Escândalo Berlusconi: presidente da Itália pede trégua até final do G8. Cai prestígio do premier entre as eleitoras
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Giorgio Napolitano, presidente da Itália, completou ontem, 29 de junho, 84 anos de idade. Ele aproveitou a presença da imprensa para pedir uma trégua com relação aos escândalos protagonizado pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi.
A trégua pedida terminaria no final do G8, summit que terá início na próxima semana, na cidade de L’Áquila, em reconstrução depois de forte terremoto.
Pelo jeito, a trégua não foi aceita e vários jornais europeus dedicaram, hoje, comentários sobre o escândalo.
O londrino Times, por exemplo, reservou uma página inteira às festas de Berlusconi, com participação de garotas de programa e, conforme se está apurando pela magistratura de Bari, uma eventual circulação de cocaína.
Anota o Times que Berlusconi se coloca, como todos os líderes políticos envolvidos em escândalos internos, ativíssimo no campo da política externa. Trata-se de referência à coletiva de ontem de Berlusconi, a bordo do magnífico navio Fantasia, onde ficarão hospedados os chefes de governo e de Estado membros do G8.
Richard Owen, correspondente do Times, bateu pesado: “A escolha de uma coletiva a bordo de um navio de turismo foi singular. Serviu para recordar as origens de Berlusconi como ‘cantor de piano-bar’ em cruzeiros e com seu olhar particular para as belas mulheres. No Fantasia, o “cenário era perfeito, pois havia um piano. Podia-se até esperar que o premier se levantasse e iniciasse a cantar as canções napolitanas que o fascinam”.
Durante a coletiva no Fantasia, Berlusconi se apresentou, sem modéstia, como o líder político europeu de maior aceitação popular.
Por evidente, Berlusconi esqueceu-se da pesquisa do último domingo, pós-escândalo com as três garotas levadas a pagamento para encontro com ele no Palazzo Grazioli (residência oficial).
Entre as eleitoras italianas, a popularidade de Berlusconi caiu 4%: em janeiro ele tinha 51%, e caiu em junho para 47%.
Qaunto aos jovens, na faixa entre 18 a 24 anos, Berlusconi despencou e a sua avaliação é negativa. Seis meses atrás era positiva sua avaliação, ou seja, antes dos escândalos com Noemi Letizia, pivô da sua separação, e com as garotas de programa que eram contatadas por Gianpaolo Tarantini, apelidado de o “Rei das Próteses”.
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Parêntesis aberto. Tarantini está sendo investigado em Bari por suspeita de fraude na venda de próteses cirúrgicas a hospitais públicos: ele tem uma empresa que fornece produtos hospitalares. Também está sendo investigado — diante do revelado por interceptações telefônicas realizadas pela Guarda de Finanças da Itália — por crime de exploração de prostituição.
O terceiro inquérito contra Tarantini diz respeito a tráfico de cocaína. Numa festa em casa alugada na requintada e alpina Cortina d’Ampezzo (sem presença de Berlusconi), Tarantini e os seus amigos ofereciam cocaína às mulheres: sexo e cocaína, diziam nos telefonemas interceptados pela Justiça.
No momento, existe investigação para saber se Tarantini fornecia cocaína para as inúmeras garotas de programa que encaminha para as festas de Berlusconi, na sua cinematografica mansão sarda, em Villa Certosa. Parêntesis fechado.
PANO RÁPIDO. O grande temor de Berlusconi diz respeito aos eleitores católicos, em grande número na Itália. Eles são mais fiéis às cartilhas vaticanas do que aos programas dos partidos políticos.
Pela última pesquisa pós-escândalo com as garotas a pagamento, Berlusconi, entre eleitores católicos praticantes, caiu de 61% para 54%. Parece que sua esperança está na “remissão dos pecados”, que Ratzinger poderá lhe conceder. E minha caneta-falante, Concetta Rompi-Coglione, já resmunga sobre quanto lhe custará uma penitência.
–Wálter Fanganiello Maierovitch–






















