Terra Magazine

28 de fevereiro de 2009

CHINA: viagem de Hillary, com bônus do tesouro e realpolitik

walterfm1 às 10:00

Hillary Clinton já está com as malas prontas para a viagem oficial a Pequim. Sua tarefa principal não será fácil. Deverá convencer o governo de Pequim a investir em bônus do tesouro norte-americano, para ajudar a deslanchar o plano do presidente Barack Obama.

O momento não é adequado, pois uma grande gafe foi perpetrada poucos dias antes da viagem e o governo chinês acaba de divulgar uma dura resposta: “Basta de lições”.

Com efeito, na quarta feira passada, 25 de fevereiro, o Departamento de Estado norte-americano, dirigido por Hillary, divulgou o relatório anual  sobre a situação dos direitos humanos nos 109 países do planeta. No relatório, a China encontra-se relacionada como violadora contumaz, ao lado da Coréia do Norte, Irã, Iraque, Sudão, Síria, Somália, Mianmar, Zimbabwe, Cuba, Colômbia, etc.

Hillary terá os próximos dois dias para assimilar a dura resposta do governo da China:  “Chega de lições. Os Estados Unidos devem pensar nos seus problemas sobre direitos humanos e parar de agir como guardião universal deles, de modo a interferir com as questões internas da China”.

O certo é que o relatório foi elaborado no governo Bush e firmado pela então secretaria Condoleezza Rice.

Hillary, certamente, deverá seguir a linha da chamada “realpolitik”, muita usada no governo do seu marido Bill Clinton, que apreendeu essa doutrina com Henry Kissinger. Ou seja, em primeiro lugar o interesse econômico-financeiro e só depois o idealismo. Na administração Clinton, muitas vezes, prevaleceu o oportunismo da “realpolitik” e os direitos humanos acabaram esquecidos.

Na China, a cada ano, são executadas 5 mil sentenças condenatórias de pena capital. Conforme a Amnesty International, 500 mil chineses cumprem sanção de trabalhos forçados, sem processo aberto e nenhum direito de defesa.

Cerca de 30 jornalistas estão encarcerados por matérias consideradas contrárias ao interesse nacional. No dia 4 de junho próximo será o vigésimo aniversário do massacre de estudantes na praça Tianamen. Em março ocorrerá o primeiro aniversário da  eliminação de monges que protestaram no Tibet e meio-século da fuga do Dalai Lama para a Índia.

PANO RÁPIDO. Como vale tudo em nome da “realpolitik” introduzida nos EUA por Henry Kissinger, dá para explicar sempre uma tomada de decisão: da invasão do Iraque até a recentíssima recusa de Hillary em assinar acordo de cooperação com a Colômbia, sob o fundamento de violações a direitos humanos.

Para a Colômbia valeu o discurso de Hillary: “ A promoção dos direitos humanos é um caminho essencial da nossa política externa”.

Quanto à China, falará mais alto a aquisição de bônus do tesouro dos EUA. E não haverá surpresa se ouvirmos que o governo da China está em evolução e até matando pouco.

Wálter Fanganiello Maierovitch

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27 de fevereiro de 2009

VATICANO: inadequada a carta-perdão atribuída ao bispo Williamson

Richard Williamson

Richard Williamson

A carta que o negacionista bispo lefebvriano Richard Williamson teria endereçado ao papa Bento XVI, –contendo pedido de desculpas pelo teor da entrevista  difundida pela televisão pública sueca e na qual negou a Shoá e o extermínio de judeus em câmaras de gás dos campos de concentração–, não chegou ao departamento de Estado do Vaticano.

Diante disso, a diplomacia vaticana não afirma a sua autenticidade, embora considere, à luz do publicado, que é plena de ambiguidades.

Segundo os especialistas em questões vaticanas (vaticanistas), com acesso a fontes privilegiadas de informações naquele minúsculo Estado, o conteúdo é irritante. E “furbo” (ardiloso, astuto) o suficiente para gerar novas polêmicas e causar novos desgastes, caso confirmada.
 
No desembarque no aeroporto londrino, depois da expulsão da Argentina, o bispo Williamson nada disse a respeito da carta. E lá estava para recepcioná-lo, com incontida euforia, a milionária Michele Renouf, ex-miss Newcastle, que se dedica a disseminar o antisionismo pelo planeta.
 
A suposta carta foi divulgada pela agência católica Zenit, cujo site é Zenit.org. Conforme registrado no “post” publicado ontem neste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine, a agência Zenit teria recebido cópia da carta por meio da comissão Ecclesia Dei, presidida pelo cardeal Dario Castrillón Hoyos, que conduziu as tratativas do caso Williamson com Bernard Fellay, superior lefebvriano e responsável pela ordem Pio X.

Por partes e consoante os informes privilegiados dos referidos vaticanistas:

–1. Na carta dada como de autoria de Williamson, está grafado o seu arrependimento com as declarações apresentadas à televisão sueca. Estas causadoras de danos e muita dor aos sobreviventes e aos familiares de vítimas: “ sofreram injustiças cometidas pelo Terceiro Reich”, assinalou.

O autor da carta fala em “injustiças cometidas pelo Terceiro Reich”, sem qualquer menção à Shoá e aos hebreus.

A expressão “injustiças cometidas pelo Terceiro Reich” é  genérica e, portanto, aberta a qualquer tipo de ocorrência.

–2. Nenhuma referência consta na carta às câmaras de gás.

À televisão sueca, Williamson sustentou: - “As câmaras de gás nunca existiram”.

O bispo Williamson, caso autêntica a carta-perdão, volta à questão de ter expresso uma opinião pessoal e acrescenta: -“ Expressei opinião que quem não é historiador. Naquilo que acreditei e numa opinião formada faz 20 anos e com base em provas disponíveis na época”.

Sobre quais seriam essas provas, não há referência na carta. E, pelo texto, é como se há 20 anos houvesse alguma dúvida sobre a Shoá, campos de extermínios e câmaras de gás.

–3. Na entrevista, Williamson assegurou que cerca de 200 mil e no máximo 300 mil hebreus foram mortos nos campos de concentração (lager), mas nenhum em câmara de gás.

A presumida carta de Williamson a Ratzinger não toca em números de mortos, pois, sobre a entrevista à televisão sueca gravada na Alemanha (corre investigação criminal na Justiça alemã), há sempre a menção de ter ele expresso a opinião naquilo que acreditava. Aliás, convicção formada com base em elementos informativos de 20 anos atrás, sem preocupação de se atualizar antes de concer entrevista.

Numa carta datada de 3 de janeiro passado, e endereçada ao supracitado cardeal Hoyos, Willianson deixou ressaltado: “estou pesaroso pela terrível tempestade causada pelos meus comentários imprudentes”.

Não se sabe mais nada sobre o teor da carta a Hoyos, mas sobre a imprudência, de quem dá opinião formada há 20 anos e com base em documentos que não consegue identificar, o bispo Williamson foi muito generoso consigo, pois leviandades, — para dizer o mínimo–, representam bem mais do que imprudência.

PANO RÁPIDO. O caso Williamson continua em aberto. Até agora, o que existe de real é o seu “ isolamento acadêmico-cultural” em lugar secreto e orientado por David Irving. Segundo alertou o jornal Times, de Londres, a confortar Richard Williamson estará presente David Inving, ou seja, o próprio autor de obra voltada a comprovar que os campos de extermínio foram uma invenção.

Para muitos vaticanistas, Williamson, que teve a excomunhão imposta pelo papa Woytjla em 1988 levantada em janeiro passado por Ratzinger, estabelece um conflito para desviar a atenção e impedir espaço para ser focada a desobediência dos lefebvrianos às regras do concílio Vaticano II, que eles consideram uma heresia.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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PANO RÁPIDO de Paulo Carvalho, decano dos colaboradores.

  • O arrependimento pressupõe a convicção de responsabilidade sobre os fatos que lhe deram origem.Será que houve, de fato?

    Comentário por Paulo Carvalho — 27 de fevereiro de 2009 @ 14:37

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    26 de fevereiro de 2009

    GOMORRA: Saviano visita Jerusalém e o presidente de Israel

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    roberto saviano

    roberto saviano

    O jornalista Roberto Saviano, nascido em 1979 em Napoli, infiltrou-se na potente e secular organização criminosa transnacional conhecida por Camorra. Depois, produziu o best-seller intitulado Gomorra- Viagem ao Império Econômico e no sonho de Domínio da Camorra.

    A obra foi  publicada em mais de 100 países. Na Itália, está entre os livros mais lidos de todos os tempos. A bem cuidada edição brasileira de Gomorra é da Bertrand Brasil (como lembrou o comentarista Leonardo).. O filme Gomorra, sucesso de bilheterias, foi até relacionado para concorrer ao Oscar.

    Em razão do sucesso da obra, Saviano começou a sofrer ameaças e, por segurança, teve de deixar a sua cidade natal (Napoli), onde trabalhava para o jornal La Repubblica, de maior circulação na Itália.

    A direção do jornal La Repubblica o transferiu para Roma e depois para Nova York. Quando estava em Napoli, uma bomba foi colocada debaixo da lataria do seu automóvel, pronta a detonar caso fosse acionado o motor do veículo.

    Pouco antes do Carnaval, o jovem jornalista Saviano concedeu uma entrevista, publicada no site do La Repubblica. Ele conta como é viver acompanhado por escolta e ser vigiado, dentro da sua casa, por telecâmeras, como se participasse de um Big Brother (Grande Fratello, da televisão italiana):  http://tv.repubblica.it/piu-visti/settimana/la-non-vita-di-saviano/29190?video

    Saviano, diversas vezes, disse não desejar ser um mártir da luta antimáfia, como foram, por exemplo e na condição de profissionais, os juízes Giovanni Falcone e Paolo Borselino. Ele se coloca como jornalista, que escreveu um livro e, por ser jovem, quer viver, constituir família, etc.

    O escritor, ontem, esteve a visitar Jerusalém e teve um encontro em Tel Aviv com o presidente israelense Shimon Peres.

    Na conversa de quase uma hora, Peres disse a Saviano que, na região, existe uma Camorra “que se chama Hamas”. Para Peres, o Hamas é brutal e mata as suas mulheres e as suas crianças.

    Uma péssima comparação, de quem, evidentemente, não sabe que a criminalidade de matriz mafiosa não tem ideologia e o lucro pelas vantagens indevidas é a sua principal meta. O crime organizado é gênero, que tem três espécies diversas: quadrilhas ou bandos, máfias e terrorismo.

    No curso da conversa, Saviano quis saber como Peres conseguia viver escoltado, num arco de mais de 50 anos. Peres, a sorrir, esclareceu que o importante é como “nós nos sentimos”, como está o nosso interior. E alertou que a melhor medida de segurança é não ter medo.

    Saviano, seguramente, deve ter recordado uma das frase de Paolo Boselino, que foi dinamitado pela máfia: “Quem tem medo, morre todos os dias. Aquele que não tem medo, morre só uma vez”.

    Peres contou que imagina que seria morto aos 30 anos, ou seja, na atual idade de Saviano. Então começou a correr para realizar as coisas e, aos 80 anos, ainda não faleceu.

    O corajoso Saviano, que tem anéis nos dedos polegar e indicador, mostrou uma frase gravada no interior de um deles: “A covardia é o pior dos valores: o estúpido abre a porta, o sábio a fecha”.

    A frase agradou Peres, que  quis saber de onde provinha. Saviano, então, contou que já estava gravada no anel quando o comprou em Roma. Mais, que a frase era da Caballa, ou seja, de uma das vertentes antigas do misticismo judaico.

    Saviano quis saber da sensação de morte que rondou Peres quando um fanático matou o premier Yitzhak Rabin, que estava ao seu lado em uma cerimônia. Peres contou que o fanático queria matá-lo também, mas não teve medo. Sentiu, no entanto, o coração partir ao ver Rabin morto com o tiro.

    PANO RÁPIDO. A entrevista não estava agendada. Como Saviano fazia tour turístico e aproveitava para divulgar o seu livro, acabou convidado para uma visita a Peres, que desejava conhecê-lo fazia algum tempo.
    O colóquio terminou com Peres a dizer que ele estava convidado a viver em Israel, no caso de se sentir inseguro no seu país.

    Wálter Fanganiello Maierovitch.
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    Retrospectiva:artigo publicado no Instituto Brasileiro Giovanni Falcone, em setembro de 2007.

    A Camorra usa carrões da Mercedes Benz .

    ROMA.. Na região da Sicília, a cidade Corleone ficou conhecida como a que mais gerou chefões mafiosos. De Corleone saíram os capi mais sanguinários da história da criminalidade organizada planetária.

    Totó Riina, “il capo dei capi” é de Corleone. Declarou guerra ao estado italiano e bombardeou Roma, Milão e Florenza, em 1992. Mandou dinamitar juízes como Giovanni Falcone e Paolo Borselino, eurodeputados, policiais, etc.

    Só que na pequena Corleone os chefões e os mafiosos não compravam automóveis da marca Mercedes Bens para uso. A propósito, nunca foram vistos em carrões.

    Quando preso, Totó Riina, foragido há mais de 19 anos sem sair da Sicília, estava num Citroen, padrão médio, e com motorista particular a aparentar ser ele o proprietário do veículo.

    Os “corleonesi”, como ficaram conhecidos os mafiosos daquela pequena cidade (“paese”), preferiam investir em relógios Rolex e jóias de desenhistas famosos. Frise-se, não usavam esses relógios e jóias. Apenas mantinham-nos guardados em esconderijos.

    Totó Riina, por exemplo, tinha, como o bicheiro carioca Anísio Abraão, alguns exemplares do famoso relógio Rolex.

    Ao contrário dos mafiosos corleoneses, os camorristas “casalesi” , da cidadezinha de Casal di Principe, preferem os automóveis Mercedes Benz, sempre último tipo.

    Casal di Principe é a cidade que tem, proporcionalmente, a maior quantidade de automóveis Mercedes Benz em circulação no mundo.

    Além da cidade com o maior número de Mercedes Benz do mundo, a pequena Casal di Principe tem mais firmas de construção civil do que habitantes (cidadãos).

    O velho “capo camorrista” de Casal di Principe é Don Nicola Schiavone . Ele já passou o comando da “famiglia casalesi” para o filho Francesco Schiavone.. Em Casal di Principe, o último “cadáver excelente” (jargão mafioso para assassinatos de pessoas com notoriedade) foi o pobre padre Peppino Diana: criticava a Camorra nos sermões. O penúltimo foi o vice-prefeito, que anulou uma concorrência pública por suspeita de “extorsão” e “fraude”: levou seis tiros na cabeça, enquanto falava ao telefone, com a janela aberta.

    Ontem, em Casal di Príncipe, houve uma manifestação para relembrar as vítimas da Camorra. Estavam presentes o presidente da Câmara dos Deputados da Itália e o jornalista Roberto Saviano Roberto Saviano, desde outubro de 2006, está sob escolta. Ele escreveu o livro intitulado GAMORRA (para não confundir com o filme Camorra, de Linna Wertimuller).

    O livro conta a história da Camorra, em especial em Casal di Príncipe, onde estão grandes chefões camorristas que controlam o mercado do cimento e do concreto-armado.

    Na Itália, o livro de Roberto Saviano é um recordista de vendas. Foi Saviano que levantou o número de Mercedes Benz que circulam com placa de Casal di Principe.

    Wálter Fanganiello Maierovitch.

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    Bispo Williamson: isolamento cultural com orientador neonazista

    A milionária Michele Renouf, ex-modelo e antiga miss Newcastle, já entrada nos 60 anos de idade, foi ontem recepcionar o bispo lefebvriano negacionista Richard Williamson, um cidadão britânico expulso da Argentina, no aeroporto londrino de Heathrow. Ela dedica grande parte do seu tempo a atacar Israel e a organizar movimentos antisionistas.

    Renouf deixou-se fotografar e estava esfuziante de alegria com o retorno à Inglaterra de Williamson, que, como ela,  nega o holocausto e a existência de câmaras mortíferas de gás nos campos de concentração de judeus, durante a Segunda Guerra.

    O bispo Willianson havia sido neste fevereiro afastado da direção do seminário lefebvriano próximo de Buenos Aires, numa queda-de-braço com o papa Ratzinger e com a secretaria de Estado do Vaticano, conforme noticiamos e comentamos em “posts” deste Blog Sem Fronteiras, do Terra Magazine.

    Das funções, pela Santa Sé, o bispo Willianson fora suspenso pela fórmula  “a divinis sine die”. Também foi-lhe recomendado silêncio obsequioso à Igreja.

    O governo argentino, por seu turno e em razão da repercussão da entrevista do negacionista Williamson, o expulsou por ingresso irregular no país em face de falsa declaração.

    Só para recordar, Willianson teve a excomunhão levantada em janeiro passado pelo papa Bento XVI e reafirmou a inexistência do Holocausto e de câmaras de gás nos campos de concentração: a excomunhão ocorreu em 1988, por ato do então papa João Paulo II.

    Williamson que ameaçou agredir um jornalista no seu embarque em Buenos Aires, apesar de ter tentado passar despercebido, –com óculos escuros e um boné de baseball enterrado na cabeça–, já tem uma agenda a cumprir, traçada pela direção dos lefebvrianos.

    A agenda de Williamson já causa polêmica.

    Ele será colocado em “isolamento acadêmico cultural” em lugar secreto. Evidentemente sem parar com as partidas de tênis, seu esporte predileto.

    No tal “isolamento acadêmico cultural” será assistido por um escritor e um historiador.

    O escritor é tão polêmico quanto Williamson. Se trata de David Irwing, um teórico do negacionismo à Shoà.

    Em escrito que serve de livro de cabeceira a neonazistas, David Irwing chegou  a excluir a responsabilidade de Hitler sobre a morte de judeus em campos de concentração.

    PANO RÁPIDO. O Times de Londres deu o perfil de David Irwing: “a confortar Willianson está incumbido David Irwing, que escreveu que os campos de extermínio foram uma invenção”.

    Como se percebe e sem necessidade de se possuir uma esfera de cristal, Willianson, no seu “isolamento acadêmico cultural”, para reflexão e no velho estilo da doutrina católica da Metanóia, vai sair piorado.

    Não se sabe por quanto tempo Williamson permanecerá em “isolamento acadêmico cultural”, mas, na companhia de David Irwing, poderá trocar definitivamente, quando sair do “isolamento”,  o crucifixo por outra cruz, a suástica hitlerista.

    –Wálter Fanganiello Maierovitch–

     

    Em tempo:

    1.Michele Renouf contratou e pagou advogados para a defesa do negacionista australiano Frederick Toben.

    2.David Irving,escritor e que se apresenta como historiador inglês, foi preso na Áustria por suas teses negacionistas.

     

    3.A notícia de que o bispo Willinson teria pedido desculpas pelo erro de ter negado a Shoa e a presença de câmaras de gás em campos de concentração não está confirmada.

    Essa notícia partidiu de um site católico chamaddo Zenit . O site se reporta à Comissão eclesiástica dirigida pelo cardeal Castrillon Hoyos.

    WFM.

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    25 de fevereiro de 2009

    O habeas corpus da quarta-feira de cinzas

    Pierrô.

    Pierrô.

    Túnel do tempo, anos 50-60. Toda a quarta-feira de Cinzas, bem cedo, um ilustríssimo brasileiro anotava na delegacia e anexa carceragem do Pátio do Colégio (centro de S. Paulo) os nomes dos contraventores detidos.

    A maioria estava enquadrada por ilícitos de vadiagem, bebedeira e por causar escândalo público.

    Para a elite conservadora paulistana esses excessos carnavalescos, “da ralé”, eram graves, deviam passar de contravenção a crime e só a cadeia resolvia.

    Na manhã de Cinzas, quando o Palácio da Justiça abria as portas ao público, o ilustríssimo brasileiro lá estava. Portava na maleta de mão pedidos de habeas corpus, prontos para despachar com os juizes criminais.

    O ilustríssimo brasileiro não cobrava nada pelos serviços. Seu móvel era o inconformismo cívico. Apenas não suportava, na condição de grande jurista, músico, professor, homem de cultura enciclopédica e fina ironia, com as ilegalidades e os abusos perpetrados contra um comum do povo.

    Uma magistratura austera, com juízes de terno cinza, camisa social branca e gravata escura, recebia, conforme contado pelos da época, o ilustre professor brasileiro, mestre em direito processual penal e direito penal, que, em razão da urgência no uso de um remédio heróico (habeas corpus), apresentava-se fantasiado de Pierrô.

    Naquele momento, era o Pierrô apaixonado pela causa da liberdade, em face de cidadãos ilegal e abusivamente detidos.

    Parêntese: nenhum desrespeito à Justiça, apenas falta de tempo para tirar a fantasia. Para os que foram seus alunos - como o autor deste blog, abaixo-assinado -, o professor ensinou que o hábeas corpus é sempre urgentíssimo, pois ninguém deve ser preso ilegal ou abusivamente.

    Pois bem: mal o ilustríssimo brasileiro deixava o Palácio da Justiça, aplausos e urros eram ouvidos da carceragem. Também de um pátio cheio de familiares, amigos e amantes em busca de notícia de foliões desaparecidos.

    O professor, sempre sem esboçar sorriso a colocar em dúvida a correção da sua missão constitucional de cidadão, transportava para o Pátio do Colégio ordens de habeas corpus liberatórios ou pedidos de informações, que muitos delegados já tinham prontas as respostas, ou seja, a de certo paciente não estar preso, ou seja, era solto com a chegada do pedido judicial de informações.

    Quando das liberações, o ilustríssimo brasileiro já tinha desaparecido. Dizem que ia tomar um café na praça de Sé e, nas escadarias, olhava espantado o tamanho da fila de pecadores que iam receber as cinzas dos padres de plantão.

    Ele também percebia a indignação e um certo mal-estar dos clérigos e dos pecadores, pois, os libertados no pátio do Colégio, muitos com restos de fantasia, passavam pela praça a contar as marchinhas carnavalescas que foram contidas pelas grades. Alguns, já embicavam em algum bar.

    A cerimônia de cinzas prosseguia. E o ilustríssimo brasileiro, professor Canuto Mendes de Almeida, catedrático da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, compositor e depois Procurador Geral da República no governo Jânio Quadros, saia de cena. Isto com a alma lavada, sem precisar receber cinzas.

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    24 de fevereiro de 2009

    Bin Laden localizado em Parachinar no Paquistão.

    area analisada

    O professor Thomas Gillespie, da Universidade da Califórnia do Sul, é um dos maiores especialistas na localização de animais em perigo de extinção pelo planeta. Ele desenvolveu e aplica com sucesso a “teoria da biogeografia”.

    Essa “teoria da biogeografia” parte do último local onde foi vista a espécie em risco. Se o animal se afasta daquele espaço, onde fora visto pela última vez, será improvável que ele encontre condições favoráveis de sobrevivência, alerta o professor Gillespie. Ao ser humano, ensina o consagrado professor Gillespie, o afastamento seria limitado entre pessoas com o mesmo credo religioso, que falam a mesma língua, etc.

    No caso de Osama bin Laden, o professor cruzou vários dados, analisando-os à luz de um perfil global, regional e local.

    Ele iniciou a análise a partir de Tora-Bora, o último lugar onde foi visto Bin Laden. A partir daí, levou em conta dados certos, como a necessidade de Bin Laden fazer diálise, pois os seus rins funcionam precariamente: quando do bombardeamento nas cavernas de Tora-Bora, os serviços de inteligência dos EUA trabalharam com esse dado como verdade absoluta.

    Outros dados certos e utilizados no cruzamento foram o da estatura elevada de Bin Laden e um certo número de pessoas da sua escolta privada: é um homem de estatura imponente a chamar a atenção na região. E as tendas ou habitações não foram feitas para pessoa com estatura elevada. As pessoas da escolta chamariam a atenção pois precisariam de abrigo para descanso, refeições, etc.

    Com base em exames de fotografias tiradas por satélites, cotejos com os dados cruzados e tecnologia à disposição de pessoas comuns, como é o caso do Google Earth, o professor Gillespie individualizou a pequena cidade paquistanesa de Parachinar, pouco distante do Afeganistão, como o lugar onde está estacionado Osama bin Laden.

    Osama bin Laden

    O professor aponta para três construções que podem servir de abrigo a Bin Laden e são visíveis nos mapas e fotografias: duas são residências e a terceira parece ser uma prisão.

    A revista International Review do célebre Massachusetts Institute of Technology (MIT) publicou o trabalho do professor Gillespie, que, poucos meses atrás, tanto teria agradado o ex-presidente George W.Bush, que fracassou até nas tentativas de encontrar Bin Laden.

    No final do trabalho, o professor Gillespie, com a inocência dos sábios, sugere que os 007 da Cia e os agentes do FBI (polícia federal norte-americana) partam imediatamente para Parachinar. De se acrescentar, antes de a revista International Review chegar ou alguém avisar Bin Laden.

    Numa das passagens do estudo, Gillespie explica ser falsa a conclusão de Bin Laden viver em grutas, o que levou a bombardeamentos com explosivos em ogivas penetrantes no solo. Em outras palavras, uma montanha de dinheiro jogado no ralo.

    O professor Gillespie ressalta que para viver em grutas Bin Laden teria de contar com um sistema de aprovisionamento contínuo de víveres, remédios, água, etc, e isto seria facilmente captado pela miríade de “olhos eletrônicos” em órbita no espaço. Gillespie considera que se Laden vivesse em grutas já teria sido localizado pelos satélites espiões dos EUA.

    Murtaza Haider, paquistanês de origem e “ director of the Institute of Housing & Mobility in the Ted Rogers School of Management at Ryerson University”, contestou a conclusão de Gillespie.

    Para o supracitado professor Murtaza Haider, a região apontada por Gillespie é tribal e xiita de credo religioso. Assim, dificilmente um sunita como Bin Laden seria acolhido em comunidade islâmica xiita. O contestante, no entanto, elogia o trabalho e a teoria de Gillespie e alertou haver carência de oficiais de inteligência na área tribal e essa deficiência o anterior governo Bush não conseguiu suprir. Na visão do professor de origem paquistanesa, a omissão do governo, no particular, estimula pesquisas como a de Gillespie, graças à excelente tecnologia disponibilizada pela Google Earth.

    PANO RÁPIDO. O certo é que os 007, até a tragédia do 11 de setembro, falavam russo e andavam como prestígio em baixa com o fim da Guerra Fria. Raros 007 falavam árabe. Soltos em regiões tribais, ainda que não chegassem montados em camelos e a jogar para o alto notas de dólar, seriam facilmente identificados e rejeitados.

    Uma velha estratégia dos 007 da Cia é a de comprar informações. Isso só vem sendo possível em locais de grande concentração urbana, onde o delator consegue um certo anonimato se não sai a exteriorizar a riqueza conquistada. No governo Bush gastou-se muito na compra de informações e, pelo resultados, muitos 007 foram enganados, em região de fundamentalistas religiosos: nem o chefe dos talebans, mula Omar (sogro de Bin Laden) conseguiu ser localizado.

    –Wálter Fanganiello Maierovitch–

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    23 de fevereiro de 2009

    Al Qaeda do Magreb volta a atacar: 9 mortos e 2 feridos.

    Tags:, - walterfm1 às 14:22

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    O jornal El Watan da Argélia noticiou um ataque terrorista na região montanhosa de Cabilia (Argélia).

    Nessa região atua um dos braços da chamada Al Qaeda do Magreb.

    Magreb é chamada a região norte da África, que os grupos extremistas islâmicos entendem lhes pertencer historicamente: vide mapa junto ao este post. 

    Segundo o jornal El Watan, o grupo terrorista teria lançado morteiros e depois tentado invadir o canteiro de trabalho da sociedade Spas, uma terceirizada da Sonelgaz, empresa pública algeriana de eletricidade e gás.

    Na tentativa de invasão, 9 agentes de segurança da Spas teriam sido mortos e dois saíram feridos.

    A região montanhosa de Cabília é permanente cenário de batalhas e ataques terroristas. As forças policiais da Algéria tentam, há anos, eliminar o grupo terrorista agora autodenominado de Al Qaeda do Maghreb, que freqüentemente reivindica a autoria de atentados contra países membros da Opep, no norte da África.

    A Al Qaeda do Maghreb é o novo nome do antigo grupo terrorista salafita.

    O novo nome foi adotado depois de o grupo salafita se conectar à rede da Al Qaeda.

     A Al Qaeda do Magreb nasceu de acordo do seu antigo líder Abou Moussab, um engenheiro especializado em explosivos, com enviados de Bin Laden e Al Zawahire.

    Pano Rápido. A Al Qaeda virou “franchising”. E a marca Al Qaeda pode ser negociada.

    Em troca de apoio financeiro e em armas, qualquer grupo terrorista islâmico, — ainda que não sunita–, pode se ligar à rede da Al Qaeda. As divulgações dos atentados ficam por conta da Al Qaeda central. E dela são exclusivas as orientações e interpretações religiosas.    

    Wálter Fanganiello Maierovitch.

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    PANO RÁPIDO DE PAULO CARVALHO, DECANO DESTE BLOG.

    Primitivos.

    Comentário por Paulo Carvalho — 23 de fevereiro de 2009 @ 19:40

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    TERROR: Bomba em centro turístico do Cairo

    walterfm1 às 9:27

    O octogenário presidente Hosni Mubarak não consegue que o nome do filho se fortaleça para deixá-lo como sucessor. No momento, Mubarak esforça-se para conseguir, pelo período de 8 meses, um acordo de paz para a faixa de Gaza.

    Enquanto isso e apesar da forte repressão, a Irmandade Muçulmana continua fortalecida e a apoiar grupos terroristas.

    Ontem, no centro turístico onde fica o concorrido bazar Khan el-Khalili, num café próximo à mesquita de Al Hussein, ocorreu a explosão de uma bomba caseira que provocou pelo menos uma morte e ferimentos em 25 pessoas.

    A vítima fatal é uma turista francesa de 17 anos de idade. A maioria dos feridos são franceses, do seu grupo turístico. A explosão teria provocado ferimentos em 25 transeuntes. Segundo a polícia, uma segunda bomba, com explosivos embutido numa lata de refrigerante, teria falhado.

    A polícia prendeu um casal e a suspeita deveu-se ao fato de deixarem o local correndo, pouco antes da explosão. A mulher usava o “niqab”, que é um tipo de véu que cobre inteiramente a face, com uma fresta apenas nos olhos.

    O bazar Hhan el-Khalili é freqüentado diariamente por centenas de turistas e já foi palco de um outro atentado terrorista em abril de 2005.

    As grupos terroristas no Egito sempre procuram golpear locais freqüentados por turistas.

    A meta é afastar, pelo clima de insegurança, os visitantes estrangeiros. O turismo é uma das principais fontes de arrecadação do governo do Egito.

    Para se ter idéia, 13 milhões de turistas visitam anualmente o Egito. Diante da crise financeira, perder turistas, na visão dos grupos eversivos, ajudaria a enfraquecer do governo do presidente Mubarak.

    O segundo homem da Al Qaeda é o médico egípcio Zawahiri, que pertenceu à Irmandade Mulçumana, organização proscrita pelo presidente Mubarak.

    A televisão egípcia e a rede da Al Jazeera falam em duas bombas não potentes, uma atirada e a outra deixada escondida atrás de um balcão ou numa moto estacionada.

    O último atentado terrorista datava de 2006, na estação balneária de Dahab, local onde moradores de Israel costumavam passar férias.

    –Walter Fanganiello Maierovitch–

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    22 de fevereiro de 2009

    Aumento de produção de cocaína na Colômbia, Peru e Bolívia

    walterfm1 às 11:12
    parque Macarena (Colômbia)

    coca: parque Macarena (Colômbia)

    Em 2000, no governo Andrés Pastrana, teve início o chamado “Plan Colômbia”, no qual os EUA investiram milhões de dólares nos seus cinco anos de vigência.

    O “carro-chefe” do “Plan Colômbia”, depois transformado em Iniciativa Regional Andina (IRA), voltava-se ao derrame aéreo de herbicidas (glifosato, vendido pela Monsanto com o nome comercial de Roun Up) em áreas de plantio de folha de coca.

    Pela fumigação, acreditavam os generais norte-americanos, autores do projeto e fiscalizadores da execução, na destruição da matéria-prima (folha de coca) usada na elaboração do cloridrato de cocaína.

    O Plan Colômbia fracassou e os milhões de dólares foram para o “ralo” da incompetência dessa supracitada e militarizada iniciativa. O mentor do plano, no governo do democrata Clinton, foi o czar antigrogas da Casa Branca, general Barry MacCaffrey, um republicano.

    As áreas de plantio migraram para as reservas ecológicas, onde era proibido por lei o derrame de herbicidas. Mais, o cultivo da coca migrou, também, para áreas da floresta amazônica colombiana e para os vizinhos Peru e Bolívia.

    Em síntese e conforme revelado por exames de fotografias por satélite, a área de plantio de coca na Região Andina não se alterou, em termos de oferta de folhas de coca, nos cinco anos do Plan Colombia.

    A Dyn Corp, –que foi a empresa norte-americana de segurança privada contratada para realizar as fumigações aéreas do “Plan Colômbia”–, embolsou US$170 milhões nessa aventura chama “Plan Colombia”.

    O fumigamento com glifosato provocou danos ecológicos irreversíveis e esses afetaram até o Equador, em face da contaminação fluvial.

    Nesta semana, saiu mais um dos relatórios “chapa-branca” das Nações Unidas, que continua a apostar no combate às drogas pelas vetustas e ultrapassadas regras estabelecidas na Convenção de Nova York de 1961 (ainda está em vigor).

    O relatório da Junta Internacional de Controle de Entorpecentes (criada para fiscalizar o cumprimento das regras da Convenção de Nova York de 1961) refere-se ao ano de 2008. Para esse órgão, –que recebe informações dos próprios estados-membros da ONU–, o cultivo de folha de coca cresceu 27% com relação ao ano de 2007. Isto gerou a produção de 600 toneladas de cloridrato de cocaína.

    Aumentos na área de cultivo, sempre consoante a Junta, ocorreram no Peru e na Bolívia, na ordem de 5%.

    Para a Junta, a área andina de cultivo atingiu, em 2008, 181,600 hectares e 55% do plantio está na Colômbia.  Seguem, o Peru com 29% e a Bolívia com 16%.

    Dentre os pontos de partida de distribuição da cocaína para os EUA (maior consumidor mundial) e Europa, o relatório aponta para a Venezuela e México.

    No México, consoante registrado nesta semana em “post” deste blog Sem Fronteiras, a situação é dramática  e a “war on drugs” continua a matar civis inocentes: confira-se a afirmação do ministro da Economia, feita em Paris e segundo o qual o próximo presidente mexicano será um narcotraficante.

    A menção à Venezuela, por relatório realizado por uma Junta de peritos aprovados pelos EUA, faz parte da propaganda de demonização do presidente Chávez, que, corretamente, expulsou 007 da agência norte-americana de inteligência sobre drogas (DEA): a DEA bisbilhotava a atuação política do presidente Chávez e nada fazia para ajudar no combate às drogas.

    PANO RÁPIDO. O relatório serve para mostrar a falência das políticas sobre o fenômeno das drogas ilícitas que as Nações Unidas insistem em recomendar: o modelo seguido é o da “war on drugs”. Serve, também, para Colômbia continuar a pedir dinheiro para o combate, no seu eterno plano de “enxugar gelo”: 80% da cocaína ofertada no planeta provém da Colômbia.

    Wálter Fanganiello Maierovitch.

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    21 de fevereiro de 2009

    ISRAEL: tragédia à vista, com Netanyahu e Liberman

    Netanyahu e Peres

    foto: Netanyahu e Peres

    Ganhou, mas não levou. A líder do Kadima, Tzipi Livni, sabia que apesar de o seu partido conquistar o maior número de cadeiras (28×27 do Likud) no Knesset (Parlamento), a soma de cadeiras dos partidos da direita, ultradireita e ortodoxos, levaria o presidente Shimon Peres a confiar a chefia do governo a Benjamin “Bibi” Natanyahu, do direitista Likud.

    Livni, uma ex-007 do Mossad e uma das três responsáveis pela desproporcional reação em Gazanos 22 dias de guerra, já havia adiantado, em entrevistas, que não aceitaria a proposta de um governo de união nacional, onde o Kadima entraria para participar de um Conselho de Ministros, com Bibi de premier.

    Portanto, não surpreendeu o convite do presidente Peres para Bibi Netanyahu formar o novo governo de Israel.

    Nas eleições, com 13 cadeiras e a se constituir no terceiro maior partido, o Yisrael Beiteinu (Nossa Casa Israel) ficou com o papel de fiel da balança. Como esperado, Avigdor Evite Liberman, o líder do Yisrael Beiteinu (cópia do partido russo fundado por Boris Yeltsin: Nossa Casa Rússia), fechou com Natanyahu, dada a maior afinidade.

    Tudo já estava acertado entre Bibi e Ivette (apelido de Liberman, que também é conhecido por Leonid), daí,  divulgado o resultado da apuração eleitora, o referido Liberman ter desaparecido. Na sua casa, distante 5 km de Jerusalém, até a secretária-eletrônica fora desligada.

    Em síntese, restará ao Kadima, com o decadente partido Trabalhista (de esquerda e liderado por Ehud Barack, ex- ministro da defesa no governo de Ehud Olmert) e o partido pacifista (esquerda) tentar fazer oposição aos direitistas, ultranacionalistas e ortodoxos.

    Com a divulgação do resultado das eleições, Liberman viajou  à Bielorússia para se aconselhar com o ditador Aleksandr Lukashenko (única ditadura da Europa ocidental).

    Aos 50 anos de idade e nascido na então república soviética da Moldávia, Liberman conseguiu conquistar 1,0 milhão de votos de imigrantes russos e o seu partido conquistou 15 cadeiras no parlamento, a transforma-lo no terceiro maioro.

    Libermane deixou a Moldávia em 1978 e, em 30 anos de Israel, e apesar das denúncias de corrupção e uma filha acusada de fraudes fiscais, integrou o gabinete do premier Ehud Olmert, com um decorativo ministério de ações a longo prazo, como se fosse um Magabeira Unger do governo Lula.

    Algumas frases desse fanático de turno são preocupantes: (1) devemos mandar o Hamas para o paraíso, (2) vamos bombardear a represa Assuã para inundar o Egito, (3) precisamos fazer em Gaza aquilo feito por Putin na Tchetchênia, (4) Abu Mazen é um incompetente.

    Pouco antes da eleição em Israel, o partido religioso Shas alertava “não se votar no diabo russo”. Hoje, os líderes do Shas dizem não ser bem assim e estão prontos a dar sustentação, com Liberbam, a um governo com Benjamin Netanyahu, do Likud, como primeiro-ministro.

    No governo, Liberman pensa em executar promessas de campanha, que certamente mereceriam aplausos de Hitler, Haider e Le Pen. Dentre elas, (1) empregos públicos só para quem serviu ao exército, a lembrar que os árabes nascidos em Israel estão dispensados do alistamento militar, (2) fim da trégua em Gaza para se liquidar com o Hams, (3) obrigar os árabes nascidos e residentes em Israel a firmar um compromisso de fidelidade, sob pena de expulsão, (4) conquista e ocupação da Cisjordânia.

    Pano Rápido. A esquerda afundou nas eleições: o Meretz ( pacifistas) teve de torcer pelo Kadima (centr-direita) e  os Trabalhistas perderam representatividade. Israel, que não tem uma constituição escrita e com a direita no poder, vai  continuar a indignar os que lutam pelo respeito aos direitos naturais do ser humano.

    Tragédia à vista.

    Wálter Fanganiello Maierovitch

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