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roberto saviano
O jornalista Roberto Saviano, nascido em 1979 em Napoli, infiltrou-se na potente e secular organização criminosa transnacional conhecida por Camorra. Depois, produziu o best-seller intitulado Gomorra- Viagem ao Império Econômico e no sonho de Domínio da Camorra.
A obra foi publicada em mais de 100 países. Na Itália, está entre os livros mais lidos de todos os tempos. A bem cuidada edição brasileira de Gomorra é da Bertrand Brasil (como lembrou o comentarista Leonardo).. O filme Gomorra, sucesso de bilheterias, foi até relacionado para concorrer ao Oscar.
Em razão do sucesso da obra, Saviano começou a sofrer ameaças e, por segurança, teve de deixar a sua cidade natal (Napoli), onde trabalhava para o jornal La Repubblica, de maior circulação na Itália.
A direção do jornal La Repubblica o transferiu para Roma e depois para Nova York. Quando estava em Napoli, uma bomba foi colocada debaixo da lataria do seu automóvel, pronta a detonar caso fosse acionado o motor do veículo.
Pouco antes do Carnaval, o jovem jornalista Saviano concedeu uma entrevista, publicada no site do La Repubblica. Ele conta como é viver acompanhado por escolta e ser vigiado, dentro da sua casa, por telecâmeras, como se participasse de um Big Brother (Grande Fratello, da televisão italiana): http://tv.repubblica.it/piu-visti/settimana/la-non-vita-di-saviano/29190?video
Saviano, diversas vezes, disse não desejar ser um mártir da luta antimáfia, como foram, por exemplo e na condição de profissionais, os juízes Giovanni Falcone e Paolo Borselino. Ele se coloca como jornalista, que escreveu um livro e, por ser jovem, quer viver, constituir família, etc.
O escritor, ontem, esteve a visitar Jerusalém e teve um encontro em Tel Aviv com o presidente israelense Shimon Peres.
Na conversa de quase uma hora, Peres disse a Saviano que, na região, existe uma Camorra “que se chama Hamas”. Para Peres, o Hamas é brutal e mata as suas mulheres e as suas crianças.
Uma péssima comparação, de quem, evidentemente, não sabe que a criminalidade de matriz mafiosa não tem ideologia e o lucro pelas vantagens indevidas é a sua principal meta. O crime organizado é gênero, que tem três espécies diversas: quadrilhas ou bandos, máfias e terrorismo.
No curso da conversa, Saviano quis saber como Peres conseguia viver escoltado, num arco de mais de 50 anos. Peres, a sorrir, esclareceu que o importante é como “nós nos sentimos”, como está o nosso interior. E alertou que a melhor medida de segurança é não ter medo.
Saviano, seguramente, deve ter recordado uma das frase de Paolo Boselino, que foi dinamitado pela máfia: “Quem tem medo, morre todos os dias. Aquele que não tem medo, morre só uma vez”.
Peres contou que imagina que seria morto aos 30 anos, ou seja, na atual idade de Saviano. Então começou a correr para realizar as coisas e, aos 80 anos, ainda não faleceu.
O corajoso Saviano, que tem anéis nos dedos polegar e indicador, mostrou uma frase gravada no interior de um deles: “A covardia é o pior dos valores: o estúpido abre a porta, o sábio a fecha”.
A frase agradou Peres, que quis saber de onde provinha. Saviano, então, contou que já estava gravada no anel quando o comprou em Roma. Mais, que a frase era da Caballa, ou seja, de uma das vertentes antigas do misticismo judaico.
Saviano quis saber da sensação de morte que rondou Peres quando um fanático matou o premier Yitzhak Rabin, que estava ao seu lado em uma cerimônia. Peres contou que o fanático queria matá-lo também, mas não teve medo. Sentiu, no entanto, o coração partir ao ver Rabin morto com o tiro.
PANO RÁPIDO. A entrevista não estava agendada. Como Saviano fazia tour turístico e aproveitava para divulgar o seu livro, acabou convidado para uma visita a Peres, que desejava conhecê-lo fazia algum tempo.
O colóquio terminou com Peres a dizer que ele estava convidado a viver em Israel, no caso de se sentir inseguro no seu país.
Wálter Fanganiello Maierovitch.
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Retrospectiva:artigo publicado no Instituto Brasileiro Giovanni Falcone, em setembro de 2007.
A Camorra usa carrões da Mercedes Benz .
ROMA.. Na região da Sicília, a cidade Corleone ficou conhecida como a que mais gerou chefões mafiosos. De Corleone saíram os capi mais sanguinários da história da criminalidade organizada planetária.
Totó Riina, “il capo dei capi” é de Corleone. Declarou guerra ao estado italiano e bombardeou Roma, Milão e Florenza, em 1992. Mandou dinamitar juízes como Giovanni Falcone e Paolo Borselino, eurodeputados, policiais, etc.
Só que na pequena Corleone os chefões e os mafiosos não compravam automóveis da marca Mercedes Bens para uso. A propósito, nunca foram vistos em carrões.
Quando preso, Totó Riina, foragido há mais de 19 anos sem sair da Sicília, estava num Citroen, padrão médio, e com motorista particular a aparentar ser ele o proprietário do veículo.
Os “corleonesi”, como ficaram conhecidos os mafiosos daquela pequena cidade (“paese”), preferiam investir em relógios Rolex e jóias de desenhistas famosos. Frise-se, não usavam esses relógios e jóias. Apenas mantinham-nos guardados em esconderijos.
Totó Riina, por exemplo, tinha, como o bicheiro carioca Anísio Abraão, alguns exemplares do famoso relógio Rolex.
Ao contrário dos mafiosos corleoneses, os camorristas “casalesi” , da cidadezinha de Casal di Principe, preferem os automóveis Mercedes Benz, sempre último tipo.
Casal di Principe é a cidade que tem, proporcionalmente, a maior quantidade de automóveis Mercedes Benz em circulação no mundo.
Além da cidade com o maior número de Mercedes Benz do mundo, a pequena Casal di Principe tem mais firmas de construção civil do que habitantes (cidadãos).
O velho “capo camorrista” de Casal di Principe é Don Nicola Schiavone . Ele já passou o comando da “famiglia casalesi” para o filho Francesco Schiavone.. Em Casal di Principe, o último “cadáver excelente” (jargão mafioso para assassinatos de pessoas com notoriedade) foi o pobre padre Peppino Diana: criticava a Camorra nos sermões. O penúltimo foi o vice-prefeito, que anulou uma concorrência pública por suspeita de “extorsão” e “fraude”: levou seis tiros na cabeça, enquanto falava ao telefone, com a janela aberta.
Ontem, em Casal di Príncipe, houve uma manifestação para relembrar as vítimas da Camorra. Estavam presentes o presidente da Câmara dos Deputados da Itália e o jornalista Roberto Saviano Roberto Saviano, desde outubro de 2006, está sob escolta. Ele escreveu o livro intitulado GAMORRA (para não confundir com o filme Camorra, de Linna Wertimuller).
O livro conta a história da Camorra, em especial em Casal di Príncipe, onde estão grandes chefões camorristas que controlam o mercado do cimento e do concreto-armado.
Na Itália, o livro de Roberto Saviano é um recordista de vendas. Foi Saviano que levantou o número de Mercedes Benz que circulam com placa de Casal di Principe.
Wálter Fanganiello Maierovitch.