Terra Magazine

8 de fevereiro de 2010

Chefões mafiosos podem ser soltos nesta semana.

alvo de caluniosa fotomontagem que circula na INternet.

Berlusconi: alvo de caluniosa fotomontagem que circula na INternet.

O siciliano ministro da Justiça italiana, Angelino Alfano, dedica-se, em tempo integral e com parlamentares da base de apoio ao primeiro-ministro, à criação, por lei ordinária ou reforma constitucional, de um escudo protetor que evite condenações criminais e prisões de Silvio Berlusconi.

Por evidente, são normais e  leis ad personam, ou seja, feitas para beneficiar pessoa determinada.

A propósito, o Lodo Alfano (transformado em lei ordinária para suspender processos criminais contra Berlusconi) foi, no final de 2009, cassado pela Corte Constitucional: era flagrantemente inconstitucional, pois, segundo a Corte, a lei é igual para todos.

Para não ficar muito na cara o favorecimento ao premiê Berlusconi, alguns projetos legislativos contemplam, no seu corpo, artigos que são, frise-se, para disfarçar, anunciados como melhorias processuais e  voltados a tornar mais eficiente o combate ao crime organizado.

Nada mais falso, enganoso, como acaba de decidir a Corte de Cassação italiana, que equivale ao nosso Supremo Tribunal Federal.

Com efeito, para a Corte de Cassação italiana, a chamada Lei Cirielli (leva o nome do deputado) abriu caminho para a anulação de centenas de processos criminais em curso contra mafiosos.

Com a anulação declarada pela Corte de Cassação, os processos, a maior parte com coleta de prova concluída e pendente de exame de apelações contra sentenças condenatórias, terão que recomeçar da estaca zero e todos os mafiosos serão colocados em liberdade. Isto porque estão presos com base em decisão cautelar preventiva e, com a anulação, fica excedido o tempo permitido de prisão preventiva, cautelar.

Salvatore Lo Piccolo, chefão mafioso e membro da cúpula de governo da Cosa Nostra (Máfia), ficou foragido 25 anos. Nunca tirou os pés da Sicília e, todo verão, freqüentava com a família o paradisíaco balneário de Cefalu (Sicília). Lo Piccolo, como escrevi no meu livro (A Criminalidade dos Potentes), só usava relógios Rolex de ouro.

O capo-mafia Lo Picollo foi preso em 5 de novembro de 2007 e responde a centenas de processos: sua primeira condenação está pendente de exame de apelação. Ele está condenado, em primeiro grau, como mandante de homicídio e  por associação mafiosa.

Nesse primeiro processo em que foi condenado, a sentença foi lançada por um tribunal criminal ordinário, composto por três juízes togados, de carreira (concursados).

Pela reforma processual, os processos com penas que poderão, pela acusação feita, alcançar 24 anos ou mais (cálculo em abstrato) só podem ser julgados por um tribunal popular (Corte d’Assise), ou seja, composto por seis julgadores leigos e dois juízes de carreira.

Em outras palavras, tirou-se a competência dos tribunais criminais ordinários (julgamento por três juízes de carreira, profissionais).

Como se percebe no exemplo supracitado, caso Lo Picollo, o processo (em fase de apelação) será anulado e o capo-mafia ganhará a liberdade.

No final de semana, os magistrados do pool antimáfia de Palermo (Sicília), pela voz do procurador Antonio Ingroia (era o juiz auxiliar de Paolo Borselino, dinamitado pela Máfia), usaram a expressão “catástrofe” e “efeitos devastantes”.

O escândalo é tamanho que o ministro Alfano prometeu enviar ao Parlamento, até a próxima quarta-feira, um decreto de urgência. A meta é substituir ou revogar o artigo da lei Cirielli.

A meta é suspender, de pronto, o artigo de lei que retira dos juízes de carreira a competência para julgar os mafiosos de ponta (mafioso di rango), ainda que correlegionários mafiosos ligados a Berlusconi não gostem: o senador berlusconiano Marcello Dell’Utri, condenado por associação mafiosa em primeiro grau, iria se beneficiar com a anulação.

Cada dia que passa fica mais clara a corrrelação máfia-política. Jurados populares, por evidente, estão sujeitos a pressões e não dominam a técnica de valoração da prova, em delitos graves. Em outras palavras, mafiosos conseguiriam com facilidade absolvições.

Para os que duvidam da correlação, volto ao caso Giulio Andreotti, sete vezes primeiro-ministro e condenado definitivamente por associação à Máfia.

Andreotti beneficiou-se com a prescrição. Como tem mais de 80 anos, o prazo prescricional caiu para a metade.  Andreotti, que é senador vitalício, livrou-se da cadeia e continua na vida política.

PANO RÁPIDO. Voltarei ao tema. Lembro que o premiê Berlusconi elegeu o seu advogado Niccolo Ghedini, para o Parlamento. Ghedini prepara as normas ad personam aos parlamentares de apoio a Berlusconi e usa, para iniciativas, o ministro da Justiça.

Wálter Fanganiello Maierovitch

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7 de fevereiro de 2010

Renzo Arbore dá vida eterna às canções napolitanas.

Tags:, - walterfm1 às 21:26

 

Renzo Arbore e clássica orquestra napolitana.

Renzo Arbore e clássica orquestra napolitana.

 

http://www.youtube.com/watch?v=iT4xiA2hO_s

 

Recebi um e.mail de assídua leitora que se identifica como Rosa Flor. Ela apresenta uma sugestão.

Na sua visão, o blog deveria apresentar, uma vez por semana, uma música “Sem Fronteiras” para os freqüentadores desse espaço. Aliás, como acontece no concorrido blog do Luís Nassif, embora seja ele um mestre no cavaquinho, ou seja, músico de primeira linha.

OK. Começo com a música que mais me toca a alma. E alerto que, pelo lado materno (Fanganiello), sou um Meridional. E para os meridionais (campanos, molisanos, sicilianos, etc)  as canções napolitanas são as mais belas e tocantes.

Nada melhor do que  “L´Orchestra di Renzo Arbore”. Renzo Arbore é um intelectual: compositor, músico, escritor, produtor de cinema, intérprete, etc, etc, etc. A sua comédia “Il papa re” (O papa rei), recordista de bilheteria nos cinemas italianos,  é imperdível. Seguramente, valeu-lhe uma excomunhão.

A música se chama “Era di maggio” (Época de maio). Como nasci no 10 de maio,  apropriei-me dela para morar no meu coração, “come un angelo” (como um anjo, do sexo feminino, evidentemente).

http://www.youtube.com/watch?v=iT4xiA2hO_s

Wálter Fanganiello Maierovitch–

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Chefe da AGU quer calar pela ameaça o Ministério Público, no caso Belo Monte

Um substituto à altura de Toffoli, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Foi o que ganhou a Advocacia-Geral da União (AGU), com Luís Inácio Lucena Adams.

Toffoli fechou sua gestão ao deixar cair a máscara e mostrar a face oportunista. Ele se manifestou favoravelmente à anistia aos torturadores  e aos assassinos colocados à serviço da ditadura militar. Toffoli foi favorável, em parecer da AGU, à concessão de um “bill” (declaração) de indenidade aos que consumaram crimes de lesa-humanidade, mediante terrorismo de Estado.

Não bastasse, Toffoli defendeu a não extradição do pluriassassino Cesare Battisti que, num Estado Democrático, com um presidente da República eleito pelo Partido Socialista (Sandro Pertini) e com o Partido Comunista italiano influente e sendo o segundo maior, resolveu, com o seu grupo (Proletários Armados pelo Comunismo), aterrorizar. Para aniquilar, sem eleição, o regime democrático italiano, a Constituição de 1948 e se sobrepor à vontade dos cidadãos, Battisti  matou um açougueiro de periferia, um joalheiro de subúrbio, um carcereiro de presídio regional e um motorista policial. Fora isso, ele e o seu grupo metralharam, nas saídas das fábricas, pernas de trabalhadores para, com a marca do aleijão permanente, difundir o medo.

Luís Inácio Lucena Adams resolveu ignorar a Constituição no que toca ao papel institucional do Ministério Público, que, pela lei maior (artigo 27), está incumbido de defender a ordem jurídica, a democracia e os interesses sociais e individuais indisponíveis. Seus membros são os fiscais do cumprimento das leis, os titulares da ação penal pública e os representantes da sociedade civil.

Por não concordar com os posicionamentos do Ministério Público, estadual (Pará) e federal, o chefe da AGU, o mencionado Adams, ameaça os representantes do parquet, em face de exigências relativas à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (rio Xingu), de processá-los por improbidade administrativa.

Na canhestra visão de Adams, os representantes do Ministério Público estadual e federal estariam a cometer abuso no exercício das funções. Ou seja, quem não pensa igual, comete abuso: abuso a Adams e ao governo Lula.

Ora, impugnações feitas em razão da atuação processual do Ministério Público, no exercício da sua atribuição constitucional, são resolvidas pelo Poder Judiciário. A função primeira do Judiciário é solucionar conflitos entre partes e entre estas e o fiscal da lei. Trilhar a via da intimidação como faz o novo chefe da AGU, com ameaça de ajuizar ação de improbidade e como se essa fosse resultar em procedência, é algo de capo autoritário e não de chefe de uma importante  AGU. Como se percebe, começou mal Adams. Pior é que convenceu Lula do acerto da sua aventura jurídica, de matriz intimidatória.

Além do mais, a Constituição criou um órgão de controle disciplinar do Ministério Público. E esse órgão já sancionou, por abuso, o procurador Guilherme Schelb que, durante algum tempo e no governo da privataria de Fernando Henrique Cardoso (FHC), formou patética dupla com o conhecido procurador Luiz Francisco Souza.

No governo FHC, por decisões judiciárias propostas pela AGU comandada por Gilmar Mendes, várias impugnações, investigações e ações iniciadas por peças subscritas pela dupla Luiz Francisco e Schelb não obtiverem acolhida do Judiciário. Em síntese, existe um sistema constitucional de freios e contrapesos. Portanto, numa democracia, não há lugar para ameaças e coerções voltadas a amordaçar instituições.

PANO RÁPIDO. A reação altiva do Ministério Público, por nota do procurador-geral da República, lembra a Adams que o MP, pela Constituição de 88, detém autonomia funcional e não haverá capitulação.

O senhor Luís Inácio Lucena Adams já desponta como uma espécie de Luiz Francisco Souza, só que da Advocacia-Geral da União.

Wálter Fanganiello Maierovitch

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6 de fevereiro de 2010

Depois de decisão do STJ, “Disque-Denúncia” corre risco de desativação

No ano passado, um acadêmico de Direito perguntou-me se é eficiente o serviço de “disque-denúncia” do Rio de Janeiro. É, sim. Com base em denúncias anônimas, a polícia carioca consegue realizar apreensões de drogas proibidas, prender traficantes perigosos, foragidos da Justiça etc. O “disque-denúncia” funciona bem em várias outras unidades federativas e há, por parte da sociedade, a certeza de que o denunciante jamais será identificado.

Como perdi contato, não posso informar ao acadêmico que neste 2010 e em todo o Brasil o serviço de “disque-denúncia” corre risco de desativação. Isto por ilegitimidade constitucional e caso prevaleça o entendimento do presidente do Superior Tribunal de Justiça, Cesar Asfor Rocha.

O ministro Rocha concedeu liminar em habeas corpus a favorecer diretores da empreiteira Camargo Corrêa, acusados, em face da Operação Castelo de Areia realizada pela Polícia Federal e acompanhada pelo Ministério Público, de manter conta corrente bilionária em Andorra, conhecido paraíso fiscal.
Essa conta corrente seria abastecida com valores obtidos em empreitadas superfaturadas no Brasil. Da conta bancária teriam sido sacadas importâncias para corromper agentes públicos, que obtiveram indevidas vantagens patrimoniais.

Rocha concedeu liminar sem pedir informações ao juiz do caso, apontado como autoridade coatora. Mais ainda: não havia risco de prisão cautelar dos diretores da empreiteira. A propósito, nem o ministro Gilmar Mendes, com Daniel Dantas na cadeia, precipitou-se como o presidente do STJ a ponto de deixar de pedir informações ao juiz Fausto De Sanctis antes de decidir liminarmente. Talvez Rocha, que entrou para a magistratura sem concurso público e pela classe dos advogados, tenha confiado demais no seu ex-colega advogado que elaborou o habeas corpus. Em regra e por força de lei, a presunção de legalidade do ato é sempre a favor da autoridade pública e não da versão do advogado subscritor do pedido de HC.

O principal fundamento da decisão do ministro prende-se ao fato de as persecuções criminais contra os diretores da Camargo Corrêa serem nulas, porque iniciadas por meio de denúncia anônima. E a denúncia anônima ensejou escutas telefônicas, buscas e apreensões em domicílios e escritórios. Ou melhor, formou-se, com vício de origem, um grande acervo probatório sobre graves crimes financeiros contra determinados diretores da empreiteira.

A liminar de Rocha colocou num “freezer” paralisante dois processos criminais, 19 inquéritos policiais e 32 representações feitas pelo Ministério Público. Num outro megacongelador, por determinação do ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal, encontram-se todos os documentos da Operação Satiagraha. Até o processo condenatório contra o banqueiro Daniel Dantas, por consumada corrupção, está suspenso, num “frigobar Brastemp”.

Como nosso ordenamento jurídico vem sendo objeto de interpretações novas, parece que a busca da verdade real não mais é prioridade na Justiça criminal, quer na investigação, quer nos processos. Os magistrados não mais podem aplicar a lei processual penal, que garante ao juiz a iniciativa de determinar diligências voltadas para a busca da verdade.

Se uma denúncia anônima, por carta ou telefone, indicar onde fica um armazém com toneladas de cocaína e sob guarda de traficante internacional, não adianta nada, à luz da decisão do presidente do STJ, tentar iniciar-se um processo contra o traficante. Ou será que a decisão só vale para casos de denúncia anônima contra os diretores da Camargo Corrêa?

Na Itália, Silvio Berlusconi deve frustrar-se com o fato de os tribunais italianos não terem a criatividade interpretativa das cortes brasileiras. Por isso, e em decorrência da condenação do advogado inglês David Mills por corrupção e falso testemunho a favorecê-lo, Berlusconi (que depositou na Suíça 600 mil dólares para Mills) bate-se por mudanças nas leis. Sua bancada no Congresso, a disfarçar uma espécie de anistia e prescrição, apresentou um projeto de processo breve. Tudo para colocar fim na ação contra Berlusconi, em face do caso Mills.

O processo breve significa estabelecer prazo de conclusão: dois anos para tramitação em primeiro grau. Não concluído no prazo, ocorre arquivamento. No caso Berlusconi-Mills, o processo seria arquivado, pois, em primeiro grau, tramita há mais de quatro anos.

Na quarta-feira 3, a Câmara aprovou um projeto (vai ao Senado) para suspender, por 18 meses, os processos criminais contra o premier e os ministros. O argumento é que eles precisam governar. Não podem ter a atenção desviada para atender a Justiça. Em breve, a Corte Constitucional poderá ser acionada para, mais uma vez, cassar essa lei ad personam, chamada de “legítimo impedimento”. Sobre “processo breve” e “legítimo impedimento”, nada se sabe a respeito das opiniões de Rocha, Mendes ou Eros Grau.
-Wálter Fanganiello Maierovitch–

Em tempo. Com o título “Os caminhos da impunidade”, publiquei, na revista Carta Capital que acaba de chegar às bancas,  o artigo acima. Votarei ao tema, em breve. WFM.

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4 de fevereiro de 2010

Banco Mundial desmente Gilmar Mendes sobre lentidão da Justiça

O Banco Mundial, anualmente, apresenta o resultado de levantamentos que realiza sobre tempo médio de duração processual e os custos sociais decorrentes da tramitação morosa. Pelo resultado, a Justiça brasileira está, em termos de velocidade, entre uma tartaruga e um pangaré manco. 

Numa democracia, não se pode realizar justiça privada, com as próprias mãos. Daí, e como regra, competir à Justiça solucionar os conflitos de interesses, numa atuação substitutiva às partes. E Justiça que atrasa, como lembrou Rui Barbosa na célebre Oração aos Moços, nada mais é do que injustiça qualificada.

Alemanha, Bélgica, Grã-Bretanha, Suíça, Luxemburgo e EUA, lideram, consoante levantamento do Banco Mundial, como países de Justiça rápida e segura. Ou seja, de processos com duração adequada em termos de resposta à solução de litígios. Assim, e daí o interesse do Banco Mundial, conflitos de interpretações de contratos são solucionados de modo a não atrasar e gerar prejuízo econômico. No Brasil, bons acordos são conseguidos por devedores que apostam na lentidão da Justiça para quebrantar a resistência dos credores. E o que falar dos precatórios? A respeito dos precatórios, a Justiça só garante o lugar na fila, para evitar furões. Em resumo, só assiste o calote e o desrespeito aos seus julgados.

Para o ministro Gilmar Mendes, que fala sobre qualquer assunto e cria desarmonia entre os três poderes, a lentidão na solução dos processos judiciais é um mito. Não é o que acham juízes, promotores, procuradores, advogados, defensores, delegados de polícia, operadores do direito e 96% da opinião pública, conforme levantamento da Fundação Getúlio Vargas (a respeito, confira-se matéria publicada no jornal Folha de S.Paulo, de hoje, página A-12). O Banco Mundial, de 181 países analisados, confere ao Brasil um posto que, se fosse time de futebol em disputa de campeonato, já teria caído o técnico: 119º lugar.

De consolo, estamos melhor do que alguns países africanos e o Haiti. Por exemplo, em termos de duração média processual, vencemos São Tomé Príncipe, Guiné-Bissau e Gabão. Ganhamos até da Itália, que ocupa o 159º posto no elenco do Banco Mundial.

O ministro Gilmar, que preside o Conselho Nacional de Justiça ( e o próprio Conselho admite só ter cumprido 53% da meta de julgar 5,1 milhões de processos distribuídos à Justiça antes de dezembro de 2005), está mal informado. Ou, talvez, tenha adotado o entendimento de Pimenta Neves (o jornalista que assassinou por ciúme a namorada), de Paulo Maluf e do travado caso da Telecom-Dantas, que depende de um documento italiano que o próprio banqueiro Dantas poderia, como interessado, obter ser dificuldades.

Vale lembrar, ainda, que nos últimos 40 anos o Supremo Tribunal Federal (STF) não condenou nenhum político. E a maioria das decisões não foi absolutória, mas de prescrição pelo decurso do tempo. Como se sabe, a prescrição é causa de extinção da punibilidade decorrente da morosidade processual.

PANO RÁPIDO. Em maio, terminará o mandato do ministro Gilmar Mendes na presidência do STF. E, muita atenção, uma coisa é a aparição na mídia para debates e opiniões sobre questões afetas à Justiça. Outra, bem diferente, é a participação em processos mediáticos.

Wálter Fanganiello Maierovitch

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3 de fevereiro de 2010

Obama ignora protesto da China e marca 16 de fevereiro para receber o Dalai Lama

Dalai Lama.

Dalai Lama.

O presidente Barack Obama começou o segundo ano do seu mandato com firmeza. Se fosse um italiano seria considerado um rompi-coglione.

Primeiro, Obama enquadrou os banqueiros, que protestam até agora, apesar de terem quebrado a economia do país. No momento, os banqueiros encostaram nos republicanos. Como os banqueiros são odiados pela grande maioria dos cidadãos norte-americanos, Obama lavrou um tento.

O segundo ato de firmeza de Obama diz respeito ao encontro que terá com o líder espiritual dos tibetanos, ou seja, o Dalai Lama. A China não pauta o governo norte-americano, deixou claro Obama ao designar o próximo 16 de fevereiro para o encontro. Em outras palavras, não deu bola ao protesto do governo chinês, que não quer o contato com o exilado Dalai Lama.

A Casa Branca, em nota, informou que Obama, quando esteve em  visita à  China em de novembro de 2009, avisara o seu homólogo, Hu Jintao, que receberia o líder espiritual tibetano.

Quem ficou bravo e deu, ontem, contundente entrevista à imprensa oficial chinesa foi Zhu Weiqun. Dentro do partido comunista chinês, ele é o responsável pelas questões referentes às etnias presentes no país e às de religião. Para Zhu Weiqun, o Dalai Lama é um separista que veste pele de cordeiro. Zhu, na entrevista, disse que seu governo não concordará com o encontro entre Obama e o líder religioso. Isso porque as relações entre o governo central chinês e o Dalai Lama representam questões internas e não devem sofrer interferência de outros Estados por serem afetas exclusivamente à soberania da China

Wálter Fanganiello Maierovitch

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2 de fevereiro de 2010

Guerra às drogas: 18 jovens mexicanos eliminados em festa de aniversário. No Japão, o presidente Calderon tenta explicar

walterfm1 às 15:58

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O presidente mexicano Felipe Calderon está em Tóquio.

Ele busca auxílio financeiro do governo japonês. Isto para prosseguir numa aventura, ou seja, na war on drugs iniciada no primeiro dia do seu mandato (1/12/2006) em parceria com o então presidente George W. Bush.

Diante do fracasso do Plan Mérida, uma espécie de Plan Colômbia que os “falcões” de Bush prepararam para o México, o atual hóspede da Casa Branca, presidente Barack Obama, descartou ajuda à guerra de Calderon, que emprega e desmoraliza o Exército mexicano.

Obama sabe, por exemplo, que 70% dos mortos dessa guerra eram civis. E as vítimas não tinham vinculação com o tráfico de drogas ou com os cartéis. Estes, na guerra, vencem a polícia e o Exército.

Calderon permanecerá três dias ao Japão. De fato, usa a viagem para a passar o pires. O discurso oficial fala em visita comemorativa dos 400 anos de amizade entre os dois países.

No seu primeiro dia de Tóquio, Calderon foi surpreendido com a repercussão negativa sobre o massacre ocorrido na Ciudad Juarez, no final de semana, que faz fronteira com a norte-americana El Passo: o potente Cartel Juarez metralhou e eliminou 18 jovens estudantes, reunidos numa festa de aniversário.

Na Ciudad Juarez, só para se ter idéia da war on drugs de Calderon e Bush, foram assassinados, entre os anos de 2008 e 2009,  1.632 mexicanos.
 A imprensa japonesa, em razão da visita, destaca o fracasso da war on drugs de Calderon e Bush. Questionado em entrevista, Calderon atribuiu o massacre na Ciudad Juarez a um “acerto de contas entre grupos rivais”. Em síntese, nada explicou e, pela colocação, não descartou a possibilidade de os 18 jovens estudantes mortos pertencerem a facções criminosas.

Calderon, quando apertado pela imprensa, acaba sempre se destemperando. Mais ainda, ele sabe que os mexicanos não mais apóiam a sua política militarizada de guerra às drogas. Nervoso, o presidente Calderon chegou a afirmar que 90% das armas em posse de traficantes mexicanos são made in USA e  que funcionários de fronteira, do lado norte-americano, são corruptos.

PANO RÁPIDO. Em 2008, a war on drugs mexicana produziu 6 mil mortos:  1.600 moravam em Ciudad Juarez.

A Câmara e o Senado impuseram a Calderon uma novidade legislativa em junho de 2009, para reduzir a violência. O presidente mexicano teve de sancionar a nova lei. Com ela se legalizou a posse, para consumo próprio, de pequenas quantidades de cocaína, maconha, heroína, anfetaminas e metanfetaminas. Os resultados, no que toca à violência, são melhores do que a “guerra às drogas” de Calderon.

Wálter Fanganiello Maierovitch

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1 de fevereiro de 2010

Tony Blair, de assassino e mentiroso vira esperança do governador Sérgio Cabral

Tags:, , - walterfm1 às 13:00
governador Sérgio Cabral.

governador Sérgio Cabral.

O ex-premiê britânico Tony Blair, em menos de 24 horas, acaba de viver duas emoções conflitantes, ou seja, uma na sexta-feira 29 e outra em 30 de janeiro.

No último sábado, em Londres, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, convidou Blair para dar consultoria ao Rio 2016, a partir de maio.

O governador do Rio não informou quanto Blair vai embolsar. Os empresários pagarão, sustentou Cabral, em tempo de Operação Castelo de Areia(não há qualquer vínculo ou envolvimento de Cabral nessa Operação, citada a título de exemplo sobre a corrupção  no Brasil) : diretores da empreiteira Camargo Corrêa  são acusados pela Polícia Federal de manter uma conta bilionária em Andorra (paraíso fiscal), originária de obras superfaturadas, para oferecer vantagens garantidoras de obras públicas.

Cabral deu a Blair uma camisa personalizada da Seleção Brasileira de Futebol e, com o ministro do Esporte e o Comitê Organizador do Rio 2016, tirou fotografias ao seu lado: a foto, com destaque à camisa  número 10 com o nome Tony Blair grafado nas costas, está publicada na página 19 da edição de ontem do jornal O Globo.

Para Cabral, coube a Blair a escolha dos projetos, a elaboração do cronograma de trabalho e o início das obras de preparação de Londres para sediar as Olimpíadas de 2012. Ainda segundo Cabral, “as obras estão em dia” e isso, numa óptica oportunista, deve-se a Blair.

Só faltou Cabral lembrar ter Blair deixado a chefia do governo em 27 de junho de 2007 e de haver o atual primeiro-ministro Gordon Brown afastado-se do antecessor, depois de ser seu ministro das Finanças.

Se leu os jornais britânicos e europeus que circularam no fatídico sábado do anúncio e da fotografia, o governador Cabral deve ter percebido que não  fez uma boa escolha nem teve senso de oportunidade e conveniência. Em resumo, o “marketing” foi desastrado. Blair é estrela decadente, enquanto Bill Clinton, com a sua fundação para o Haiti, está em ascensão.

Com efeito, Blair passou, na sexta-feira e durante seis horas, por péssimos momentos em Westminster ao ser ouvido pela célebre Comissão Chilcot. Ele precisou esclarecer o motivo de ter colocado os britânicos na aventura de W. Bush de invadir o Iraque.

Na saída, Blair escutou o coro de “ assassino e mentiroso”.

No auditório, durante o testemunho, Blair sentiu o peso da presença de indignados familiares dos 179 militares britânicos mortos na invasão do Iraque, em 2003.

O prestígio de Blair começou a ruir quando aderiu à coalizão liderada por W. Bush e voltada à invasão do Iraque. Tudo, aliás, baseado na mentira de que Saddam Hussein, dado como aliado do alqaedista Osama bin Laden, possuía armas de destruição de massa e estava na iminência de usá-las.

Blair, para os britânicos e europeus, foi, como primeiro-ministro, um serviçal, “súcubo”, de W. Bush.  É um símbolo negativo, como Bush. 

Na referida sexta feira, 29 de janeiro de 2010, o não mais sorridente Blair, voltou a querer justificar o injustificável. Com isso, irritou os seus ex-eleitores: “A minha conclusão foi que aquele regime (referência à ditadura sanguinária de Saddam) brutal era perigoso para a comunidade internacional”. Para arrematar, frisou: “Não me arrependo e faria tudo de novo”.

PANO RÁPIDO. Visto como subserviente ao presidente Lula, o governador Cabral escolheu Blair, antigo capacho de W. Bush.

Wálter Fanganiello Maierovitch

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31 de janeiro de 2010

Bin Laden abraça a causa ecológica.

Bin Laden, interpreta o ecologista no segundo áudio de janeiro de 2010

Bin Laden, interpreta o ecologista no segundo áudio de janeiro de 2010

Pelo que se percebe, Osama bin Laden luta para estar na mídia constantemente.

 Neste fim de semana, a rede de televisão por satélite Al Jazeera, com diferença de poucos dias, divulgou um segundo áudio que atribuiu ao chefe alqaedista.

 Como registrei no post de ontem, a difusão de áudios cresce em progressão geométrica.

A respeito, os jornais europeus deste domingo apresentam uma inquietante chave de leitura. Ou seja, a Al-Qaeda central transformou-se num grupo terrorista que usa a mídia e pode surpreender a qualquer momento.

No novo áudio de fechamento de janeiro, Osama veste o traje de ambientalista e, para encerrar a mensagem, toca em questões políticas e econômicas.

O aquecimento global da Terra e do ambiente, afirma Osama, é culpa dos Estados Unidos. E avisa: “Falar de mudanças climáticas não é um luxo, mas uma questão atual”.

Sem apresentar sugestão sobre o que deve ser feito para combater o efeito estufa, Osama, no áudio, enveredou para a política e a  economia e citou, mais uma vez, o linguista norte-americano  Noam Chomsky: “Ele tinha razão quando comparou a política norte-americana àquela praticada pela Máfia”.

Segundo Osama, “há necessidade de o mundo evitar o uso do dólar e tentar desvincular-se dessa moeda o mais rápido possível”.

PANO RÁPIDO. Os jornais europeus, salvo melhor juízo, não acertam na conclusão de Osama estar intensificando a difusão de áudios como tática para disfarçar um iminente e grande ataque.

Como comentei ontem (confira post abaixo), a Al-Qaeda central está falida e sem poder de mando sobre as afiliadas organizações terroristas.

O primeiro áudio de 2010, divulgado há poucos dias sobre o frustrado ataque tentado por um jovem e despreparado nigeriano, em vôo Amsterdã-Detroit, mostra que Osama terá dificuldade, como ratificou depois da eleição de Barack Obama, de colocar a América de joelhos.

Wálter Fanganiello Maierovitch

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30 de janeiro de 2010

De Osama para Obama. Analistas apostam em ataque terrorista iminente.

Bin Laden.

Bin Laden.

–1. Os 007 da agência norte-americana de inteligência (CIA) garantem que Osama bin Laden está vivo e circula na fronteira entre Paquistão e Afeganistão, em impenetrável região tribal sunita. E o presidente Barack Obama acredita nisso.

Em 2002, na caça a Osama, a CIA informava que o terrorista tinha grave problema renal e precisava ser submetido a permanentes hemodiáleses.

A referida CIA chegou até a repassar a informação de que, nas cavernas onde se escondia no Afeganistão, Osama contava com equipamento para realizar a filtragem do sangue: hemodiálise.

As bombas penetrantes mandadas soltar por Bush foram inócuas. Osama fugiu para o Paquistão montado num cavalo árabe, segundo a lenda que circula entre os fundamentalistas sunitas.

Como Osama estaria envelhecido,e “derrubado”, garante a CIA ser este o motivo de haver , desde 2004, só enviado mensagens de  áudios.

Nesse cenário, analistas se debruçaram sobre o último áudio “de Osama para Obama”. O presidente Obama, neste final de semana, analisará  as interpretações.

Na edição desta semana da revista Carta Capital, onde sou colunista independente há quase 10 anos, escrevi sobre a nova estrutura alqaedista, a nova geografia do terror e a preocupação dos analistas em face da última mensagem atribuída a Osama. O artigo segue abaixo, a partir do item 2.

Oficialmente, a Casa Branca, quando o assunto é Osama, só repete um mantra e fecha-se em copas: “- Terminará por responder diante da Justiça”.

–2. Com efeito, tudo ficou muito diferente na Al-Qaeda central e na Casa Branca. O marketing do medo que propiciou um segundo mandato presidencial a George W. Bush foi abandonado pelo atual hóspede do imóvel. Assim, o áudio de sete minutos que circulou no último fim de semana pela internet – e que a rede Al Jazira divulgou como sendo uma mensagem do alqaedista Osama bin Laden – não mereceu resposta do presidente Barack Obama. Mais ainda, os 007 das agências de espionagem dos EUA ficaram proibidos de confirmar ou negar a autenticidade do áudio.

Com um mês de atraso, o áudio referia-se ao “presente de Natal” de Osama para Obama. Ou melhor, versava sobre o falido atentado terrorista protagonizado pelo jovem nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, filho de um potente banqueiro filoamericano, que já havia avisado a CIA sobre o impulso jihadista do rapaz. O nigeriano era passageiro do voo Amsterdã-Detroit e a sua tarefa era explodir o avião da empresa Delta, no espaço aéreo norte-americano.

Em termos de mudanças alqaedistas, o chefe Osama também se mostra diferente. Não exibe os músculos de antigamente e não mais conta com uma “força especial”, comandada por um soldado “perfeito” e 18 camicases fanatizados a ponto de nunca amarelarem nas ações terroristas.

Mohammed Atta, responsável pelos ataques às torres gêmeas e dado como soldado “perfeito” de Osama, já era. No lugar de Atta, o capo alqaedista revelou ao Ocidente o jovem Farouk Abdulmuttalab, treinado às pressas, vacilante e com a cabeça mobiliada com ideias confusas. Diante dessa sua nova realidade e para voltar à ribalta, Osama joga como se a bisonha ação do jovem nigeriano tivesse sido um sucesso. Na verdade, serviu apenas para desmoralizar o sistema de prevenção ao terror nos aeroportos.

O nigeriano embarcou exibindo um visto norte-americano e isto apesar de o seu nome constar da base de dados norte-americana reservada aos suspeitos de vizinhança com organizações terroristas de matriz islâmica. Desse arquivo eletrônico constam 500 mil nomes, mas apenas 4 mil foram repassados à base batizada como “No Fly”, ou seja, os “proibidos de voar”.

Especialistas norte-americanos em segurança pescaram no áudio uma frase de Osama e concluíram pela iminência de um atentado, sem dizer onde: “Se as nossas mensagens pudessem ser transmitidas mediante o uso de palavras, não as teríamos transmitido pelos aviões”.

Os 007 da inteligência centram a preocupação em outro trecho, repetido duas vezes por Osama e que representaria um sinal verde para um ataque camicase: “Que a paz esteja com aqueles que seguem o caminho justo”. Especulações à parte, Osama de novo apresentou uma proposta de acordo a Obama: “Corte o apoio a Israel e nós pararemos de atacar os EUA”.

As mudanças alqaedistas são significativas. A Al-Qaeda central ficou reduzida a 300 homens. Osama é protegido por 15 guarda-costas, não se afasta da região tribal paquistanesa e, para evitar riscos, mantém-se fisicamente distante de Al-Zawahiri, o segundo na hierarquia.

Além de perder uma centena de militantes em combate, a Al-Qaeda central está no vermelho e se fragmentou. Osama e Al-Zawahiri apostam no ciberterror e nas infovias da internet, a custo zero. Enquanto as mensagens de Osama com vídeo sumiram, as de áudio cresceram: a primeira aparição de Bin Laden data de 7 de outubro de 2001. Nesse mesmo ano, a Al-Qaeda central difundiu vídeos em 13 e 29 de dezembro. Em 2005, Osama manteve-se em silêncio e, em 2006, divulgou dois áudios. A partir de 2007, os áudios alqaedistas cresceram em progressão geométrica.

Hoje, a organização de Osama se apoia em quatro pilares: 1. Al-Qaeda central e tradicional, na qual pontificam Osama, Al- Zahawiri e Al-Libi. 2. Rede de Afiliados, composta de grupos independentes, como, por exemplo, os que atuam no Iêmen e na Argélia. 3. Grupo dos “Inspirados” ou “Nômades Globais”, com atuação escoteira ou em associações temporárias e impulsionados pela regra alqaedista do “faça você mesmo a sua parte”. 4. Grupo dos Facilitadores, estes soltos pelo mundo e com a meta de estabelecer ligames da Al-Qaeda central com organizações islâmicas terroristas ou com os denominados “Inspirados”. Os “Facilitadores” arregimentam homens-bomba, recolhem contribuições e, por vezes, prestam auxílio material em atentados de pequeno porte.

Essa nova cara alqaedista mudou a geografia do terror. Por exemplo, no Líbano e na Síria atuam os afiliados grupos sunitas Fatah Al-Islam e Brigadas Azzam. Eles promovem ações contra Israel, atacam os capacetes azuis da Força de Paz da ONU (sul do Líbano) e procuram enfraquecer o xiita Hezbollah. Os afiliados da Al-Qaeda do Maghreb (Norte da África) agem na Argélia, na Mauritânia, no Mali e no Marrocos.

Num pano rápido, Osama, em 2010, continua como o principal nome do terrorismo planetário e a Al-Qaeda central, como marketing, assume a responsabilidade por atentados de que toma conhecimento apenas pela internet.

–Wálter Fanganiello Maierovitch

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