casal di Principe’ da Camorra: camorra casalese.

No relato aos magistrados do Ministério Público de Roma, Marrazzo contou que, por vezes, fazia programas sexuais com transsexuais e pagava pela cocaína.

Quanto ao encontro íntimo e filmado com a trans brasileira Natalia, Marrazzo insistiu em dizer que tinha pago mil euros e não havia cocaína. Natalia, frisou, não lhe oferecia cocaína.

Mais ainda. Segundo Marrazzo, a transcanarinho Natalia não tinha cocaína na sua posse e o contrato celebrado era só para relacionamento íntimo, ou seja, sem drogas.

Por outro lado, o ex-governador livrou a trans brasileira Brenda da suspeita de ter realizado a filmagem do encontro.

Marrazzo admitiu encontros íntimos e sem drogas com Brenda, que, consoante destacou na declaração prestada no Ministério Público de Roma ,  não estava no apartamento de Natalia quando da filmagem.

Para Marrazzo, foram os quatro policiais militares (carabinieri) os responsáveis pela filmagem. E Natalia relatou que um dos policiais estava com um aparelho celular, provavelmente a filmar.

Marrazzo compareceu ao interrogatório acompanhado de advogado contrato e da esposa, apresentadora do telejornal TG3, da RAI (Rádio e Televisão Italiana).

No interrogatório ao ROS, o ex-governador falara em extorsão e que os policiais militares (carabineiros) sumiram com a cocaína que estava numa mesa do apartamento. Os carabineiros eram Luciano Sensone e Carlos Tagliante, que estão presos.

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cumpriu o mote da campanha, "um outro modo".

governador Marrazo:cumpriu o mote de campanha, "um outro modo".

—2— Ex-governador muda relato pela 3ª.vez.

Até agora e a respeito dos fatos, o ex-governador Marrazzo já apresentou três diferentes versões.

Ao Ministério Público, no final de semana, Marrazzo disse não ter sido vítima de extorsão policial, mas de furto.

A razão da mudança de crime de extorsão para delito de furto foi compreendida pelos experientes procuradores. É que no dia da invasão do apartamento pelos policiais, Marrazzo comprou o silêncio dos carabineiros com quatro cheques a totalizar 20 mil euros (cerca de R$60.000,00).

Por receio, os policiais não depositaram ou descontaram os cheques. E os cheques não foram apreendidos até o momento.

Como Marrazzo teria dificuldade de comprovar a entrega dos cheques, mudou a versão, para evitar um processo criminal por calúnia: os policiais poderiam processá-lo por crime de calúnia, que consiste em imputar a terceiro fato certo, determinado, e constitutivo de crime (extorsão, no caso).  

Marrazzzo não falou  da existência de cocaína no apartamento de Natalia. Nem de os policiais terem desaparecido com ela.

Com relação à cocaína, eventual afirmação de fornecimento por Natalia poderia colocar o trans em lado oposto a Marrazzo. Assim, ensejar reação a prejudicar a sua defesa. Do lado contrário, Natalia poderia, em testemunhos, colocá-lo em apuro. Fora, poder revelar fatos íntimos, de alcova.

Assim, Marazzo sustentou, junto ao Ministério Público, que carregava na sua carteira 4 mil euros. Para Natalia e a título de pagamento pelo contrato sexual, pagou, antecipadamente, 1 mil euros (cerca de R$3.000,00). Os outros 3 mil foram furtados pelos policiais militares.

—3— Ordem de Prisão.

Ao confirmar na semana passada a prisão preventiva dos policiais, o juiz de instrução preliminar, Sante Spinaci, escreveu ter Marrazo acertado com Natalia, conforme relatos colhidos na apuração do ROS, o preço de 5 mil  euros, ou seja, relações íntimas presumidamente regadas com cocaína.

não foi autora do väeo da chantagem

Brenda: travesti brasileiro inocentado pelo governador:não foi autora do vídeo da chantagem

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—4— O assassinato de Cafasso e os Policiais Militares presos.

Hoje, já foram ouvidos os dois policiais presos preventivamente ( dois outros, que não entraram no apartamento, obtiveram liberdade provisória). Amanhã, novidades surgiram.

Pelo que se comenta, os policiais permanecerão em silêncio, ou seja, preferirão se manifestar apenas em juízo.

Os policiais presos negam a extorsão. Falam em pequena quantidade de cocaína, jogada no vaso sanitário para atender apelo do governador Marrazoo.

Afirmaram que o gigolô Gianguarino Cafasso, por celular, informou-lhes de uma “festa íntima”, com muita cocaína, em apartamento na via Gradoli.

No local, encontraram Marrazzo de cueca e ele fez apelo para ser poupado pois tinha três filhos, dois deles menores, e esposa. Dada a pequena quantidade de cocaína (“insuficiente até para gerar um procedimento administrativo”) e nenhuma suspeita que lhe pertencia, resolveram poupá-lo, sem qualquer compensação financeira.

Para os policiais, o vídeo pode ter sido feito pelo gigolô Cafasso.

Cafasso, misteriosamente, acabou assassinado cerca de um mês depois da invasão do apartamento de Natalia, pelos policiais: final de julho de 2009, verificou-se a invasão domiciliar.

—5—Vídeo Comprometedor .


O vídeo foi negociado com uma agência de publicidade e com a revista “Quem” (Chi), do grupo editorial do premier Silvio Berlusconi.

Durante a ouvida de Marrazzo, pelos magistrados do Ministério Público, nenhuma pergunta formulou-se a respeito de Berlusconi: o premier Berlusconi, 20 dias depois de ter tomado conhecimento da oferta de compra feita à editora Mondadori, de sua propriedade, informou o então governador Marrazzo: a Mondadori não comprou o vídeo.

Os policiais do ROS realizaram a apreensão do vídeo antes da sua difusão.

Condomîio da via Gradoli, onde fica o apartamento de Natalia.

Condomínio da via Gradoli, onde fica o apartamento de Natalia.

—-6— Mistérios, Cocaína e Morte misteriosa.

Marrazzo nasceu em 1958 e por mais vinte anos trabalhou como jornalista na RAI, onde atua a sua esposa.

Ao ser eleito governador, em 2004 e com 50,7% dos votos, licenciou-se da RAI( Rádio e Televisão Italiana).

Nos relatos de Marrazzo e Natalie, no apartamento da via Gradoli, no dia fatídico, não estava o gigolô Cafasso.

PANO RÁPIDO. Os magistrados atuam junto com o ROS a fim de fazer com que a verdade real surja no processo. Marrazzo, já desmoralizado, luta para continuar como testemunha no processo e procura evitar seja seu nome ligado ao assassinato de Cafasso.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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OPINIÃO DO DECANO DESTE BLOG.

Sem cheques, sem cocaína e várias versões, parece-me que tudo caminha para uma sinistra pizza.

PAULO CARVALHO, diretamente do Rio de Janeiro.

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1 de novembro de 2009

Histórias de transcanarinhos que agitaram a Europa

Herdeiro da Fiat foi salvo por uma transcanarinho

Herdeiro da Fiat foi salvo por uma transcanarinho

Um travesti brasileiro que se prostituía em Turim viveu momentos dramáticos quando o seu cliente “vip” desabou por abuso de cocaína. De pronto, o nosso conacional ligou para o pronto-socorro do hospital Mauriziano e a ambulância saiu equipada para atender um caso de overdose.

A conduta responsável e humana desse transexual brasileiro, conhecido por Patri, salvou a vida de Lapo Elkman. Neto de Gianni Agnelli, Lapo é um dos herdeiros do império Fiat.

No fim de 2005, quando ocorreu o relacionamento sexual com dois travestis, Patri e Cinzia, o playboy Lapo era vice-presidente e responsável pela imagem internacional da Fiat. Como muitas celebridades, Lapo rumou para o deserto de Sonora, no Arizona. Ou seja, para a clínica mais cara e famosa na desintoxicação de vips de diversos calibres.

Outro caso protagonizado por um transexual brasileiro ocorreu em Pádua. O prefeito tentou acabar com o trottoir gay. Para tanto, aumentou o valor das multas de trânsito e colocou em ação um batalhão de vigilantes urbanos. Ou seja, ai daqueles que encostassem para iniciar tratativas ou os que ousassem reduzir a velocidade para melhor apreciar o espetáculo.

O bravo transcanarinho promoveu protestos contra o prefeito. Mais ainda, bolou e organizou um fundo financeiro destinado a garantir, para os clientes portadores de cupom de cor rosa, ressarcimento das multas de trânsito: pela quantidade de cupons rosa acumulados, o cliente recebia notas de euros, conforme tabela divulgada nos jornais locais.

Nos estertores do governo Romano Prodi, a oposição berlusconiana, interessada em escândalo desmoralizante, adquiriu do paparazzo Max Scarfone uma fotografia comprometedora. Ela foi tirada quando o ministro e porta-voz Silvio Sircana encostava e abaixava o vidro do seu automóvel para pedir uma informação a um travesti brasileiro, que girava uma borsetta Gucci em busca de programas remunerados. Depois do desmentido oficial, uma segunda fotografia mostrou o número da placa do veículo, com Sircana visível: tollitur quaestio – e, no dia seguinte, declaração da esposa a expressar confiança no marido.

Na terça 27, depois de escândalo a envolver travestis brasileiros, o governador da região Lazio, Piero Marrazzo, apresentou a sua renúncia. E, na região, cuja cidade principal é a própria capital da Itália, haverá antecipação das eleições para março. Berlusconi, que emplacou um ex-membro da juventude fascista como prefeito de Roma, pensa em agora eleger o governador pelo seu Popolo della Libertà (PDL): o renunciante é do Partido Democrático.

No particular, Berlusconi deve muito ao acima mencionado paparazzo Scarfone e aos três travestis brasileiros, Natalie, Brenda e Thayna. Todas eram frequentadas pelo governador Marrazzo, em visitas regadas a cocaína. Scarfone ofertou à Editora Mondadori, de propriedade do premier Berlusconi
e administrada pela sua filha Marina, o vídeo da relação sexual de Marrazzo com Natalie. Segundo a polícia, coube a Brenda gravar as imagens.

E pesa a suspeita de ela haver avisado os quatro carabinieri que invadiram o apartamento e tentaram extorquir do governador três cheques de 20 mil euros cada um, até hoje não resgatados, enquanto os policiais estão presos preventivamente.

O caso acabou descoberto e os vídeos, apreendidos antes da difusão. Graças a uma ação do Raggruppamento Operativo Speciale (ROS). O ROS investigava a facção casalese da Camorra e numa interceptação ambiental surgiu a história do vídeo de Marrazzo.

Berlusconi foi avisado pela filha sobre o vídeo e levou vinte dias para alertar Marrazzo. Assim mesmo
quis posar de praticante da ética e declarou não ser igual à oposição, que explorou as suas aventuras
com garotas de programa.

Quanto a Marrazzo, ficou claro, pela reação da população, que o comportamento privado de um político tem relevância pública. E alguns psiquiatras peninsulares gastam tinta para explicar o denominado “sexo transgressivo”, ou seja, à luz dos comportamentos dos travestis brasileiros e da mitologia romana. Seria, sustentam, a ação esperada do fauno aprisionado em jaula. E o fauno deseja fugir, se libertar, para cortejar com danças e sons de flautas as divindades a ele inacessíveis, dada sua condição de divindade pela metade.

A jornalista Roberta Sedoz, esposa de Marrazzo e apresentadora do telejornal TG3, da RAI, disse
que perdoou o marido e que as mulheres são inquebrantáveis. Ao contrário do marido.

Dulcis in fundo: a palavra “veado”, em homenagem aos travestis nativos, hoje faz parte da língua italiana.

Wálter Fanganiello Maierovitch

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31 de outubro de 2009

Ao contrário de Bush, presidente Obama recebe corpos e autoriza fotos de urnas mortuárias de agentes mortos no Afeganistão

walterfm1 às 14:03
desembarque de espólio de agentes da DEA.

desembarque de espólio de agentes da DEA.

As regras mudaram no governo Barack Obama e a imprensa internacional está a destacar o seu lado humano, sensível e transparante. E faz comparações com o seu antecessor, George W.Bush, que proibia fotografias de urnas fúnebres de militares mortos no Afeganistão ou no Iraque.

Os corpos dos caídos em combate, desde o tempo de W.Bush, chegam aos EUA em aviões militares (C-17 da Air Force) que aterram na base-militar de Dover. Essa base-militar fica cerca de 40 minutos de vôo da Casa Branca.

Perto da meia noite de quinta-feira, 18 corpos de norte-americanos mortos no Afeganistão chegaram à base de Dover.

Dentre os mortos, estavam  três corpos de agentes da Drug Enforcement Agency (DEA). A DEA é a principal agência de inteligência antidrogas dos EUA.

Os agentes da DEA foram metralhados por traficantes afegãos. Isto quando próximos do helicóptero usado para movimentação em área de plantio de papoula e de distribuição de ópio: ópio em grego significa suco. Ou melhor, cortada a cápsula de sustentação das pétalas da papoula, escorre um líquido branco que é chamado de ópio.

A surpresa no desembarque consistiu na presença do presidente Obama, em terno escuro e emocionado.

Obama revogou a proibição e os caixões foram fotografados.

Além dos corpos dos três agentes da DEA, o presidente Bush ,– como chefe de estado e de governo–, recebeu os corpos de 15 soldados caídos no Afeganistão, durante ataque promovido pelos talebans.

O gesto de Obama teve um valor altamente simbólico e marcou, também, o fim das proibições voltadas a evitar a sensibilização do cidadão. Coisa apropriada para um desalmado do tipo W. Bush.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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30 de outubro de 2009

Travestis brasileiros protagonizam novo vídeo com três celebridades

Natalia, que disse ser noiva de Marrazzo, concede entrevista.

Natalia, que disse ser noiva de Marrazzo, concede entrevista.

Depois do escândalo com Piero Marrazzo, o governador da Lazio-Roma que renunciou em face de um filme de sexo com a transsexual brasileira Natalia, aguarda-se, para as próximas horas, um novo e bombástico vídeo.

O novo vídeo, segundo corre por toda a Itália, mostraria três celebridades mantendo relações íntimas com travestis brasileiros.

Uma das celebridades, comenta-se, seria um político de centro-direita e vice-ministro do conselho presidido pelo premier Silvio Berlsuconi.

A segunda celebridade envolvida também seria um político. Mas, da oposição de centro esquerda.

Quanto ao terceiro vip, fala-se de um jornalista muito conhecido por seus artigos e aparições na televisão.

Enquanto isso, alguns mistérios referentes ao escândalo do ex-governador Marrazzo ainda tiram os sonos dos investigadores.

Por exemplo, os três cheques passados pelo governador aos quatro policiais que invadiram o apartamento de Patrizia e exigiram dele 60 mil euros para silenciar, não foram compensados no banco sacado. E a extorsão ocorreu no final do mês de julho.

Um outro mistério inquientante. Por que  o governador descia do carro oficial cerca de 100 metros de distância do apartamento de Natalia, na via Gradoli, 96 ?

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festa gay, em reduto da Roma-Norte.

festa gay, em reduto da Roma-Norte.

No percurso, o governadore passava e era saudado por dezenas de travestis, que lhe exibiam os seios. Todos os travestis do local (Roma-Norte) sabiam que Marrano frequentava o reduto e se relacionava com vários trans. Daí a indagação do por que saltar do veículo 100 metros antes, como a evitar fosse visto por transeuntes.

O vídeo de Marrazzo com a transcanarinho Natalia está em segredo de Justiça e a instruir processo criminal por extorsão, com quatro policiais militares presos preventivamente.

Apesar do segredo, os travestis de Roma Norte  que se relacionaram com Marrazzo garantem que nunca havia, nas relações, penetrações. Ou seja, apenas apalpações e masturbações.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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29 de outubro de 2009

Travesti que derrubou governador vai voltar ao Brasil.

foto Ferrario-GMT-Itália

Natalia:foto Ferrario-GMT-Itália

Natalia, - clandestino travesti brasileiro filmado mantendo relações sexuais com o então governador da Lazio (Roma) -, já foi comunicada que deverá voltar ao Brasil tão logo seja concluída a instrução do processo criminal.

Hoje, Natalia recebeu uma autorização provisória de permanência em solo italiano: permesso di soggiorno provisorio.

A primeira audiência está marcada para o próximo sábado e será no Tribunale del Reesame. Os acusados são os quatro policiais militares que chantagearam o então governador Piero Marrazzo.

No processo, Marrazo, o governador que renunciou depois do escândalo, está relacionado como vítima de extorsão.

Pano Rápido. Confira, nas lentes do italiano FERRARIO-GMT-Itália, as fotos de Natalia, que se declarou noiva de Marrazzo em depoimento policial e o local do encontro. 

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Ntalia, na porta do apartamento da via Gradoli, 96, local do encontro. Foto Ferrario-GMT-Itália

Natalia, na porta do apartamento da via Gradoli, 96, local do encontro. Foto: Ferrario-GMT-Itália

 

 

 

 

 

 

 

 

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28 de outubro de 2009

As mulheres são indestrutíveis, fala esposa do ex-governador envolvido com travestis brasileiros.

apresenadora do telejornal da TG3-Rai.

apresenadora do telejornal da TG3-Rai.

Este blog Sem Fronteiras de Terra Magazine informou e comentou sobre o drama de Piero Marrazo, que hoje renunciou ao governo da região Lazio-Roma.

A propósito, informamos ontem  que a renúncia era iminente.

Marrazzo assinou a renúncia no interior de um convento-abadia, onde se encontra em recolhimento espiritual. Ele já havia se auto-afastado em razão do escândalo, que hoje ingressa no seu quinto dia. 

A Itália não é uma federação, mas um estado unitário. Administrativamente, há separação por regiões, que nas federações são chamadas de estados (unidades federativas). O governador da região recebe o título de presidente.

Marrazo foi governador (presidente) da região-estado Lazio e eleito pelo partido Democrárico (PD), de centro-esquerda.  Com a sua renúncia, serão marcadas eleições, antecipadamente.

O mencionado Marrazzo foi filmado durante um encontro amoroso com um trans brasileiro conhecido por Natalia (em italiano o acento recai no “i”).  No quarto em que se encontrava havia grande quantidade de cocaína.

Durante a relação, o apartamento foi invadido por quatro policiais militares, que, para não prenderem em flagrante o governador por posse de cocaína (a que estava numa mesa do apartamento de Natalia), exigiram e receberam dinheiro. Mais ainda, sumiram com a cocaína.

Supracitado vídeo acabou negociado com uma agência de propaganda e, também, com o responsável pela direção da revista “Chi” (Quem). Houve apreensão policial antes da sua difusão: o vídeo disponibilizado no You Tube, conforme informado pelas autoridades policiais italianas, é falso.

A filmagem, segundo suspeita a polícia, teria sido feita pela travesti Brenda, também brasileiro: confira suas fotos no post-abaixo.

Na posse do vídeo, os policiais continuaram a extorquir o governador. Um deles exigiu a sua transferência para outra unidade policial, pois estava sendo investigado por uso de drogas proibidas.

Os quatro policiais autores das extorsões estão presos preventivamente.

Por inquérito, continuam as apurações sobre uma eventual co-autoria das travestis brasileiras.

PANO RÁPIDO. Ontem, no auge do escândalo e com pressão político-partidária para a renúncia de Marrazzo, a esposa do então governador, conceituada jornalista da estatal RAI (rádio e televisão italiana),  não deixou de atender um compromisso assumido há meses.

Roberta Serdoz, bem vestida, sem traços de angústia, maquiada e penteada com esmero, presidiu, com maestria, um encontro sobre o “Papel da Mulher no Mundo do Trabalho”.

Dispensável dizer algo sobre o seu profissionalismo e dignidade.

No debate, não faltou a pergunta esperada. Quando formulada, pareceu constrangedora. Mas, Roberta Serdoz, sem apreensão ou constrangimento, respondeu: “Não deixarei Piero. A família continua unida. As mulheres são indestrutíveis”.

Uma frase, em especial, emocionou os presentes: “Mostro che le donne non crollano”, disse Roberta, que fez lembrar Hillary Clinton.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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27 de outubro de 2009

Travestis brasileiros e cocaína: Cresce para cinco o número de travestis brasileiros envolvidos com governador da Lazio-Roma

Thaynna, a baiana que comanda em Due Ponti.

Thaynna, a baiana que comanda em Due Ponti.

 

1)  O governador da região-estado Lazio, cuja capital é Roma, foi surpreendido quando mantinha relações sexuais com a transsexual brasileira alcunhada Natalia. E no  quarto do apartamento de Natalia havia grande quantidade de cocaína.

A relação sexual mantida entre o governador e a travesti brasileira Natalia foi filmada clandestinamente.

Até o momento, atribui-se à trans Brenda, também brasileira, a autoria da gravação, realizada com um aparelho celular.

Brenda nega a acusação, mas é apontada como a responsável por Natalia e por Thaynna, esta natural da Bahia. As demais, a naturalidade ainda é desconhecida.

O computador e o celular de Thaynna , ambos com fotos de celebridades e autoridades, restaram apreendidos por policiais do ROS (Raggruppamento Operativo Speciale).

Durante a relação amorosa, o quarto do apartamento de Natalia, na célebre via Gradoli, foi invadido por quatro policiais militares (arma dos carabinieri) e teve inicio um longo período de extorsões, do final de julho até este mês de outubro.

Num primeiro momento e ainda no quarto de Natalia, o governador Piero Marrazo entregou três cheques aos  policiais, no valor total de 20 mil euros (cerca de R$60.000,00).

Por programa, Natalia recebia do governador de 1.500 euros (R$4.500,00) e não se sabe, até agora, se estava incluído o preço da cocaína e eventual uso.

 

Brenda, a brasileira suspeita.

Brenda, a brasileira suspeita.

2) Com relação aos fatos, os policiais do ROS apuravam tráfico de cocaína realizado pela facção Casalese (de Casal di Príncipe) da Camorra napolitana (região Campania). Ou seja, nada suspeitavam com relação a crime de  extorsão a vitimar o governador de outra região-estado, ou seja, a região de Lazio.

Interceptações ambientais e telefônicas revelaram um fato novo. Em Roma, um grupo de policiais militares (carabinieri), por um interposto fotógrafo (paparazzi), negociava a venda de um vídeo a envolver o governador Marrazzo com transsexuais.

O vídeo foi oferecido à revista italiana ‘Chi’ (Quem) e estava sendo, também, negociado por uma agência de propaganda.

Referida agência ofereceu o vídeo à editora Mondadori, de propriedade do premier Silvio Berlusconi e administrada pela sua filha. Informado sobre o vídeo, Berlusconi avisou Marrazzo, que é filiado ao partido de oposição.

Logicamente, Berlusconi não perdeu a oportunidade de afirmar que não faria o que a oposição fez com ele, numa referência às suas aventuras com prostitutas.

O certo, no entanto, é que Berlusconi temeu que a divulgação do vídeo fosse atribuída a ele: o jornal do irmão do premier (atua como testa de ferro) publicou um grande escândalo, a envolver relação homossexual do diretor da revista Avvenire, que é uma publicação dos bispos da Igreja romana.

3) O governador Marrazzo deve renunciar hoje ao cargo.

Ontem, ele se autodeclarou suspenso do encargo e o vice-governador assumiu.

Diante da forte pressão, a renúncia de Marrazzo é quase certa e as eleições serão antecipadas.

No momento, Marrazzo está em recolhimento espiritual numa abadia. A esposa, que é jornalista da RAI, já anunciou a separação.

 

em retiro espiritual numa Abadia

Marrazzo: em retiro espiritual numa Abadia

4) A trans brasileira Luana, ouvida ontem no inquérito conduzido pelo ROS, afirmou que Marrazzo era muito conhecido entre os travecos.

Quando ele passava, destacou Luana,  todos colocavam os seios para fora “a fim de que ele escolhesse um para fazer programa”. E “ele pagava bem”, daí a agitação quando passava.

5) Outra brasileira, a travesti Brenda, disse não conhecer Marrazzo.

Só que o namorado de Brenda, em depoimento policial, ressaltou que Marrazzo contratava Brenda e “pagava muito bem porque ela não roubava nada do cliente”, ao contrário das outras.

Para Natalia, que afirmou ser “fidanzata” (namorada-noiva) de Marrazzo e com ele se relacionar durante anos, a travesti Brenda é perigosa e trafica drogas:

- “Dizia sempre a ele:  Piero (Marrazzo), fique atento com quem sai. Deixe a Brendona (Brenda), aquela drogada acaba por te colocar numa encrenca”.

6) Sobre drogas e tráfico por trans, a baiana Thaynna, uma espécie de líder entre os transssexuais que fazem trottoir no bairro Due Ponti (Roma-Norte), acusa Brenda e diz, também, já haver feito “programa amoroso” com o governador Marrazzo, muito conhecido “no pedaço”.

Brenda, tra�da por declaração do namorado.

Brenda, traída por declaração do namorado.

7) Da lista de trans brasileiras dada como clientes do governador Marrazzo consta uma tal Paloma e a recém falecida Tabata.

PANO RÁPIDO. Como se percebe, não só jogadores de futebol brasileiros fazem sucesso na Itália. E de travestis brasileiros freqüentados pelo governador Marrazzo dá para formar um time de futebol de salão, com reservas no banco.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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