Terra Magazine

31 de janeiro de 2009

Battisti e a gauche-caviar

walterfm1 às 7:20

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Polãia Federal

Foto: Polícia Federal

Na França, um grupo de intelectuais e políticos que se auto-intitulam esquerdistas receberam o sugestivo apelido de “gauche-caviar” (esquerda-caviar). Isto porque não saem dos locais freqüentados pelas celebridades e endinheirados.

Essa “gauche-caviar”, numa comparação, é a nossa esquerda festiva, que freqüenta a coluna social,  só voa em jatinhos particulares, pede vinho com base na fama do rótulo, escolhe restaurantes 5 estrelas e divide a mesa com reacionários como o falecido Antonio Carlos Magalhães.

O presidente Nicolas Sarkozy,– um direitista que quando ministro do interior da França mandou as polícias reprimirem violentamente,  com emprego de bombas e cassetetes, rebelados e desorganizados excluídos sociais da periferia (filhos de imigrantes, já  nascidos na França e, pela falta de oportunidade, transformados em “cidadãos de segunda classe”)–, aproximou-se da “gauche-caviar” e, como já se previa, muitos desse grupo assumiram cargos no governo. Lógico, o ideal cedeu lugar às vantagens que enchem bolsos e garantem convites nas mais badaladas festas e solenidades.

Essa “gauche-caviar” sempre é cortejada pelos governantes, como explica o historiador e diplomata aposentado Sérgio Romano, um dos maiores intelectuais da Europa. No governo de François Miterrand, ela protegeu os membros de grupos da luta-armada italiana, desejosos de derrubar o estado-demorcático, nos anos de chumbo, ou seja, das suas bombas, explosões e  tragédias decorrentes dos atentados que vitimavam cidadãos inocentes.

Como escreveu Sergio Romano, essa esquerda dos “salões elegantes” arrancou de Mitterand, pois sabia do seu calcanhar de Aquiles, a chamada “doutrina Mitterand”: os que participaram de luta armada, desde que dela renunciassem, podiam residir na França, sem risco de extradição.

O calcanhar de Aquiles decorria do fato de Mitterand ter sido, no curso da Segunda Guerra, colaborador e condecorado pelo governo de Vichy, filo-nazista. Um governo colaborador do nazismo. A “doutrina Mitterand” nunca foi escrita e tinha a força de uma lei,  ou melhor, de um escudo protetor àqueles que a “gauche-caviar” considerava heróis.

O escudo protetor serviu a Cesare Battisti, com antecedentes de ladrão e de praticante de atos libidinosos com pessoa incapaz. Na França, chegou a furtar. Os membros do partido Verde e a escritora Fred Vargas, campeã de venda de livros como Paulo Coelho, viraram os protetores de Battisti.

Quando Mitterand deixou a presidência,  “a doutrina não escrita” perdeu automaticamente a validade.  A Itália pediu à Justiça da França e teve deferido o pedido de extradição de Battisti.

No curso do processo de extradição, Battisti foi colocado em prisão domiciliar, com a obrigação de semanalmente se apresentar às autoridades. Como sabia que seria extraditado, fugiu e só se soube dela pelo não comparecimento ao local estabelecido para apresentação semanal.

À revista IstoÉ, desta semana, Battisti, para tumultuar, diz terem sido os 007 franceses que lhe aconselharam a fuga, deram-lhe passaporte e facilitaram tudo.

Essa “gauche-caviar” sabia que a derrocada do Partido Comunista italiano (PCI), –que estava em ascensão e conquistaria o poder–, decorreu da atuação dos movimentos terroristas de esquerda, como, por exemplo, as Brigadas Vermelhas. O grupo terrorista autodenominado Proletariados Armados para o Comunismo, onde pontificou Battisti (um ladrão que se filiou aos terroristas na cadeia onde cumpria pena), era insignificante. Contava com 60 membros e a meta era atacar presídios e pessoas nos bairros: quando não matavam, atiravam nas pernas das pessoas.

O eurocomunismo não agradava à “gauche-caviar”. Ele era diferente do comunismo soviético, pois pregava o pluralismo político e o respeito à democracia Ocidental. A “gauche-caviar”  gostava, sempre sem sair dos salões, dos revolucionários que, pela força das armas, tinham por meta conquistar o poder.

Com efeito. Durante minha formação conheci o eurocomunismo e fiquei encantado com as posturas de Enrico Berlinguer, fundador do Partido Comunista italiano. E admirava Giorgio Napolitano, um comunista histórico, hoje presidente da República. A propósito, Napolitano e o Partido Democrático, de esquerda e abrigo dos que participaram da juventude comunista, são favoráveis à extradição de Battisti.

Alguns dados históricos faço questão de lembrar, em especial pela ignorância e o despreparo do ministro Tarso Genro.

Com efeito. Nascido em 1925, Sergio Flamigni foi um dos líderes do Partido Comunista Italiano (PCI). Por vinte anos atuou como deputado e integrou as Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPI) sobre o seqüestro e o assassinato do ex-premier Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas, quando os terroristas, de esquerda e de direita, tentaram derrubar  o Estado democrático de direito.

Flamigni, comunista histórico como o saudoso Enrico Berlinguer e Giorgio Napolitano, este atual presidente da Itália, frise-se, testemunhou o “estrago” que as organizações subversivas (terroristas) de esquerda causaram ao então ascendente PCI,  segundo maior e que pregava o respeito ao pluralismo político e à democracia, em flagrante oposição à ortodoxia soviética.

Os antigos eurocomunistas, agora reunidos no Partido Democrático (PD), o segundo maior e de oposição ao governo do premier Sílvio Berlusconi, são favoráveis à extradição de Cesare Battisti, como destaquei acima. Os seus membros consideram ainda não encerrada a página da história italiana sobre o terrorismo. Em outras palavras, os Battisti, como os Brilhante Ustra da ditadura militar brasileira, precisam prestar contas.

No esquerdista PD, Piero Fassino, ex-ministro da Justiça, e Walter Veltroni, presidente e líder dos democratas, são favoráveis à extradição de Battisti para que cumpra as penas por crimes comuns, quatro homicídios, e não políticos. Ressaltou Fassino, em entrevista à televisão, que delitos de sangue numa democracia são crimes comuns e não políticos. E arrematou, com conclusão irrespondível, “o ministro Genro não entendeu nada”. De se acrescentar: não leu os processos e não conhece o Direito.

Mais ainda, decisão da Justiça de outro país não pode Genro revisar ou cassar. Ainda, se um grupo direitista for formado para matar Genro, por não concordar com a sua ideologia e linha política imposta ao seu ministério, qualquer atentado à sua vida por motivação ideológica será crime comum e não político, pois o Brasil é uma nação democrática. Com Battisti não deve ser diferente.

De se ressaltar que a Refundação Comunista, sem nenhuma cadeira no Parlamento, já se manifestou contrária à extradição de Battisti e teve a certeza, nesta semana e em face de sondagem, que trilhou caminho impopular. Daí, a neofascista Daniela Santachè querer vir ao Brasil insistir na extradição

A primeira-dama francesa, Carla Bruni, que se apresentou como de esquerda e que fugiu da Itália com medo do terrorismo de então, detonou Battisti. Ela cavou uma entrevista na televisão italiana (RAI3) e, em pergunta sob encomenda, afirmou nunca ter intercedido em favor de Batttisti e que se solidarizava com as famílias das vítimas dos assassinatos de Battisti.

Não bastasse, a conservadora The Economist deu uma bola-dentro. Ou seja, acusou o presidente Lula de ser anacrônico por manter a tradição de conceder asilo político a ditadores e facínoras: Alfredo Strossner et caeterva.

Flamigni participou das CPIs antimáfia e sobre a Loja Maçônica P2. Ele tem várias obras publicadas, uma delas intitulada A Carreira Política de Francesco Cossiga, cuja carta em favor de Cesare Battisti tanto sensibilizou o desinformado ministro Tarso Genro. Carta no sentido de Battisti ter perpetrado crimes políticos.

A propósito, e o próprio Flamigni conta sobre a constituição, à época de Battisti e junto aos serviços de inteligência do ministério do Interior do direitista Cossiga, de uma ultradireitista “organização paramilitar secreta de inspiração Atlântica”, que foi responsável por atentados e grandes tragédias.

Fora isso, por considerar Cossiga co-responsável pelo assassinato de Moro, a esposa e filhos do ex-premier assassinado recusaram-se a participar dos funerais de estado: não mudaram opinião.   

Flamigni conta sobre a chamada para consultas do embaixador americano Richard Gardnem. Na volta a Roma, Gardnem leu nota do Departamento de Estado norte-americano: “ Os líderes democráticos devem demonstrar firmeza em resistir à tentação de encontrar soluções entre as forças não democráticas”.

Tratava-se de advertência a Aldo Moro que criou, na Democracia Cristã, o centro-esquerda e estabelecia aliança com o PCI de Berlinguer para um novo governo. Em 12 de janeiro de 1978 a nota foi lida por Gardnem e, no seguinte 16 de março, Aldo Moro foi seqüestrado pelas Brigadas Vermelhas.

PANO RÁPIDO. Os factóides de Genro, usados como cortina de fumaça para camuflar o único fundamento da canhestra decisão concessiva de status de foragido a Cesare Battisti (presunção de risco de perder a vida na Itália), caíram todos no ridículo.

Genro deu a decisão a agradar a turma do “Gauche-Caviar” (esquerda do caviar), capitaneada pela escritora francesa Fred Vargas. A asneira do fundamento não deixa dúvida. A Itália já prepara um substituto para a queda de braço com o Brasil: quer, como informei em “post” abaixo, entrar com representação contra o Estado brasileiro na Corte Internacional de Haia, das Nações Unidas.

Passou da hora do presidente Lula revisar a decisão de Genro, que mal atuou como agente da autoridade do presidente da República.

Wálter Fanganiello Maierovitch

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30 de janeiro de 2009

HOLOCAUSTO: Câmara de Gás era para Desinfetar, diz cardeal lefebvriano.

walterfm1 às 10:18

 

Ratzinger olha o ataque lefebvriano

Ratzinger olha o ataque lefebvriano

Tem um ditado popular que diz o seguinte: “Se arrependimento matasse, aquele que concedeu o perdão estaria morto”.

Não sei se o ditado se aplica aos papas, que, conforme se proclama, são infalíveis nas questões de fé porque iluminados. Em outras questões são como nós, comuns mortais. Ou seja, erram. Só que com grande repercussão.

O papa Bento XVI se não se arrependeu de ter levantado a excomunhão de quatro bispos lefebvrianos, da Fraternidade Pio X, já deve ter a certeza da precipitação.

Ontem, um dos contemplados, don Floriano Abrahamowicz, disse que as câmaras de gás serviam para desinfetar. E a sua postura anticristã não parou aí. Sustentou que o número de 6,0 milhões de hebreus exterminados é meramente simbólico, pois, quando se fala em genocídio, sempre há exageros.

Depois da repercussão negativa decorrente do levantamento da excomunhão, em especial do bispo lefebvriano Richard Williamson, que nega o Holocausto-Shoá, o papa Ratzinger condenou publicamente “todo negacionismo” e voltou a falar de “irmãos” hebreus: João Paulo II  havia excomungado  os quatro lefebvrianos em 1988 e chamara os hebreus de “irmãos mais velhos”.

Como destaquei em post anterior, a diplomacia vaticana, depois do ato de levantamento da excomunhão na antevéspera do Dia Internacional da Memória do Holocausto (27 de janeiro), atuou como bombeiro na tentativa de apagar o incêndio causado por Ratzinger. Coube ao cardeal Walter Kasper escrever uma resposta à carta-protesto do Rabinato de Israel, com a seriedade que o momento reclamava.

Enquanto a diplomacia vaticana comemorava o sucesso da reaproximação e do fim do incidente, com a retomada, pelo Rabinato, das conversações bilaterais suspensas, um outro foco de incêndio apareceu ontem.

O novo foco de incêndio deve-se à divisão dos lefebvrianos. Uma ala virulenta, que aproveita da visibilidade pós-levantamento da excomunhão, volta a atacar o papa Ratzinger e fala em “escandaloso erro ao ter o papa rezado numa mesquita islâmica”. Na segunda frente de ataque, o bispo Floriano Abrahamowicz, provoca os hebreus.

Em síntese, a ala lefebvriana radical apresenta-se como anti-semita, pois considera impura as mesquitas islâmicas e nega os extermínios dos hebreus.

Só para lembrar, o bispo Williamson negou o Holocausto e afirmou que nenhum hebreu morreu em câmara de gás, para ele inexistes  nos campos de concentração. Williamson atua na Argentina na formação de novos lefebvrianos, para a Fraternidade fundada em 1970 pelo falecido cardeal Marcel Lefebvre.

Agora, o bispo Floriano Abrahamowicz, até então desconhecido internacionalmente, parte para reforçar o ataque de Williamson. E Floriano é da comunidade lefebvriana da região nordeste da Itália, onde, separatistas, querem a “independência da Padânia” (região do rio Pó) da República italiana. Os referidos separatistas se reúnem num partido político conhecido por Liga Norte, de perfil filo-fascista e que apóia, com os seus parlamentares, o governo direitista do premier Sílvio Berlusconi.

PANO RÁPIDO: se arrependimento matasse, como ensina a sabedoria popular, já estaria a ocorrer, no seio da Igreja católica, convocação para a capela Sistina e certa chaminé revisada para soltar uma fumaça branca.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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Pano Rápido, do decano dos comentaristas deste blog, Paulo Carvalho.

-1. Parece que há uma falta de unidade quanto à doutrina Igreja Católica, o que a faz regredir ao século IV, quando começou a se firmar politicamante com o apoio do Imperador Constantino, que perseguiu e baniu os templos que não professavam esse credo.

E, pior, negam fatos que são de conhecimento comum a todos.

Como disse Sartre, “o inferno são os outros”.

Paulo Carvalho.

-1.R. Responde a caneta-falante Concetta Rompe-coglioni.

Os outros ?  Tô fora.

Só sei que não se deve criar corvos, pois, como dizem os espanhóis nas ruas, quando crescem comem-lhe os olhos

Concetta Rompe-coglioni, a caneta falante assessora do WFM.

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29 de janeiro de 2009

Caso Battisti: Brasil será acusado de violação de Direitos Humanos perante a Corte de Haia.

Tags:, , , , - walterfm1 às 11:11
Lula e presidente italiano, Silvio Berlusconi
Lula e Silvio Berlusconi (Foto Ricardo Stuckert/PR)

O pacote de medidas em preparação pela Itália contra o Brasil terá uma que chegará à Corte Internacional de Justiça de Haia.

Rui Barbosa, o águia de Haia dos nossos livros de história, já deve estar, além túmulo, indignado com a imprevidência de Lula em endossar uma estultice do ministro Tarso Genro, em nome de uma falaciosa decisão soberana que, na verdade, afronta aos direitos da pessoa humana e assegura a impunidade a terroristas.

O acionamento da Corte Internacional de Justiça de Haia será uma das próximas cartas a ser lançada, com o aval do presidente Giorgio Napolitano, comunista histórico e que é chefe de Estado.

Na Corte de Haia, o tema a ser encaminhado será a impunidade que o Brasil confere ao ex-terrorista Battisti. Um assassino que, durante um regime democrático, violou direitos invioláveis das pessoas humanas.

Como conseguiu apurar esse blog “Sem Fronteiras” de Terra Magazine, será consignado, na peça à Corte de Haia, a conclusão de que a postura brasileira ofende direitos fundamentais e naturais do homem, das famílias das vítimas e de uma Itália fundadora da União européia, que é uma comunidade alicerçada no respeito à pessoa humana.        

Lula entrará numa saia-justa, pois, o nosso país figurará no elenco daqueles que dão proteção a violadores de direitos fundamentais do homem e asseguram impunidade a criminoso. Tudo com violação a uma decisão soberana da Justiça de um estado democrático, com legitimidade para executar pena imposta a um nacional que, no seu território, é responsável, como co-autor e mandante, de quatro homicídios.

Com efeito. Na reunião mantida entre o ministério das relações Exteriores da Itália e o embaixador peninsular no Brasil, iniciada ontem e que prosseguiu hoje na parte da manhã de hoje e já foi interrompida para o almoço, foram, com cautela, fixadas algumas metas.

Também ocorreram cortes a algumas patriotadas-macarrônicas, como a proposta do subsecretário da pasta, Alfredo Mantica, do ultradireitista partido da Aliança Nacional (AN). Mantica queria o cancelamento da partida entre as seleções do Brasil e da Itália marcada para 10 de fevereiro, em Londres.

Walter Veltroni, líder do maior partido de esquerda italiano (Pardido Democrático) de oposição ao governo Sílvio Berlusconi, recebeu informação do ministério que a sua proposta de “Moção Parlamentar” (Câmara e Senado) de protesto contra a desrespeitosa e ofensiva decisão do ministro Tarso Genro, referendada pelo presidente Lula, não atrapalharia e nem criaria embaraços à atuação no campo diplomático. Como a situação já se manifestou favoravelmente, a moção será implementada uma vez que a iniciativa é da oposição.

A presidente da Cofindústria e os sindicatos receberam  informações de que a tensão entre Brasil e Itália não afetará as relações bilaterais, nessa época de global crise econômico-financeira. No campo da exportação italiana, antes do caso Battisti, a Itália já vinha sentido, com relação ao Brasil, o peso da forte e crescente concorrência da China.

Quando Lula esteve na Itália em novembro passado, –e o premier macarrônico Berlusconi derramou-se em atenções a ponto de reunir os jogadores de futebol que atuam ou que já penduraram as chuteiras mas continuam a morar na Itália–, ficou acertada a visita de retribuição para os primeiros dias de março.

Ao aceitar o convite de Lula para março próximo, uma agenda de viagem foi rascunhada para Berlusconi, com breve passagem do premier por São Paulo antes de Brasília.

Sinalizado pelo ministro de relações Exteriores, o premier Berlusconi falou do adiamento da viagem em face de compromissos extraordinários. Ou seja, diante do que vem sendo chamado de “exteriorização de descontentamentos” decorrente do caso Battisti, o premier cancelou a viagem ao Brasil, embora nenhuma nota tenha sido emitida ainda pelo palazzo Chigi, sede do Conselho de Ministro e onde despacha Berlusconi.

Como Berlusconi e Lula são pródigos em comicidades e gafes, a reunião da dupla ecoaria “sifu” e “vaffa” em profusão por Brasília. O ponto positivo é que ficaremos livres, felizmente, das costumeiras baixarias berlusconianas, que tem comportamento “machista” e acha que é apenas um galanteador. Em síntese, em tempos bicudos, de desemprego, e com marolinhas a virar vagalhões, seremos poupados de cenas patéticas e de humor de teatro de revista de “basfond” parisiense ou de cais de porto.

Na reunião entre o ministro italiano de relações exteriores e o seu embaixador peninsular junto ao Brasil, na famosa Farnesina (sede do ministério), houve a ordem para se alertar de que a Itália, desde janeiro, assumiu a presidência rotativa do G8 e não conta com poder de veto, e nem cogita, de “desconvidar” os “outreach countries”. Ou melhor, países, como China, Índia, Brasil e México,  convidados a participar do encontro do G8 que ocorrerá na Sardenha, em julho próximo.

Já foi avaliado que a chamada do embaixador italiano no Brasil, Michele Valensise, teve o efeito positivo de marcar, internacionalmente, a posição de desagrado da Itália com a decisão do governo Lula, de desrespeito um Estado democrático de direito, e a ferir princípios elementares do direito internacional. Como se disse na reunião e vazou, de um país com legitimidade para executar as suas sentenças judiciais baseadas no respeito à pessoa humana: respeito à memória das vítimas do terrorismo e aos seus familiares.

O tom, — respeito aos direitos humanos–, foi repassado ao ministro para as Políticas Européias, Andréa Ronchi. O ministro Ronchi, ontem, divulgou o teor do ofício carta que está a encaminhar  à Comissão Européia e comissariado para a Justiça da Comunidade européia, Jacques Barrot.

PANO RÁPIDO. O acionamento da Corte Internacional de Justiça de Haia será uma das próximas cartas, numa queda-de-braço que Lula não consegue atentar para o lado do desrespeito a direitos humanos.

A propósito, Lula, com o escapismo de a questão dever ser solucionada no Judiciário (referencia à lei de Anistia cunhada no governo militar), não empresta consideração e respeito, ao contrário do governo da Espanha por exemplo, à memória das vítimas do terrorismo promovido pela ditadura militar iniciada em 1964.

– Wálter Fanganiello Maierovitch –

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28 de janeiro de 2009

Battisti e a estratégia do Lalau

 

Santacchè ou Santacchè-fanculo.

Santacchè ou Santacchè-fanculo

Luc Rosenzwig foi durante anos diretor de redação do jornal francês Le Monde. Ele deixou o Le Monde e  o prestígio do cargo  para virar escritor sucesso.

Quando Marina Petrella, por graves e comprovados problemas foi transferida do presídio para o hospital Sainte-Anne e depois teve, por razão humanitária, a extradição cancelada pelo presidente Sarkozy, o supracitado Luc Rosenzwig afirmou ser justo que fosse tratada da melhor maneira.

Para se ter idéia, - e repito o grafado em outros “posts” -, Petrella era alimentada por sonda e perdera quase 20 kg: suspeita-se de câncer. Sua filha mais velha, Elisa Novelli, foi às praças a pedir a reconsideração das decisões da Justiça francesa e de Sarkozy. Ambas autorizavam a imediata extradição de uma pessoa gravemente enferma.

A propósito, Elisa nascera na prisão italiana. Sua irmã Emma, de 11 anos de idade, na França, que acolheu Pretella com base na chamada doutrina Mitterand, jamais escrita.

À frente das manifestações em favor de Petrella estava Fred Vargas, escritora de sucesso e conhecida como a integrante da “esquerda do caviar” (gauche-caviar). 

Fred Vargas teve o apoio das irmãs Bruni Tedeschi, a primeira-dama Carla e a irmã Valeria.

Vargas, Valéria, a famosa atriz Fanny Ardant e a primeira-dama Carla, conversaram com Sarkozy e, depois de telefonemas ao presidente italiano Georgio Napolitado —(questão de Estado é resolvida com o presidente da República e não, como pensam muitos, com o primeiro ministro, que é chefe-de-governo. O premier apenas é incumbido de formalizar o pedido de extradição)–, saiu a revogação da extradição, ,com a nota da excepcionalidade por questão humanitária.

Volto a Rosenzweig que, ao falar de Petrella, não esqueceu Battisti: para ele é dito na França que é uma vítima. Mas, ninguém dedica uma palavra ou pensamento às pessoas assassinadas pelo terrorista  e às suas famílias.

Fred Vargas acaba de chegar ao Brasil.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada hoje, ela fala da sua preocupação com o estado de saúde de Battisti: fala-se em hepatite C, adquirida na França.

Na mesma página da Folha, o advogado de Battisti frisa sua preocupação com o agravamento do estado de saúde de Battisti, que está recebendo, em razão do seu estado, uma dieta especial.

O juiz apelidado de Lalau saiu da cadeia em ambulância, com depressão, alterações na pressão sanguínea, etc,etc.  Do hospital, em face de ordem judicial, o chamado Lalau foi transferido para a sua aristocrática mansão no Morumbi. De lá, continua a batalhar, por meio de advogados de fora do Brasil, a obtenção de medidas que impeçam o bloqueio e o repatriamento de dinheiro de origem suspeita que enviou ilegalmente para fora do país.

Como o Brasil não tem hospital-penitenciário, o apelidado Lalau está preso na sua mansão e, evidentemente, não precisa corromper carcereiros para conseguir ter um celular.

Pimenta Neves, o jornalista assassino que matou por ciúmes a ex-namorada jornalista, ficou foragido e apareceu numa clínica médica, para tentar, por problemas de saúde, a revogação da prisão preventiva.

Não seria leviano em afirmar que Battisti está com a saúde perfeita: não tenho nenhum elemento e fala-se em hepatite adquirida na França. Apenas registro, em 40 anos de magistrado e de experiências internacionais,  que a Justiça e a opinião pública devem ficar atentas para não caírem na tática conhecida, internacionalmente, como “Pressão pelas Lágrimas”.

Talvez a chegada da famosa escritora  Fred Vargas - e ainda não se sabe o que Paulo Coelho pensa sobre o caso Battisti–, seja o contra-ponto à chamada do embaixador italiano, Michele Valensise, à Farnesina, sede do ministério de relações Exteriores da Itália, para conversas.

A situação ainda piora quando a neofascista e a milionária Daniela Santacchè, candidata derrotada a premier, resolve dividir a bandeira favorável à extradição de Battisti com o Partido Democrático, de esquerda e oposição a Berlusconi.

Dizendo-se esquerdista italiana em entrevista à RAI3, Carla Bruni, no domingo passado (confira post abaixo) disse jamais ter intercedido em favor de Battisti e se disse solidária à família das vítimas assassinadas por Battisti.

Conhecida por Santacchè-fanculo, por ter alçado o punho com o dedo-médio esticado aos que a vaiavam em uma manifestação no centro de Milão, ela já está a arrumar as malas para tentar, no Brasil, empolgar com os seus discursos fascistas e o seu vulto rejuvenescido com base em cirurgia plástica e botox.

O partido da Refundação Comunista, que não conseguiu nenhuma cadeira no Parlamento nas últimas eleições e tinha o ex-presidente da Câmara (Bertinotti) como candidato a premier, embaraça-se com a sua postura pró-Battisti, uma vez que a opinião pública italiana não aceita o terrorismo. Ainda mais, as Novas Brigadas Vermelhas, nesta semana, prometeram voltar a matar: já mataram o líder D´Antona, incumbido do projeto de reforma das leis trabalhistas.

PANO RÁPIDO. Fred Vargas e Sancchè podiam nos poupar das suas visitas. E o que Paulo Coelho pensa a respeito (dá de 10 a zero na Vargas, em livros vendidos) ? ? ?

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

Pano Rápido com a Exmo.Procuradora JANICE AGOSTINHO ASCARI, uma das reservas morais da magistratura do Ministério Público.

Caro Dr. Maierovitch, por aqui os réus que pertencem à categoria very importante persons, como o Juiz Nicolau e outros, sensibilizam muito mais com seus problemas de saúde. Principalmente o STF, com sua habitual leniência com a criminalidade. São muitos os exemplos, mas limito-me ao Juiz Nicolau: desde que ele foi tecnicamente preso, em dezembro de 2000, o MPF/SP vem demonstrando que os eventuais probleminhas de saúde dele não são suficientes à manutenção da prisão domiciliar, que é cumprida praticamente sem fiscalização, equivalendo à liberdade. Num outro caso, dois poderosos empresários do RS obtiveram autorização judicial e foram internados em clínica particular de livre escolha, para tratamento de seus graves problemas de saúde. Fugiram do hospital.

Um grande abraço ao sr.!
 

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Papa Bento XVI azedou o dia internacional do Holocausto

walterfm1 às 5:00
foto do Yad Vashen (Museo do Holucausto)

Imagem do Museu da Shoá, em Jerusalem

Ontem, –dia internacional de Memória às Vítimas do Holocausto–, a diplomacia do Estado do Vaticano teve uma jornada de muita tensão.

Clérigos de plantão viraram bombeiros em falida tentativa de apagar um incêndio criado, em momento todo inoportuno, pelo papa Bento XVI.

Nem a edição especial do “L´Osservatore Romano”, o jornal diário da Igreja católica, conseguiu reduzir o impacto da infâmia que atingiu à comunidade hebraica. Mais, e como concluiu o festejado historiador Rosso Malpelo, o “Pontífice deu uma bofetada no Concílio Vaticano II”, cuja normas deveriam governar a Igreja.

Quando o falecido papa Wojtyla condenou o Holocausto e pediu perdão, as relações entre católicos e hebreus fortaleceram-se.

Wojtyla chamou carinhosamente os hebreus de “ irmãos mais velhos” e houve grande comoção. O antigo “ghetto judeu” de Roma engalanou-se e a alegria tomou conta da imponente sinagoga localizada às margens do Tevere: as mama-iidiche prepararam, em comemoração, pratos típicos, sem faltar a famosa “carciofo alla giudia” (alcachofra à judia).

Afinal, e como ensina a história, Jesus, Maria e os apóstolos eram  hebreus, semitas. Assim, é difícil de acreditar que algum cristão possa ser anti-semita, embora existam muitos. 
 
A recente visita do papa Ratzinger a Auschwitz reforçou os laços, mas a recentíssima pressão sofrida para beatificar Pio XII, —que silenciou durante a Segunda Guerra e não disse palavras quando os judeus do ghetto-romano eram levados pelos nazistas para os trens com destino aos campos de concentração—, voltou a deixar a comunidade hebraica apreensiva. Afinal, Ratzinger decidiu “dar um tempo” na polêmica beatificação de Pacelli ( Pio XII).

No Yad Vashen, que é o museu da Shoá em Jerusalém, existe uma placa a registrar o supracitado silêncio do papa Pacelli.  

No sábado que antecedeu o 27 de janeiro, dia internacional da Memória, o papa Ratzinger, como ato de “paz e misericórdia”, segundo divulgado, deu seu perdão a quatro bispos excomungados pelo então papa João Paulo II.

Todos os quatro foram ordenados em 1988 pelo falecido e tradicionalista arcebispo Marcel Lefebvre, com o rito da “bula de Pio V”. Ou seja,  em desacordo com as regras estabelecidas pelo Concílio Vaticano II.

A propósito, os lefebvrianos da Fraternidade Pio X (corrigido erro de digitação: X e não V) aceitavam a comunhão com o papa e os ensinamentos da Igreja, mas com exceção do estabelecido no Concílio Vaticano II. Tudo como se fosse possível, — sem um cisma–, permanecer na Igreja católica sem aceitar as decisões adotadas por um Concílio.

Dentre os quatro reintegrados com o levantamento da excomunhão está o arcebispo Richard Willianson, inglês de 66 anos, que dirige um seminário lefebvriano na Argentina.

Willianson nega o Holocausto. Sempre com um já observado sorriso debochado nos lábios afirma que nunca existiram câmaras de gás nos campos de concentração nazistas. Para rematar, sustenta, pelos estudos que diz ter feito, que não houve o extermínio de  6 milhões de hebreus nos campos nazistas. Ainda, que nunca existiu o Holocausto-Shoá.

Parêntese, assista aqui a entrevista de Willianson. Na Alemanha, os neonazistas têm Williamson como herói e os blogs nazistas, como o Deutshe Wehrmacht, o enaltecem, como ao presidente do Irã, outro que nega a Shoá-Holocausto.

Durante a jornada do dia internacional da Memória, o papa Bento XVI foi duramente criticado, depois do caso Williamson ter sido manchete do The New York Times.  Muitos historiadores afirmam que a misericórdia precisa ser aceita e isto não ocorre com Willianson, que não abdica das suas infamantes afirmações.

Os vaticanistas falam hoje que o ambiente continua pesado dentro da Igreja  e fora do Vaticano. Internamente, porque os lefebvrianos continuam a não aceitar o estabelecido pelo Concílio Vaticano II. Externamente porque, sem uma declaração do arcebispo Willianson a reconsiderar as suas afirmações, a ofensa permanece.

Ontem, pela comunidade hebraica, foi esclarecido que o ato de levantamento da excomunhão é da Igreja e só a ela cabe deliberar. Mas, preocupa a infâmia de um arcebispo renitente e agora reabilitado representante da Igreja. Em resumo, sem arrependimento.

Os jornais europeus de hoje destacam a mensagem que a diplomacia vaticana fez circular, no curso do dia da Memória, para tentar apagar a mancha que tingiu essa data internacional. Trata-se da mensagem de Bernard Fellay, o superior da Fraternidade São Pio X que congrega os lefrebvrianos. Ele pede “perdão” ao papa Bento XVI pelas afirmações “negacionistas” do arcebispo Richad Williamson, feitas à televisão estatal sueca. O comunicado destaca que se cuida de ato individual de Williamson.
 
PANO RÁPIDO. Pouco adiantou a manifestação do superior dos lefrebvianos, pois a Fraternidade continua a não aceitar as regras do Concílio Vaticano II e, com isso, adota postura independe da Igreja e desabonadora do povo hebreu.

O cala-boca, ou melhor, o silêncio obsequioso imposto a Wiilliamson, que ontem não foi localizado na Argentina onde vive, conta pouco e não remove ou aplaca a infâmia. Em outras palavras, os reabilitados da excomunhão continuam os mesmos.

–Wálter Fanganiello Maierovitch—

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27 de janeiro de 2009

Battisti: sua folha-corrida antes do terror. Os novos capítulos

walterfm1 às 1:26

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Polcia Federal

foto: Polícia Federal

–1. A folha de antecedentes criminais de Cesare Battisti, antes de aderir ao grupo terrorista Proletários Armados para o Comunismo (PAC),  é objeto de destaque na mídia européia, em especial na italiana.

Battisti estava preso quando, em 1977,  aproximou-se do encarcerado Arrigo Cavallina, um terrorista. Então, interessou-se em fazer parte do grupo terrorista e se tornou, com Piero  Mutti, um operário da mesma idade de Battisti, o executor e o mandante de crimes de homicídio.

Antes de ingressar no PAC, Cesare Battisti ostentava uma folha corrida criminal a corar Fred Vargas, Bernard-Henry Lévy, Daniel Pennac e demais intelectuais do Partido Verde da França, da chamada “gauche-caviar” (esquerda do caviar), que lhe dão apoio, afirmam a sua inocência e protestam contra a extradição.

Os mesmos intelectuais que forçaram o então presidente Mitterand a dar abrigo, por meio de uma doutrina não escrita, a terroristas que, apesar de delitos de sangue, se comprometessem a abdicar da luta armada.

Miterrand, sob vários aspectos um homem de direita como Lula (confira-se o relacionamento com os banqueiros e a entrega a Meirelles do Banco Central, por exemplo), tinha um calcanhar de Aquiles e precisava de apoio da chamada “esquerda dos salões, do caviar e da champagne”.

O calcanhar de Aquiles devia-se ao fato de Miterrand ter trabalhado em agência a serviço do governo de Vichy, colaboracionista do nazismo e de perseguição aos judeus, sob o comando do marechal Phillipe Pettain. Pelo governo de Vichy, uma das vergonhas da França, Mitterand foi condecorado. Fora isso, manteve relações de amizade com René Bousquet e Paul Touvier, famosos caçadores de hebreus.

Com efeito. Cesare Battisti, nascido em 1954, começou a sua carreira criminal em 13 de março de 1972 ao consumar um crime de furto qualificado, na cidade italiana de Frascati, próxima de Roma.

Depois de do furto qualificado, em  19 de junho de 1974, foi processado por crime de lesões corporais dolosas.

No verão de 1974 resolveu praticar roubo e seqüestro em local turístico. Assim, em 2 de agosto do mesmo ano de 1974, na balneária cidade de  Sabaudia (Latina), realizou um roubo qualificado e seqüestrou uma pessoa.

Para fins sexuais, Battisti, em 25 de agosto de 1974, seqüestrou pessoa incapaz e com violência obrigou-a à prática de atos libidinosos.

Preso em flagrante delito por crime de furto em 16 de abril de 1977, Battisti resolveu virar terrorista.

Battisti acabou preso na célula-sede do PAC, com armas e explosivos, daí mentir que já estava desassociado do grupo terrorista quando ocorreram os quatro homicídios pelos quais, como executor e mandante, acabou definitivamente condenado, nas três instâncias, sendo a última a Corte de Cassação, equivalente ao STF italiano.

Piero Mutti cumpriu 8 anos de prisão. Isto por ter, como colaborador de Justiça, mostrado como atuava o PAC e os crimes cometidos. Vale lembrar que, na Itália, aquele que, candidato a colaborador, é pego em mentira não é aceito.

Mutti apontou todos os membros do PAC e Battisti como seu companheiro de ações violentas. Mais, Battisti pertencia à cúpula do PAC que deliberava sobre os assassinatos, roubos e tiros nas pernas de autoridades, como vingança.

A delação de Mutti impressionou quando ele assumiu a co-autoria de dois homicídios dos quais não era acusado em processos.

Além de Mutti, testemunharam contra Battisti sua namorada e companheira de luta armada Maria Cecília. Ela, já com pena cumprida, é professora universitária. Cecília contou, em juízo, ter Battisti, depois de pessoalmente matar Santoro, comentado com ela a sensação de tirar a vida de uma pessoa. Aliás, com animação e nenhum remorso.

Parêntese: Santoro era carcereiro e Battisti e Mutti resolveram matá-lo porque certa vez, no presídio e quando jogavam futebol, Cavallina caiu e quebrou o braço. O carcereiro Santoro demorou para chamar a ambulância: Santoro deixou mulher e três filhos menores quando assassinado.

A família Fantone, composta pelo terrorista Sante, a mulher Ana e a sobrinha Rita, testemunharam contra Battisti. Ana chegou a procurar o marido Sante em Paris, onde esava fugido. Battisti a ameaçou de morte, caso voltasse.

Cavallina, que no cárcere fez o primeiro contato com Battisti e que também foi delatado por Mutti, disse que o mesmo, a respeito dos crimes a que foi condenado como membro do PAC, contou toda a verdade. Cavallina já está em liberdade, como Mutti que cumpiu 8 anos de prisão. Ao contrário do que sustentam os lobistas de Battisti, ele não está desaparecido e com outra identidade. Depois de cumprir 8 anos de pena voltou para sua antiga casa e trabalha como operário. Na semana passada, deu entrevista à imprensa e confirmou as acusações contra ele próprio e Battisti.

Tudo se encontra nos autos, que Tarso Genro afirmou ter lido e, ontem no blog do jornalista Josias de Souza, sustentou que tais provas só serviam para condenar àquela época. Segundo Genro, nenhum juiz, hoje, condenaria Battisti, com tais provas.

Parêntese: Tarso Genro não me consultou a respeito de condenação de Battisti. Talvez por já estar aposentado ele apenas consultou todos os magistrados da ativa, para essa canhestra afirmação.

De se destacar, mais uma vez, que não cabe a Genro entrar no mérito do acerto ou erro das condenações pela Justiça italiana. Ainda, é ridícula sua afirmação, pois existia prova suficiente e induvidosa sobre a participação, ativa ou como mandante, de Battisti nos quatro homicídios.

–2. Os advogados de Cesare Battisti, –que antes de entrar para o grupo Proletários Armados para o Comunismo (PAC), era ladrão, abusou sexualmente de pessoa incapaz e seqüestrou uma pessoa–, defendem a tese da extinção imediata do processo de extradição, sem exame do merecimento do pedido do Estado italiano.

Pela tese jurídica apresentada pelos supracitados advogados, a concessão de status de refugiado político outorgada pelo ministro Tarso Genro impediria o exame, pelo Supremo Tribunal Federal, do merecimento (mérito) do pedido de extradição formulado pelo Estado italiano.

O procurador geral da República, Antonio Fernando Souza, que é o chefe do ministério público federal e atua junto ao STF, teve, ontem, o mesmo entendimento dos advogados de Battisti.

Em outras palavras, sobre o pedido de extradição formulado pelo Estado italiano, o procurador geral é favorável. Ou seja, entende ser caso de concessão de extradição. Mas, diante do fato novo representado pela concessão administrativa de refúgio a Battisti, entendeu o procurador geral da República, no seu parecer, não poder o STF apreciar o mérito do pedido de extradição. Até porque Battisti, com a decisão de Genro, recebeu um status que lhe protege contra toda e qualquer tentativa de retirá-lo do Brasil.

O parecer do procurador-geral da República é técnico-jurídico. Ele apreciou os efeitos da decisão concessiva de refúgio de Tarso Genro.

Com o parecer, duas questões legais aparecem.

Primeira, o exame da extinção do processo de extradição, sem exame do mérito, poderá ser feita pelo ministro que atende ao plantão Judiciário,  nesta época de recesso ?

Se o ministro de plantão julgar extinto o processo, terá, necessariamente, de colocar Battisti em liberdade, expedindo alvará de soltura.

Na hipótese de encaminhar a decisão para o plenário (11 ministros), só em fevereiro, pós recesso de férias do STF, haverá solução.  Cautelarmente, Battisti poderá ser colocado em prisão domiciliar. Na França, quando colocado em prisão domiciliar com obrigação de semanalmente comparecer à Justiça, Battisti fugiu, pois já imaginava que a extradição seria concedida pela Justiça francesa.

Como a nossa Constituição da República estabelece que nenhuma questão pode ser excluída da apreciação do Judiciário, há, no caso Battisti, uma controvérsia a ser solucionada. Ou seja,  um conflito entre o pedido do Estado italiano (extradição) e uma posterior decisão administrativa do ministro da Justiça. Assim, penso que o STF poderá apreciar a legalidade e o mérito da decisão de Genro: risco de perda de vida por parte de Battisti em face de o Estado italiano não ter condições de lhe dar segurança, caso extraditado.

Deixo destacado que as duas soluções são defensáveis juridicamente, embora prefira a segunda, pela absoluta falta de suporte fático-real  na decisão do ministro. Aliás, ele  esqueceu que a lei que citou para fundamentar a sua absurda decisão estabelece, expressamente, a proibição de concessão refúgio político a terrorista.

O correto será o ministro de plantão encaminhar ao Plenário a decisão. Mas, desde que o ministro Gilmar Mendes soltou, por habeas-corpus que não era da competência do STF o banqueiro Daniel Dantas, não há segurança quanto a ausência de futuros atropelos. Tudo a transformar o STF, que é colegiado, em órgão monocrático, pela atuação do plantonista de turno. 

Vale lembrar, também, que, depois de um juiz federal, do Tribunal Regional Federal e do Superior Tribunal de Justiça, terem negado habeas-corpus a Salvatore Cacciola, o ministro-plantonista, Marco Aurélio de Mello, por liminar, deu-lhe  ordem de soltura. Dispensável dizer que Cacciola fugiu, como até a torcida do Flamengo imaginava, menos o ministro Marco Aurélio.

–3. A folha de antecedentes de Cesare Battisti foi estampada na mídia italiana.

–4. PANO RÁPIDO. Battisti luta contra o tempo. A indignação aumenta. Os factóides criados pelo ministro Tarso Genro são destruídos diariamente.

Apostar na patriotada, — da decisão soberana–, representa típico arroubo autoritário, de quem não percebe a importância da cooperação internacional e despreza valores humanitários.

A dor dos familiares das vítimas de Battisti não contam para Tarso Genro e, Lula, que não leu o processo e só conhece os fatos por embargos auriculares, só perde prestígio, infelizmente.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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26 de janeiro de 2009

Bento XVI veste batina-justa na véspera do Dia da Memória.

Tags:, - walterfm1 às 12:36

O papa Ratzinger acaba de vestir uma outra batina-justa, “griffada” pela falta de oportunidade e conveniência. E bem na véspera do Dia Internacional de Comemoração Anual em Memória das vítimas do Holocausto. A propósito, que digam os islâmicos, quando, em aula-magna, o professor Ratzinger ofendeu o profeta Maomé: alegou que falou como professor e não como papa.

Num ato de reconciliação com os fundamentalistas do bispo Marcel Lafebvre, falecido em 1991, resolveu Ratzinger, no dia 24 de janeiro, levantar a excomunhão de quatro bispos. Todos eles consagrados por Lefebvre, que não aceitavam as regras do Concílio Vaticano II e nas missas empregavam o rito tridentino, do papa Pio V.

Dentre os quatro bispos que tinham sido excomungados, encontra-se o britâncio Richard Williamson, que diz ser o holocausto uma invenção dos judeus. Não bastasse, ele nega a existência de câmaras de gás nazistas e reduz para 300 mil o número de judeus mortos na Segunda Guerra.

No final de semana, a Conferência episcopal da Alemanha entendeu “ inaceitável” a volta do “negacionista” Williamson, sem que fizesse um pronunciamento a reconsiderar as suas posições. O porta-voz da referida Conferência, o clérigo Matthias Kopp, transmitiu, pela rede pública de televisão da Alemanha, a reprovação dos religiosos alemães.

O representante da comunidade hebraica junto ao Vaticano emitiu uma nota, onde afirma que “A reabilitação é um ato interno da Igreja católica e sobre isso não queremos interferir, mas sobre o negacionismo temos muito a dizer pois o consideramos uma infâmia. Esperamos que com a Igreja católica isso seja apenas um momento de dificuldade e aguardamos por um gesto positivo”.

PANO RÁPIDO. Uma “reintegração” de ultraconservadores não surpreende.

O papa Ratzinger, desde o tempo que comandou a Propaganda Fede, antigo Tribunal da Inquisição, sempre foi um ferrenho opositor dos progressistas. A perseguição ao frei Leonardo Boff, que recebeu a sanção de silêncio obsequioso, é marcante. Até don Paulo Evaristo, um grande humanista, sofreu retaliações, em especial quando, por ato de João Paulo II apoiado em conclusão da Propaganda Fede, teve seu território de competência dividido,  com o fim claro de reduzir o seu merecido prestígio.

Ratzinger, ao levantar a excomunhão dos lefrebvrianos, sabia, por evidente, de que Williamson estava no meio. Talvez tenha se aproveitado do massacre promovido por Israel em Gaza, com a opinião pública internacional indignada.

Amanhã, 27 de janeiro e dia internacional da Memória, Ratzinger será lembrado, ao reconduzir um que nega o Holucausto. Lamentável.

Wálter Fanganiello Maierovitch.

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1. PANO RÁPIDO do Alexandre Melo, vice-decano deste blog.

Bento XVI deveria dedicar-se mais em suas orações diárias, não é bem estas decisões que esperaríamos do Vigário de Cristo. O perdão só acontece depois do arrependimento, o que não aconteceu no caso acima.

Alexandre Melo.
–1.1.Responde ao Alexandre a caneta-falante Margot Sans-coulote.

Seria bom que dedicasse o período matutino para orações na capela Paulina. O vespertino, após frugal refeição em silêncio glorioso, algumas horas de orações na capela Sistina.

 À noite, reflexões, já que por ser papa estaria dispensado de mortificações com silício, como fazia a turma do Lefebvre.

Margot Sans-coulote.

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2.PANO RÁPIDO do Paulo Carvalho, exmo. Decano do blog.

Boff foi perseguido por Ratzinger até seu desligamento da Igreja. Ganhamos todos nós.
A propósito, ontem assisti ao filme Goya, que mostra parte das atrocidades cometidas pela Igreja com a Inquisição.

Paulo Carvalho

2.2. Responde ao Paulo a caneta-falante Giordana Bruna.
Meu falecido irmão, Giordano, um dominicano vítima da Inquisição e queimado-vivo em 1600 na pizza Campo dei Fiori, tem, do além-túmulo, uma certa inclinação pela ousadia do seu irmão dominicano Boff.
Giordana Bruna.

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CARLA BRUNI DETONA BATTISTI

 

foto Rai 3

Carla Bruni, primeira-dama francesa

 

A primeira-dama da França, a ex-modelo e agora cantora Carla Bruni, teve um papel decisivo na deliberação do presidente Nicolas Sarkozy em não extraditar Marina Petrella, de 55 anos de idade, uma ex-terrorista filiada às Brigadas Vermelhas.

Petrella enfrenta um gravíssimo problema de saúde e, no hospital, o seu debilitado organismo passou a não aceitar alimentos, tudo em razão do trauma de ser descoberta e presa, bem como da decisão de Sarkozy em acolher, depois da manifestação favorável da Justiça, o pedido de sua extradição para a Itália.

Em 1993, Petrella fugiu para a França e desfrutou da doutrina do presidente François Mitterrand, que nunca ficou materializada em decreto, mas que subsistiu como uma tolerância a todos os que se comprometessem, na França, a abdicar da luta armada.

Pela Justiça italiana, depois de dois processos tramitarem por todas as instâncias, Petrella recebeu condenações (1) por participar do seqüestro e do assassinato de Aldo Moro, presidente e líder de centro-esquerda do partido da Democracia Cristã e (2) por um crime de homicídio consumado, um seqüestro de pessoa tentado e uma tentativa de homicídio.

Quando da condenação no caso Aldo Moro, em maio de 1993, Petrella estava em prisão domiciliar e fugiu para a França. Parêntese: sobre o caso Moro, é imperdível o premiado filme intutulado “Bom dia, noite”. No Brasil, só passou em algumas salas dedicadas a filmes de ponta, mas que não despertam  interesse comercial.

Na França, Petrella teve uma filha, Elisa, que está com 24 anos de idade. O Tribunal de Versailles concedeu a extradição para a Itália em dezembro de 2007 e Petrella caiu na clandestinidade, sem deixar a França.

Um automóvel que lhe transportava, no início de 2008,  foi parado numa barreira de fiscalização da polícia rodoviária. Identificada por consulta ao eletrônico de informações da Justiça, foi levada à prisão e logo transferida a um hospital em razão do seu precário estado de saúde. Como os franceses inventaram a telemática, suas polícias contam com informações on-line.

No mês de julho de 2008, o presidente Sarkozy assinou o ato de extradição de Petrella e, por pressão de Carla Bruni e da sua irmã Valeria Bruni Tedeschi, solicitou ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, a concessão de graça em seu favor. Tudo em razão do seu estado de saúde (falou-se em câncer-terminal).

Em razão do estado emocional de Petrella e de não se alimentar, as irmãs Bruni (Carla e Valéria) conseguiram, junto a Sarkozy, uma reconsideração da sua decisão e, em outubro de 2008, a extradição foi suspensa, por razões humanitárias.

Por telefone e ofício, o presidente Sarkozy explicou ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, a sua decisão, dada, como frisou, apenas por questão humanitária e sem intenção de afrontar decisões da Justiça e do governo italiano.

Petrella, que nunca revelou qualquer arrependimento e teve participação no seqüestro e assassinato do ex-premier Aldo Moro, voltou a se alimentar depois da notícia e a sua filha Elisa, nascida na França, permanece a lhe dar assistência.

Diante do acontecido no episódio Petrella, –onde Carla Bruni pela sensibilidade com uma moribunda conquistou corações–, o jornal O Globo noticiou a sua interferência no caso Battisti, quando em visita ao Brasil, em dezembro de 2008.

Ontem a noite, Carla Bruni foi a entrevistada no canal televisivo RAI3. Depois de falar de a eleição de Obama ter sido um “evento histórico”, comparou, sem corar, à eleição do seu marido Sarkozy, em razão de uma inesperada reviravolta.

Não tardou a pergunta sobre a sua intervenção em favor de Battisti, junto ao governo brasileiro.

Bruni respondeu que “jamais desempenhou qualquer papel no caso Battisti”. Ainda ressaltou: “- Nunca defendi Battisti”.
    
Contou, também: “Não me permitiria nunca interferir, não tenho a ideologia dele e estou contente de poder responder essa pergunta e, assim, deixar claro a minha posição perante os familiares das vítimas de Battisti”.

Para “La Bruni”, a concessão de refúgio político a Battisti foi uma decisão do governo brasileiro.

Indagada sobre o motivo de lhe terem atribuído um papel no caso Battisti, ela disse que “talvez pelo fato de ter feito uma viagem ao Brasil”.

PANO RÁPIDO. Carla Bruni já sabia que a pergunta seria feita.

Na Itália, todos sabem do motivo que a levou, nos anos de chumbo, a mudar com a família para Paris. Ou seja,  Carla e a irmã Valeria afirmaram que a Itália estava impossível de se viver pela violenta atuação de grupos terroristas.

Ao se dirigir às famílias das vítimas de Battisti, deixou carla claro que jamais interferiria em favor de um assassino de tal calibre.

A propósito, Lula e Genro pensam diferentemente de Carla Bruni. Em nenhum momento, Lula e Genro pensaram nas famílias das vítimas de Battisti, preso na sede da célula comunista, com armas e munições, e condenado por várias provas a respeito de autoria e participação como mandantes em quatro homicídios.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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25 de janeiro de 2009

CASO BATTISTI: Lula é anacrônico, define The Economist

polãia federal

Neste domingo, a imprensa européia reproduziu as criticas a Lula publicadas no respeitado semanário inglês The Economist, fundado em 1843.

O semanário The Economist tem por objetivo, como declara, “tomar parte em uma competição árdua entre inteligência, que se move para frente, e uma indigna e tímida ignorância que trava o progresso”.

Depois que membros da Al Qaeda estabeleceram-se na Alemanha e participaram do projeto do trágico 11 de setembro e das tragédias na Espanha e Inglaterra, com Portugal e Itália, segundo os 007 dos serviços de inteligência, como próximos alvos do terror, a Europa dedica especial atenção ao tema terroismo, nas esferas internacional e comunitária .

A  comunidade européia luta, até em respeito às famílias das vítimas, contra a impunidade buscada por aqueles que cometeram assassinatos e buscam refúgios.

Como escrevi na revista Carta Capital que acaba de chegar às bancas e a sintetizar o pensamento dos intelectuais progressistas europeus, “Entre civilizados não se considera crime político o assassinato em democracias. Por isso, Battisti, um ex-terrorista, foi condenado por crimes comuns”.

Com efeito. O grande destaque dado pela mídia européia ao caso Battisti, no fnal de semana, decorre da insensibilidade do governo Lula.

Também do espanto gerado com a decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro. Em especial por ter Genro inventado um outro e até então desconhecido Cesare Battisti. Diferente daquele revelado nos autos dos processos que tramitaram na França, Itália e na Corte de Direitos Humanos da Comunidade Européia.

O espanto decorre, também, com os factóides criados por Genro, como se a Corte Européia de Direitos Humanos houvesse virado as costas para um indefeso réu condenado injustamente. A Justiça da França tivesse irresponsavelmente autorizada a extradição de um perseguido por suas idéias e os Tribunais Italianos (a incluir a Cassação, que o Supremo Tribunal) julgado e condenado um inocente, dada a pressão de um governo de extrema direita e por meio de leis de exceção.

Fora isso, a mídia européia já percebeu as “patriotadas”, com a invocação de uma soberania sem compromisso com os princípios do direito internacional e as cooperações na luta pela preservação da democracia e dos respeitos a direitos humanos.

A propósito, a patriotada do secretário de Lula, Luís Dulce, a comparar os casos Caciolla e Battisti soaram como algo populista e próprio de quem não quer ler as constituições (Brasil e Itália), que proíbem a extradição de nacionais. 

A respeito de Caciolla, volto a afirmar que ele pediu a intervenção italiana quando preso em Mônaco. A Itália não moveu uma agulha para se opôr à sua extradição. Cacciola, na prisão de Mônaco,recebeu a visita humanitária de uma autoridade consular de terceiro escalão, que lhe entregou 200 euros para despesas pessoais com alimentação, medicamentos, etc. E Cacciola enfurecido disse que daria de esmola a um pobre: não se sabe se já deu e qual a nacionaliodade do pobre. 

Em tempo de Tribunal Penal Internacional, fechamento de Guantânamo, busca da Memória ( a Espanha levanta as vítimas da Guerra Civil e da ditadura de Franco), imprescritibilidade de crimes que atentam ao direito natural do ser humano, como a  vida, o governo Lula, pela canhestra decisão do ministro Tarso Genro, soa como patético.

Decisão soberana que protege um assassino e lhe veste  com o manto da impunidade é inaceitável. É própria de quem não tem o mínimo respeito aos direitos humanos, casos de Genro e Lula. 

 Sobre o factóide levantado de a tradição brasileira conceder status de refugiado, como para o sanguinário ditador Alfredo Stroesner, o semanário The Economist define como um anacronismo, fora de época, quando “na América Latina a democracia está estabelecida.

Causa espécie Lula não inovar e adotar posição progressista. Ou seja, o governo Lula continua igual ao do tempo da ditadura militar, que dava asilos a fascínoras, a incluir os da  Operação Côndor.

Pela imprensa européia, neste final de semana, destacou-se um segundo pedido de imediata soltura de Battisti junto ao Supremo Tribunal Federal, que determinou a prisão dele em face do processo de extradição.

O advogado de Battisti defende a tese de que com o reconhecimento da condição de refugiado, o exame do pedido de extradição, pelo Supremo tribunal Federal, não pode mais ser realizado.

PANO RÁPIDO. O presidente Giorgio Napolitano, chefe do Estado italiano (Berlusconi é chefe do governo e a questão Battisti é de Estado), é um comunista histórico, que viveu os anos de chumbo e já declarou, até em carta a Lula, que a Itália, à época de Battisti,  era um estado democrático de Direito e radicais, de direita fascista e esquerda, tentaram destruí-lo pelas armas e com atentados que tiraram a vida de centenas de pessoas inocentes.
 
Não quis Napolitado lembrar, que ao contrário do que escreveu Genro com apoio num equívoco do ilustre professor Dalmo Dallari (talvez influenciado pela escritora Fred Vargas, sua vizinha em Paris, amiga e protetora de Battisti), que o presidente da república era Sandro Pertini, do partido socialista e um dos mais árduos opositores ao fascismo, que por 20 anos governou a Itália.

Parêntese irônico: Fred Vargas tem uma recente obra que é best-seller na Itália e na França. Sobre o caso Battisti, não se sabe aposição de Paulo Coelho.

O certo é que Lula atrasou no prazo para resposta a Napolitano. A carta-resposta só foi apresentada depois de 6 dias, em desrespeito à praxe internacional.

O teor da carta-resposta, numa única lauda,  não foi “engolido” por Napolitano, ao qual Lula, pelo seu passado e do grande respeito internacional do qual é detentor, já o chamou de “companheiro Napolitano”. Parece que o respeito era de ocasião.

Alguns intelectuais e sindicalistas da Europa, que com admiração chamavam Lula de “presidente operário”, já falam numa manobra populista de Lula, ao estilo Chavez. Seria o discurso da “decisão soberana”, que sempre empolga os menos informados, que encarnam o David na luta contra Golias, e esquecem valores maiores.

A questão, no devido foco, é outra. Ou seja, de a nação italiana ter o direito de efetivar seus julgados contra assassino (Battisti) que, numa democracia, matou concidadãos italianos. Ainda mais, e como bem destacou editorial do jornal Folha de S.Paulo, a questão é italiana e não brasileira.

De se acrescentar, Tarso Genro não é o supremo juiz de Battisti, a ingressar no mérito das decisões e, ao entendê-las injustas, promover sua cassação no Brasil. Já nos basta o supremo Gilmar Mendes e seu apoiador Eros Grau, que, por coincidência, é primo de Tarso Genro.

Lula, ao referendar a canhestra decisão de Tarso Genro, mostra, à luz dos direitos humanos e do direito internacional a falta de respeito às famílias das vítimas de crimes de homicídios. Não surpreende pois, pela oposição do ministro Nelson Jobin e pela falta de coragem, Lula abandonou à própria sorte os casos de assassinatos, torturas e desaparecimentos, no período da ditadura militar. Nem os arquivos ele manda abrir, como já avisou a ministra Dilma.
– Wálter Fanganiello Maierovitch–

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Paris Hilton na briga do vinho Prosecco

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Paris Hilton na  briga do vinho Prosecco.

A borbulhante champagne transformou-se na bebida das festas. E virou marca registrada da alegria.

Produzida no nordeste da França, esse tipo de vinho espumante leva o nome da região que da mistura das uvas pinot noir, pinot meunier e chardonnay, conquistou o mercado internacional, a ponto de a demanda já ser maior do que a oferta pela Champagne.

Mas se a Champanhe é a rainha, o prosecco virou o pequeno príncipe, tomado por empréstimo a frase de Antonio Bisol, poderoso ex-presidente do Consórcio dos produtos. E que príncipe, pois a oferta saltou, em quarenta anos, de 5,0 milhões de garafas para 160 milhões.

Nas colinas de Cartizze, entre Santo Stefano e San Pietro e onde estão as cepas nobres, um hectare de terra custa 1,0 milhão de euros.

Para os pesquisadores que escrevem a história do prosecco, a sua origem é em Trieste, onde foram encontradas velhas etiquetas de um vinho branco chamado Glera, dado como o primeiro prosecco.

Hoje, o ministério da Agricultura italiano administra o conflito entre duas regiões que querem virar a Champagne italiana.

Cerca de 15 comunas entre Conegliano Valdobiadene apresentam-se como produtoras do autêntico prosecco. E já obtiveram a licença para grafar na etiqueta o “ doc”, que significa denominação de origem controlada.

No entanto, essa zona de origem só produz 33% do prosecco colocado nos mercados internos e internacionais.

Numa região ao redor de Treviso, com cerca de 3.400 vinicultores, é produzido também o prosecco, mas os rótulos das garrafas não levam  a indicação “doc”, mas o carimbo “igt”, que significa “ identificazione geográfica típica”.

A solução que o ministério da Agricultura pensa em apresentar é promover a área de Conegliano Valdobiadene de “doc”em “docg” (o “g” a significar garantida). E a de Treviso dar um salto de “igt” para “doc”. Trocado em miúdos: Conegliano continua acima de Treviso.

Para nós, ao comprar, dar uma olhada na procedência. O meu amigo Angelo, que trabalha no bairro mais antigo de Roma, a Suburra (foi atingida pelo fogo que se diz obra de Nero) me contou que um prosecco de Carizze, encontrável no supermercado Elitte da via Cavour, custa 35 euros e, nos EUA, chega a 90 dólares.

Esse dissenso entre os vinicultores de regiões que disputam a primazia, foi interrompido para, todos unidos, iniciarem ações judiciais e petições aos órgãos de rgulamentação comercial da União Européia. O alvo é a alemã Rich Sales & Marketing, que colocou no mercado o prosecco em latinhas, iguais as de cervejas e refrigerantes.

Para os vinulcutores italianos um desrespeito, como colocar a Champagne, com as suas garrafas e rolhas apropriadas, em latinha de Coca-Cola.

E a Rich Sales & Marketing disponibilizou no mercado a “Rich Prosecco”, com 4 milhões de latinhas assinadas por Paris Hilton, celebridade estadunidense que se apresenta como modelo, escritora, cantora, atriz e estilista de moda.

Para os produtores italianos “doc” e igt”, a Rich se apropria de um consagrado produto como se fosse “apátrida”   e Paris Hilton presta-se para avalizar uma contrafação (pirataria), colocada em latinhas.

O conhecido poeta Andrea Zanzotto, apreciador de prosecco, escreveu: -“Intolerável vulgarização do sublime prosecco”.

Sua frase só perde, na boca dos produtores, para uma outra, muito típica e que é dita de forma abreviada “ Paris Hilton, vaffa”, ou seja, “Paris Hilton vaffanculo”.

–Wálter Fanganiello Maierovitch—

Em tempo: gosto de histórias e mergulho na pesquisa.

Não entendo de vinho, mas aprecio essa bebida. Ainda mais depois que a minha médica, Dra Sílvia, disse que um copo do tinto por dia faz bem para o coração.

Ainda mais, não suporto a frescura de certos esnobismos. Aqueles brasileiros metidos a entendidos, a girar o vinho na taça. Depois cheiram e dado um pequeno gole começam a dizer (vomitar regras), sobre o pólen  depositados pelas abelhas nas uvas: amoras, cerejas, frutos do bosque, etc. 

Muitos, quando a frescura chega ao clímax, falam que o vinho é aceitável, mas com um pouco de gosto da rolha: falam rolha em francês..

Como sou neto de italianos pobres de olarias e de poloneses sapateiros remendões, ocorre, a cada girada de taça, uma volta às minhas origens. Tiro do bolso a minha inseparável caneta-falante, Concetta Rompe-coglioni, e pergunto o que posso dizer. Uma só coisa, diz ela: um sonoro Vaffa.
WFM.

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