Terra Magazine

31 de julho de 2009

Novas bases militares dos EUA na Colômbia. Guerra às drogas serve de pretexto

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Já escrevi tanto que perdi a conta. Também falei em inúmeros foros internacionais — incluídos os sob o patrocínio das Nações Unidas (ONU) e da Organização dos Estados Americanos (OEA) — que a  War on Drugs é utilizada para esconder, camuflar, interesses geoestratégicos, geopolíticos e geoeconômicos.

No momento, os EUA e a Colômbia — como ficou acertado em Washington na visita feita por Álvaro Uribe a Barack Obama e a anteceder o G8 deste julho — cuidam de alinhavar o projeto de construção de três (3) bases militares em território colombiano: Palanquero, Malambo e Apiay.

As futuras bases de Malambo e Palanquero estarão em posição topográfica a permitir, sob o prisma militar,  ataques à Venezuela.

A terceira base, Apiay, permitirá o controle da região próxima à chamada Cabeça do Cachorro (onde o mapa do Brasil tem esse formato) e a cobrir o curso do venezuelano rio Orinoco, que corta área de extração de petróleo.

Quando teve de devolver o Canal do Panamá (1999), os EUA instalaram bases militares em Aruba (Antilhas Holandesas), Curaçao (Antilhas Holandesas), Iquitos (Peru) e Manta (Equador).  A motivação dada para as instalações: “Guerra às Drogas”.

Parêntese.  O atual presidente do Equador não renovou o acordo de cooperação com relação à base americana de Manta, daí mais três na Colômbia, fora a implantada, de fato, na Bolívia.

As novas três bases militares colombianas estão sendo implementadas com base no velho discurso: cooperação na luta contra as drogas. Pergunta-se: por que não deram certo as outras (Curaçao, Aruba, Iquitos e Manta) no que toca à redução de oferta ?

Como escreveu a brilhante jornalista Eliane Cantanhêde, na Folha de hoje, os governos do Brasil e da Espanha articulam reações conjuntas, a envolver a União Europeia e a Unasul (União de Nações Sul-Americanas), contra a intenção dos EUA de ampliarem sua presença militar na Colômbia.

O falido Plan Colombia, que consumiu US$ 5,0 bilhões em cinco anos, teve início para combater a oferta de cocaína, a partir da destruição de plantios de folhas de coca. No segundo mandato de Bush, o Plan Colombia mudou e voltou-se a reprimir e demonizar as Farc, que passaram a ser consideradas como uma organização terrorista e de exploração do narcotráfico.

PANO RÁPIDO. Para grande surpresa, o presidente Barack Obama continua, como os anteriores presidentes,  a querer controlar militarmente a América Latina. No México, a Guerra às Drogas do presidente Calderón tem apoio dos EUA.

Tudo começou no governo do presidente Ronald Reagan.

Reagan iniciou uma guerra às drogas sem limitação de fronteiras. Esse foi o pretexto dado para os EUA, na América Latina, que era considerada um seu quintal, combater o comunismo.

No particular, nada muda com Obama, cujo czar antidrogas da Casa Branca, ao assumir o cargo, sentenciou que o modelo militarizado de guerra às drogas não tinha dado certo. Parece que não é o que pensa Obama.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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30 de julho de 2009

ETA volta a atacar e inaugura nova estação de terror

Tags:, , , - walterfm1 às 14:30
explosão de hoje, pelo ETA

Explosão de hoje, pelo ETA

Ultranacionalistas da organização que ficou conhecida pela sigla ETA voltaram a atacar. A ação ofensiva de hoje, de matriz terrorista, ocorre 24 horas depois do atentado consumado na simbólica Burgos, que resultou em 69 pessoas feridas com gravidade.

Desta vez,  o ETA promoveu a explosão de uma bomba na ilha de Mallorca (Ilhas Baleares). O alvo foi um automóvel da Guarda Civil, que estava estacionado defronte ao quartel do bairro de Palmanova.

Dois policiais militares, de 27 e 28 anos de idade e que se encontravam no interior do veículo-alvo, morreram em decorrência da explosão, com bomba de dinamite.

O local do atentado, Palmanova, estava repleto de turistas, que aproveitam o verão europeu e o período de férias escolares.

Segundo as autoridades espanholas, o policiamento e as rondas policiais no local tinham sido intensificados. O motivo deveu-se ao fato da proximidade da chegada da família real espanhola, que passará parte do mês de agosto no Palácio Marivent, situado a apenas 10 quilômetros do quartel onde ocorreu a explosão e as mortes dos dois policiais militares.

O anterior ataque a Burgos está sendo considerado como início de uma nova estação de terror por parte do ETA,  um acrônimo de Euskadi Ta Askatasuna, a significar “País Basco e Liberdade”.’

Burgos foi o local escolhido para abrir a nova estação de terror pelo seu simbolismo.

Cidade e província sempre usada como símbolo, pois Burgos (244 km de Madrid) foi a sede escolhida por Franco, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

Nos anos 70, sob ditadura franquista, iniciou-se em Burgos o primeiro processo contra membros do ETA. A represália do ETA veio em 1973, quando restou assassinado o “delfim” de Franco, o almirante Carrero Blanco.

O almirante Luis Carrero Blanco, à época, era o primeiro-ministro da ditadura franquista. Seria o sucessor de Franco, ou seja, era o “delfim” do generalíssimo.

Depois da morte de Blanco, Franco iniciou a mais forte das repressões contra o ETA e que resultou em centenas de prisões.

Com a queda do franquismo e a saída da prisão dos militantes do ETA, os ataques cresceram em progressão alarmante até 1998. Para se ter idéia, em 1979 consumaram-se 82 homicídios políticos, No ano seguinte, 1980, o número cresceu para 88 políticos assassinados pelo ETA.

PANO RÁPIDO. O ETA adotou nos anos 70 a ideologia trotskista. Nos anos 90, autoproclamou-se nacionalista. Perdeu grande parte da sua base de sustentação na França, enquanto, na Espanha, representa uma minoria entre os bascos. Aliás, sob o prisma demográfico espanhol, os bascos são minoria na própria região, a exemplo do que ocorre na China, com o Tibete.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

Novas Revelações: 16,30 hs.

A bomba que matou os policiais foi deflagrada à distância, ou seja, por um sistema de controle remoto.  Os turistas receberam recomendação para não saírem às ruas nem freqüentarem praias. Isto, até nova orientação.

Os jornais europeus informam que, no município de Calvià, a polícia encontrou uma bomba que seria usada pelo ETA.

Em Mallorca, o aeroporto foi fechado para evitar fuga dos terroristas.

A imprensa espanhola recorda que o ETA, em 1955 e 2004, preparou dois abortados ataques para matar o rei Juan Carlos.

WFM

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29 de julho de 2009

Advogados esperam retratação e falam em acusações injuriosas do ministro Tarso Genro

walterfm1 às 18:40

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é isso a�

Tarso Genro: é isso aí

Sobre a dificuldade que teria o ministro Tarso Genro em passar num exame da Ordem dos Advogados do Brasil, já mencionei minha certeza neste e em outros blogs, como o do ilustre jornalista Luis Nassif.

Nada de novo, em termos de má escolha. No governo Fernando Henrique Cardoso, passaram pelo Ministério da Justiça Renan Calheiros e Íris Rezende. No particular, imagino como Rui Barbosa e Clóvis Beviláqua devem ter-se virado na sepultura.

Nos corredores de diversos fóruns e tribunais espalhados pelo país, os advogados, durante o dia de hoje,  revelaram inconformismo e irritação com o ministro Genro, diante da sua última leviandade e despreparo jurídico.

Falou-se, até, em crime contra a honra e de a OAB dever ser pressionada para pedir ao ministro Genro uma imediata retratação.

Com efeito. Genro acusou os advogados, levianamente, de vazamento à imprensa, quando interessa à defesa dos seus clientes constituídos, gravações constantes de processos que tramitam sob secreto de Justiça.

Sobre os constantes vazamentos de  “grampos” envolvendo o senador José Sarney e a sua família, o ministro Genro reafirmou não ser da responsabilidade da Polícia Federal. Mas não parou aí. Ou seja, ele generalizou e  jogou a responsabilidade por vazamentos aos advogados: “O advogado vai tomar informações no inquérito e, se ele achar bom para a defesa do seu cliente, vai divulgá-las amplamente - ou para desviar o foco ou para comprovar a sua inocência”.

Na seqüência, e sem lembrar de elementar lição de Direito de uma lei só ser revogada por outra, o ministro Genro disse que o secreto de Justiça “praticamente terminou no país. É uma instituição meramente formal, não vai funcionar mais”.

Convém lembrar, em termos de “besteirol”, que Genro  continua a afirmar que o assassino Cesare Battisti, definitivamente condenado em todas as três instâncias da Justiça italiana por quatro hediondos homicídios, não seria condenado, diante da prova dos processos, por nenhum juiz do mundo.

Indispensável recordar que até o Supremo Tribunal da Itália, lá chamado de Corte de Cassação, confirmou as quatro condenações por crimes hediondos. Mais ainda, a Corte de Direitos Humanos da União Europeia, sediada na francesa Estrasburgo, não acolheu o recurso de Battisti que alegava violação ao direito de defesa e lançamentos de decisões injustas.

Não bastasse, na França, em instâncias administrativas e judiciárias, determinou-se a extradição de Battisti. E a extradição não se verificou em razão da sua fuga para o Brasil.

Na entendimento de Genro, faltam de provas consistentes sobre a responsabilidade de Battisti. Como se nota, Genro pensa ser a Super Corte de Justiça, com competência para reavaliar decisões judiciais.

Com equívoco, ele fala ter sido fundamental na condenação de Battisti o relato de um colaborador de Justiça. Assim, revela não saber que, até no velho Código de Processo Penal brasileiro, de 1941, está escrito que a condenação decorre do princípio do livre convencimento motivado do juiz. Por outro lado, a exposição de motivos do velho código processual ensina que não mais vigora o “testis unus, testis nullus”, ou seja, absolver-se quando uma só testemunha acusa: nos delitos sexuais, perpetrados na clandestinidade, a palavra da vítima serve para condenar.

De se destacar que nos processos contra Battisti existem inúmeras provas e não só o relato de um colaborador de Justiça.

No particular, as declarações do mafioso Tommaso Buscetta, que se tornou colaborador da Justiça italiana, foram consideradas válidas e levaram à condenação, por associação mafiosa, de Giulio Andreotti, sete vezes primeiro-ministro. Para Genro, o relato de Buscetta nada valeria.

PANO RÁPIDO. O ministro Genro, quando fala sobre questões da sua Pasta, só produz tragédias.

Neste mês de julho, por ocasião do G8 na Itália, o presidente Lula conversou com Giorgio Napolitano, o respeitado presidente italiano. Napolitano é um admirador de Lula e a recíproca, verdadeira. Ambos conversaram sobre o caso Battisti, pelo que estou informado. Como não tenho certeza sobre o teor da conversa, prefiro não acreditar que Lula admitiu a “barbeiragem” do ministro Genro.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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28 de julho de 2009

Novo escândalo. Berlusconi queria bancada de prostitutas no Parlamento Europeu

vinheta do jornal La Repubblica

Vinheta do jornal La Repubblica

1. A semana começou mal para o premier Silvio Berlusconi, que até então se vangloriava da divulgação dos escândalos sexuais e das repercussões das bravatas e das “confissões” gravadas e colocadas à disposição, da polícia e da Justiça, pela escort girl Patrizia D’Addario, de 42 anos. Não sou santo, como sabem todos, disse com deboche o premier Berlusconi, no curso da última semana.

Só para recordar: numa das conversas na residência oficial (Palazzo Grazioli) e na cama onde havia dormido o então presidente russo Putin, quando esteve em visita à Itália, o premier Berlusconi gabou-se de não usar “camisinha” e ainda ensinou a escort a como treinar sozinha para atingir o orgasmo profundo.

A escort D’Addario, por sua vez, engordou o ego de Berlusconi ao segredar-lhe que nunca tinha experimentado tanto prazer, “embora no começo tivesse sentido dores na penetração” por ser Berlusconi “bem-dotado”.

Mas tudo o que agradava ao machista e cafajeste Berlusconi virou pesadelo, desde ontem, com a imprensa europeia a atacar o premier.

Em outras palavras, e como dizem os nossos jovens, “pintou um novo escândalo sexual na parada”.

Só que agora este último escândalo berlusconiano não se circunscreve às fronteiras da Itália e levou o jornal The Guardian, por exemplo, a questionar em manchete: “A União Europeia deve tolerar essa situação?”

A indignação europeia decorre de uma desconfiança, que apenas agora está confirmada. Era intenção de Berlusconi — como antes havia insinuado a sua esposa, Veronica Lario, e concluído o partido de oposição (Partido Democrático) — eleger para o Parlamento Europeu uma bancada de belas garotas de programa e de modelos atraentes.

Um passo atrás, para melhor compreensão.

Veronica Lario, no início deste ano, noticiou a propositura de uma ação litigiosa de divórcio por não mais suportar as aventuras e o desrespeito do marido, Silvio Berlusconi.

Ela não se referia apenas ao escândalo amoroso com Noemi Letizia e à presença do premier em Nápoles, sem agenda oficial, para a festa de 18 anos de idade da suposta namorada.

A recatada Veronica Lario também não se limitava a externar inconformismo com as festas e as orgias organizadas pelo marido, na casa de praia na Sardegna (Villa Certosa). Numa das festas, até o premier da República Tcheca foi fotografado pelado, ao lado de duas mulheres e com o pênis ereto.

A gota d’água para Veronica Lario deveu-se ao fato de o premier Berlusconi mandar arregimentar para concorrer às eleições, administrativas italianas e europeias, garotas de programa, modelos e showgirls. As selecionadas concorreriam pelo partido político liderado por Berlusconi, ou seja, o Popolo della Libertà (PDL).

Berlusconi negou tudo e classificou o informado pela imprensa italiana como “gossip” (fofoca) e injúrias. À semelhança do senador brasileiro José Sarney, o premier Berlusconi sustenta ser vítima da imprensa, em especial do grupo La Repubblica: jornal La Repubblica e revista semanal L’Espresso.

Mas, com a comprovação dos diversos escândalos sexuais, chegou a certeza. E até a escort Patrizia D’Addario concorreu à vereança em Bari: quando o premier afirmou que não a conhecia, a imprensa publicou as fotos dos dois, em campanha pela cidade de Bari.

Ao Journal du Dimanche, francês, com confirmações no Times na segunda-feira 27 de julho, a escort D’Addario destacou, em entrevista, que lhe foi pedido, para entrega a Berlusconi, um breve currículo, e isto a fim de ela integrar a lista de candidatos para o Parlamento Europeu.

A respeito, recordou o Daily Telegraph de ontem — e sempre com base na entrevista da escort D’Addario ao jornal dominical francês — que o premier Berlusconi se reuniu e discutiu com 20 beldades três  alternativas, ou melhor, ela poderiam (1) ingressar na política, (2) participar de programas televisivos ou (3) fazer parte do Grande Fratello (Big Brother, versão italiana), transmitido pelo Canal 5, da sua propriedade.

D’Addario acabou selecionada para a disputa municipal, como frisado acima. Para o Europarlamento, consoante o Times de ontem, restaram escolhidas pelo premier Angela Sozio, Camilla Ferranti, Eleonora Gaggioli e Barbara Matera. O estrilo de Veronica Lario e as acusações do Partido Democrático levaram o premier a recuar. E apenas Barbara Matera saiu candidata ao Parlamento Europeu.

O supracitado “currículo” foi pedido a D’Addario por Gianpaolo Tarantini, encarregado de selecionar as garotas de programa para os encontros e festas de Berlusconi.

Tarantini, empresário que vendia em licitações próteses cirúrgicas a hospitais públicos, era o gestor dos encontros e festas promovidos por Berlusconi: fornecia as passagens para as garotas, reservava os hotéis onde elas ficavam hospedadas no aguardo da convocação do premier, e pagava as despesas. Depois dos encontros, as garotas de programa recebiam um envelope de pagamento,  com 3 mil euros no seu interior.

Como se percebe, Berlusconi pretendia obter votos com as beldades, pois seu canal televisivo tenta promover uma mudança cultural, a valorizar as pessoas de sucesso, a qualquer preço.

2. No início da tumultuada semana, coube ao advogado do premier desmenti-lo. Um grande espanto para os eleitores de Berlusconi: os católicos já ameaçam debandar, a acompanhar as críticas de autoridades eclesiásticas.

Disse o causídico ter Berlusconi exagerado ao revelar à escort D’Addario, em gravação, a existência, na sua cinematográfica propriedade de Villa Certosa (Sardegna), de tumbas de fenícios, de grande valor arqueológico e histórico.

A lei italiana, e também as dos demais países europeus, obriga, sob pena de multa e processo criminal por apropriação indébita, a denúncia da existência de sítios arqueológicos e históricos. São bens do Estado e não podem ser objeto de apropriação por particular.

Para o advogado: “Nada de tumbas fenícias, mas, na Vila Certosa, pedras e ossadas não identificadas, talvez de animais, tudo sem nenhum valor arqueológico”.

O advogado é também deputado. Aliás, deputado eleito pelo partido do premier Berlusconi. Eleito na lista do PDL e lá colocado por indicação de Berlusconi.

3. PANO RÁPIDO. Pela visão canhestra de Berlusconi, o Parlamento Europeu não se distingue de um lupanário.

Assim, a indignação europeia guarda inteira procedência, embora existam medíocres a afirmar tratar-se de vida privada, sem atentar para o fato de Berlusconi ser um homem público, cuja vida deve ser pautada pelo decoro e pela ética.

Ao mundo, Berlusconi apresenta uma tragicomédia. Ele protagoniza o bufão.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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27 de julho de 2009

Guerra às Drogas no México: mais de 7.700 mortos em ano e meio

massacres em Juarez

Guerra às drogas: massacres em Juarez

O presidente do México, Felipe Calderón, declarou guerra às drogas no primeiro dia do seu mandato, ou seja, em 1 de dezembro de 2006.

Para promover a “War on Drugs” mexicana,  Calderón recebeu apoio e recursos financeiros do então presidente americano George W. Bush. O mexicano Plan Mérida, feito a quatro mãos e que consistiu numa adaptação do falido Plan Colombia, também fracassou.

O apoio da sociedade civil mexicana, a princípio favorável à iniciativa de Calderon, foi retirado.

Não demorou para os mexicanos perceberem que os cartéis ganhavam a guerra e desmoralizavam o Exército, empregado no combate. Pior: civis inocentes eram a maioria das vítimas.

Em 2008, Calderón colheu o balanço de 5.600 mortos e 70% das vítimas não tinham relação com o tráfico de drogas, e nem com os cartéis. Balas perdidas mataram muito mais do que os projéteis disparados contra os narcos.

Hoje, já são mais de 7.700 mortes.

Neste fim de semana ocorreram 20 mortes só em Ciudad Juárez, que faz fronteira com a cidade americana de El Paso, no Texas.

Em Juárez atua o segundo cartel mais potente e violento do México: o primeiro leva o nome da cidade de Tijuana, na fronteira com a americana San Diego.

Só no ano de 2008,  e em Juárez, foram trucidados, nos violentos conflitos entre forças de ordem e cartel, exatos 1.600 mexicanos.

Na cidade de Chihuahua e no domingo passado, três pessoas foram metralhadas e mortas quando circulavam nos seus automóveis. Uma menina de 7 anos, transportada num dos automóveis, saiu ferida.

Para combater o Cartel de Juárez, o presidente Calderón conta com 36 mil homens, entre soldados do Exército e policiais especialmente selecionados. Antes do início da “War on Drugs” em Juárez, o efetivo policial era de 8.500 agentes.

PANO RÁPIDO. O presidente Calderón envolveu o Exército, pois a polícia mexicana é uma das mais corruptas do planeta.

Em várias cidades, Calderón mandou retirar as armas dos policiais e os afastou das atividades de policiamento de rua.

Os militares demonstraram não saber combater em centros rurais densamente habitados e a população civil restou exposta e alvo da violência.

Fora isso, a corrupção também atingiu setores militares.

O general do Exército e czar mexicano antidrogas, Robledo Gutierrez, estava no bolso do Cartel de Tijuana. Quando descoberto, ele apresentou uma justificativa, ou seja, tinha muitas amantes e precisava de dinheiro para mantê-las com luxo. Aí, o Cartel de Tijuana aproveitou para corrompê-lo.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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26 de julho de 2009

Papa Bento XVI: gripe suína e suspensão das audiências com o pontífice

aula Nervi, no Vaticano

Aula Nervi, no Vaticano

A batata quente está nas mãos do sanitarista Giovanni Rocchi. Na condição de diretor sanitário do Vaticano, cabe a ele determinar a suspensão dos encontros e audiências do papa Ratzinger, em razão da gripe suína, ou melhor ,“influenza A/H1N1”. Alerta: e o papa obedece.

Do jeito que a epidemia avança para a pandemia, torna-se necessário proteger os fiéis, os de pouca fé e o papa, evitando-se aglomerações. Em especial, as que semanalmente ocorrem no grandioso auditório Nervi (aula Nervi), local mandado construir pelo então papa Wojtyla para receber e dar a bênção papal aos fiéis.

A notícia de estar sendo analisada a hipótese de suspensão das audiências com Ratzinger acaba de ser veiculada no L’Osservatore Romano, que é o diário oficial vaticano.

Na verdade, foi um balão de ensaio para não chocar os fiéis, explicam os vaticanistas, ou seja, os jornalistas especializados em cobrir as questões da Igreja, da Cúria e do Estado do Vaticano.

Sobre missas nas igrejas espalhadas pelo mundo, nenhuma palavra. Certamente, os vigários devem deliberar. Em outras palavras, decisão paroquial, afinal, não há risco para o distante pontífice. A respeito de outras religiões e seitas, não consegui informações.

A preocupação do diretor sanitário do Vaticano deve-se ao último boletim divulgado na Europa. O vírus A/H1N1 já circula em 163 países, dos 193 Estados-Membros da Organização Mundial da Saúde. Até sexta-feira, foram contabilizadas 943 mortes.

Segundo divulgado pelos jornais britânicos, a grande surpresa decorre de pessoas sadias estarem sendo alcançadas e “derrubadas” pelo vírus A/H1N1.

A preocupação maior está na difusão da epidemia nos países em desenvolvimento. Isto por causa da pobreza, da desnutrição e das precárias condições de higiene. No particular, convém recordar que a “gripe espanhola” atingiu as populações debilitadas pela Primeira Guerra Mundial.

O diretor sanitarista do Vaticano analisa, até, a suspensão da bênção papal aos fiéis que comparecem no domingo à Praça São Pedro. Do alto da janela do seu aposento, o papa Ratzinger não correria nenhum risco de contágio na recitação do Angelus e na bênção urbi et orbi.  Os fiéis provenientes de vários lugares do mundo, compactados na praça, correriam riscos, evidentemente.

Aula Nervi, visão externa

Aula Nervi, visão externa

PANO RÁPIDO. Como o autor deste blog não é da área sanitária, limita-se a se informar e a seguir as recomendações.

Já evito dar beijos nas faces e não abro exceção nem para mulher bonita. Também nada de aperto de mão.

Como sou hipocondríaco assumido, minha preocupação maior é com eventual mutações do vírus. Essas mutações, conforme acabo de ler no Times, podem aumentar o seu potencial letal.

No momento, pelo que estou a perceber, nem o diretor sanitário do Vaticano acredita em milagres do atual papa, a não deixar o A/H1N1 ingressar nos ambientes da Santa Sé.

Nem água benta parece afogar o vírus. Incenso: é capaz  de o A/H1N1 ficar ”muito louco”.

De se acrescentar que milagres dos papas só são divulgados após a sua morte, em processos voltados para a beatificação e a santificação. Como se nota, não é fácil alcançar a glória de um altar.

Termino por aqui. Preciso espirrar. Até segunda.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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25 de julho de 2009

Chefe dos chefes da Máfia rompe 13 anos de silêncio. Não foi a Máfia, mas os 007 italianos que mataram o juiz Borsellino

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Totó Riina, capo dei capi di Cosa Nostra

Totó Riina, capo dei capi di Cosa Nostra

Como informou na segunda-feira passada  este blog Sem Fronteiras de Terra Magazine, magistrados antimáfia deliberaram ouvir Salvatore Totò Riina, capo dei capi da Máfia.

O interrogatório de Riina ocorreu ontem, no cárcere Opera, em Milão, onde ele está custodiado.

Riina foi ouvido por três magistrados, entre eles Antonio Ingroia, que era o braço direito de Borsellino e, também, seu amigo fraterno e fiel.

Totò Riina, nascido na pequena cidade siciliana de Corleone,  está com 79 anos de idade.

Ele se encontra preso desde 15 de janeiro de 1993.

Durante 24 anos conseguiu driblar a polícia e a Justiça que não o encontravam para cumprir uma centena de ordens de prisão. Riina, enquanto foragido, não precisou tirar os pés da Sicília ou se afastar da gestão da Máfia: morava em condomínio de elegante bairro residencial de Palermo, quando preso.

Riina assumiu o comando do governo mafioso nos anos 80, pois o seu grupo venceu a sangrenta Segunda Guerra de Máfia (Cosa Nostra): os corleoneses, com Riina no comando,  venceram os palermitanos, que, até então, dirigiam a Máfia, sob ordens de Stefano Bontade.

Ao grupo de Bontade pertencia o boss Tommaso Buscetta, que fugiu para o Brasil e aqui casou com a carioca Maria Cristina Guimarães.

A propósito, Bontade permaneceu na Sicília e acabou metralhado e morto pelos corleoneses de Riina e de Bernardo Provenzano. Este era o lugar-tenente de Riina e virou chefe da Máfia com a prisão do capo, em 15 de janeiro de 1993. Provenzano permaneceu 42 anos foragido, também sem deixar a Sicília ou perder o comando da Máfia.

Riina, mafioso desde os 16 anos de idade, dirigiu a Máfia com mão de ferro  por quase 15 anos.

Em 1992, Riina decretou guerra ao Estado Italiano e dinamitou Roma, Florença e Milão. Também mandou dinamitar, em maio e julho de 1992, os juízes antimáfia Giovanni Falcone e Paolo Borsellino (fotos abaixo).

.Falcone e Borsellino

No seu curriculum vitae criminal, Riina, antes de eliminar Falcone e Borsellino,  já estava condenado definitivamente por ter sido o responsável pelos assassinatos de outros magistrados da linha de frente contra a Máfia: (1) o magistrado-chefe do Ministério Público de Palemo, Pietro Scaglione (1971), (2) os juízes antimáfia Cesare Terranova (1979) e Rocco Chinnici (1983).

Ao todo, Riina é responsável por 800 crimes de homicídio. Por isso, acabou apelidado de “La Belva”, ou seja, a besta-fera.

Muitos mistérios sobre o assassinato do juiz antimáfia Paolo Borsellino, em 19 de julho de 1992, continuam em aberto e os magistrados tentam decifrá-los.

Por exemplo: no dia que a Máfia mandou aos ares Borsellino, do interior do blindado veículo oficial que o servia foi subtraída a sua agenda de capa vermelha.

A “agenda rossa” estava no interior de uma pasta de couro, deixada no automóvel, no assoalho do banco traseiro. O zíper da pasta foi aberto e apenas a agenda restou retirada.

As correlações da Máfia com a política e políticos foram descobertas por Falcone e Borsellino e, seguramente, esta foi a causa dos assassinatos.

Há suspeita de a Máfia ter feito acordo com o Estado, depois da morte de Falcone (23/5/92), fato que teria sido descoberto por Borsellino e objeto de longo escrito na sua “agenda vermelha”.

A respeito do tal acordo, Borsellino teria marcado um encontro com o ministro do Interior (segurança pública), Nicola Mancino:era senador e um especialista em trocar de partidos.

Mancino, responsável pela segurança pública, nega ter ocorrido o encontro com Borsellino.

Só que muitas testemunhas viram e conversaram com Borsellino no Palazzo Viminale, sede do ministério do Interior. Hoje, o político Mancino é vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura italiana, órgão de controle institucional.

Mancino continua a negar o encontro.

Hoje, no entanto, já admite poder ter, naquele dia fatídico,  apertado a mão de Borsellino. Mas, como cumprimentava muitos, também não afirma o encontro dado como “casual”. Depois de comprovada a presença de Borsellino no prédio do ministério (Palazzo Viminale), Mancino produziu a versão do eventual “aperto de mão”.

No domingo passado, quando se recordava em toda a Itália  a morte de Borselino e em face dos relatos de Massimo Ciancimino (matéria deste blog Sem Froneiras publicada na segunda feira, 20 de julho), Riina mandou avisar: - “ Borsellino o mataram eles”.

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Borsellino, dinamitado na Via D´Amelio.

Borsellino, dinamitado na Via D´Amelio.

Eles, quem ? Pelo avisado por Riina, não fora a Máfia.

Por evidente, então Riina acusa os representantes do Estado-legal.

Ouvido ontem, Riina quebrou o silêncio (omertà) de 13 anos.

Borsellino foi morto, segundo presume Riina, pelos 007 dos serviços secretos italianos. Ou seja, nada de resposnabilidade da Máfia, mas dos 007 da inteligência italiana.

A propósito: Bruno Contrada, do serviço secreto italiano, encontra-se definitivamente condenado por ligações com a Máfia. A primeira acusação contra Contrada partiu de Tommaso Buscetta e acabou feita ao juiz Giovanni Falcone. Buscetta era colaborador de Justiça quando acusou Contrada (hoje fora do cárcere por grave problema de saúde).

Sobre correlações da Máfia com a política, Riina disse, ontem, nada saber. Até porque sempre negou ter qualquer relação com a Máfia, que, na sua opinião, nunca existiu.

PANO RÁPIDO: Mistérios ! ! !

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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24 de julho de 2009

Berlusconi dá lições de sexo e como atingir o orgasmo profundo

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a garota de programa que virou, na cama, aluna de Berlusconi

Patrizia D'Addario: a garota de programa que virou, na cama, aluna de Berlusconi

A revista italiana L’Espresso, do grupo La Repubblica, acaba de chegar às bancas italianas.

Como novidade da semana — tão aguardada pelos italianos —, a revista apresenta  a transcrição da terceira gravação da noite de amor, a pagamento e no Palazzo Grazioli (residência oficial do primeiro-ministro), entre Silvio Berlusconi e a escort (garota de programa) Patrizia D’Addario, de 42 anos.

O “papi” — apelido dado por uma brasileira a Berlusconi e incorporado por Noemi Letizia, apontada como a sua namorada “ragazzina” de 18 anos — já havia avisado que não era “santo”: “Todos perceberam que não sou um homem santo”, afirmou em entrevista coletiva concedida ontem, no norte da Itália, numa inauguração de canteiro de obras.

Apesar de não ser santo, Berlusconi demonstrou  conhecimento de um certo personagem bíblico: Onan, o masturbador.

Na cama-tenda onde dormiu o então presidente russo Putin (“Que beleza, cheia de cortinas”, disse Patrizia D’Addario numa das fitas), Berlusconi ensinou a escort a como atingir o orgasmo intensamente.

Segundo a gravação extraída do celular da escort, Berlusconi ouviu Patrizia dizer que “nunca havia sentido tanto prazer”. Tinha feito sexo com jovens e nunca conseguira chegar ao orgasmo sentido na noite passada com Berlusconi.

Certamente cheio de si, o premier Berlusconi resolveu segredar-lhe algumas lições, ou seja, como ela deveria treinar, antes de uma relação sexual com um parceiro.

Para Berlusconi, é fundamental um treinamento solitário. Sozinha, no quarto. E a tocar o corpo e sentir cada contato da mão. Mais ainda: deveria fazer isso com muita freqüência.

Para o “professor Berlusconi” — com lições não contidas no Kama Sutra —, práticas solitárias representam a chave para um bom desempenho sexual, a dois. Sem treino, sempre consoante o sapiente Berlusconi, não se chega ao orgasmo. E como tocar o corpo, foi a lição berlusconiana.

Onan, o personagem bíblico da masturbação, deve ter aplaudido o premier. Talvez, pendurado numa das cortinas da cama de Putin.

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PANO RÁPIDO. Vamos esperar a reação dos machistas italianos. Eles gostam de  cafajestadas, embora finjam não saber  que toda escort esperta elogia, para voltar a ser requisitada.

Não haverá surpresa se Berlusconi vier a se recuperar nas pesquisas: com os revelados escândalos amorosos , ele caiu 5 pontos.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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23 de julho de 2009

Grupo de Dantas quer levantar o sequestro de fazendas e gado. A máfia apoia

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Daniel Dantas, menos tranquilo do habitual.

Daniel Dantas, menos tranquilo do que o habitual

Quando os Estados-Membros das Nações Unidas se deram conta do assustador crescimento dos lucros das “internacionais criminosas”, e acionaram o sinal verde para a elaboração de uma convenção.

A convenção restou aprovada no ano 2000 e leva o nome da cidade, Palermo, onde foi anunciada: Convenção de Palermo.

Na cerimônia voltada para dar publicidade e colher adesões à Convenção, o então secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, informou que o “lucro da criminalidade transnacional, sem fronteiras, crescia de 40% a 50% ao ano”.

O texto dessa supracitada Convenção — que o Brasil subscreveu e o nosso Congresso tardou em homologar — está centrado no ataque à economia movimentada pela criminalidade organizada. E na definição de crime organizado, dada na Convenção de Palermo, enquadra-se a organização criminosa comandada pelo banqueiro Daniel Dantas, à luz da denúncia recém apresentada e recebida pelo juiz Fausto De Sanctis.

A Convenção de Palermo adotou uma definição minimalista, ao definir uma organização criminosa: “Grupo estruturado composto de três ou mais indivíduos, associados por um determinado período de tempo, a atuar no cometimento de crimes graves e a fim de obter, direta ou indiretamente, um benefício financeiro ou de tipo material”.

Por sete consistentes indícios de lavagem de dinheiro e reciclagem de capitais em atividades formalmente lícitas, o juiz Fausto de Sanctis determinou os sequestros de 27 fazendas e 453 mil cabeças de gado de uma organização, dada como criminosa, comandada de fato pelo banqueiro Daniel Dantas.

Sob o prisma legal, a decisão do juiz Fausto De Sanctis encontra apoio na Convenção de Palermo e no nosso Código de Processo Penal, que, desde 1941, prevê o sequestro de bens como medida acautelatória, voltada para a reparação do dano decorrente do crime. E até os chifres dos bois das fazendas administradas pela Agropecuária Santa Bárbara Xinguara sabem que a medida de sequestro era necessária: o capo oculto já está condenado por corrupção a policiais.

Não se trata de antecipação do julgamento da responsabilidade criminal de Dantas. Apenas, de uma medida em favor da sociedade, para evitar que o patrimônio em questão vire pó, para usar expressão consagrada pela sabedoria popular.

Medida igual, relativa ao bloqueio de um dos fundos de Dantas, já foi tomada, tempos atrás. E liminar recente, bem fundamentada, a manteve. Impediu, apenas e corretamente, uma liquidação que poderia ser precipitada e danosa ao interesse social.

PANO RÁPIDO. Na véspera da summit relativa à Convenção de Palermo — em que tive a honra de participar e colaborar como especialista convidado pelas Nações Unidas —, jantei com o então procurador antimáfia Giancarlo Caselli, velho amigo.

Caselli frisou que o golpe que a Máfia ( e o crime organizado) mais sente “é aquele que atinge o seu bolso”.

Perguntei-lhe: é essa uma das razões da máximas mafiosas “ Chi ha soldi e amicizia và in culo alla giustizia” (Quem tem dinheiro e amizade manda tomar no … a Justiça”.

Sua resposta: “Sicuro”.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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21 de julho de 2009

Fantasia sexual de Berlusconi e a cama de Putin. Novo escândalo à italiana

a escort Patrizia D´Addario

A escort Patrizia D'Addario

1. Na antevéspera do início do G8 de L’Aquila (Itália), o respeitado presidente italiano Giorgio Napolitano pediu uma trégua à imprensa e aos parlamentares de oposição.

O referido presidente Napolitano estava preocupado com a imagem do seu país, hóspede do G8. Isso  em face das notícias diárias sobre escândalos amorosos protagonizados pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

A trégua proposta por Napolitano duraria até o final da summit de L’Aquila.

A trégua acabou aceita, exceção feita ao parlamentar e líder do partido político denominado Itália dos Valores, Antonio Di Pietro.

Antigo membro da magistratura do Ministério Público, coube a Di Pietro deflagrar a internacionalmente  famosa Operação Mãos Limpas.

Hoje, ele é o principal opositor a Berlusconi.

2. Terminada a trégua, voltou à cena o “Caso Patrizia D’Addario”, com novas revelações.

D’Addario era a garota de programa que, no dia da eleição de Barack Obama, passou a noite com Berlusconi, no Palazzo Grazioli: residência oficial  transformada em local de festas e bacanais pelo premier.

Só para recordar.

Quando estourou o escândalo das garotas de programa levadas ao Palazzo Grazioli e à cinematográfica Villa Certosa (Sardegna), Berlusconi afirmou não lembrar de Patrizia D’Addario.

Além das fotos e relatos que o desmentiram, Patrizia D’Addario fora, anteriormente ao escândalo, lançada candidata a vereadora em Bari, com apoio de Berlusconi.

Fora o dinheiro pelos serviços sexuais, D’Addario tinha em mente obter auxílio financeiro e político de Berlusconi. A sua meta era dar prosseguimento a um investimento imobiliário iniciado pelo falecido genitor. Investimento em parte embargado e  com construção parada por falta de capital.

Assim, D’Addario fotografou os dois encontros no Palazzo Grazioli, o mesmo acontecendo com outras garotas de programa: confira posts e fotos publicados neste blog Sem Fronteiras.

No primeiro encontro no Palazzo Grazioli, e sob a alegação de não gostar de “bacanais”, D’Addario foi embora no fim da partida preliminar e antes do início do jogo principal.

Como lembrança do premier, com o qual jantou no Palazzo Grazioli, guardou cenas de algumas passadas de mão nas suas pernas, por debaixo da mesa, e cantadas na presença dos “armários” que cuidam da segurança: todos mudos, surdos e cegos.

Resumo desta primeira parte da ópera macarrônica: D’Addario não se surpreendeu com a “mão-boba”. Afinal, era tudo o que uma garota de programa, quarentona e experiente “nel mistero”,  poderia esperar do cardápio de jantar de um cafajeste, onde viraria sobremesa.

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Berlusconi, o conquistador

Berlusconi, o conquistador

3. A novidade do “Caso D’Addario” decorre da transcrição, pela revista italiana L’Espresso, de gravação de diálogos, na cama, entre a contratada e o premier.

Atenção: não se trata de transcrição sem áudio. Como ocorreu no caso do ministro Gilmar Mendes. A revista Veja publicou a transcrição de uma conversa telefônica entre o ministro Mendes e o senador Demóstenes (DEM). Mendes “chamou Lula às falas” e exigiu a demissão de Paulo Lacerda — diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) —, e o afastamento do delegado Protógenes, da Operação Satiagraha.

O áudio da conversa de Mendes nunca apareceu. E o inquérito policial acabou arquivado por falta de prova da materialidade delitiva, ou seja, da existência do áudio. Mendes não se desculpou com Lula.

Voltando ao “Caso D’Addario”.

A gravação está  na posse da revista L’Espresso para conferência. Sobre os diálogos, D’Addario confirma a autenticidade e avisa que os gravou com o celular.

O ponto alto, ou macarrônico, da gravação foi o seguinte:

Berlusconi: Vou tomar um banho também. Se você terminar primeiro, me aguarde na cama grande.

D’Addario: A qual cama grande você se refere. É aquela do Putin?

Berlusconi: - É, a que serviu ao Putin (Nota do Blog: referência à cama onde Putin dormira, em visita oficial à Itália, quando presidente da Rússia).

D’Addario: Que graciosa. Com as cortinas.

4. Ghedini, advogado de Berlusconi e eleito por ele deputado, nega o diálogo. Uma invenção, como a parodiar a tese do advogado de Daniel Dantas, depois do recebimento da denúncia pelo juiz Fausto de Sanctis, ocorrida ontem.

Garotas de Programa no palazzo Grazioli, residência oficial usada para michês.

Garotas de programa no Palazzo Grazioli, residência oficial usada para michês

5. Para complicar, já que a trégua acabou.

Os jornais italianos noticiaram, hoje, que Noemi Letizia (a napolitana apontada como namorada de Berlusconi desde a menoridade) participaria do “reality” L’Isola dei Famosi” (Ilha dos Famosos), da Radio e Televisão Italiana (RAI).

Noemi, que chama Berlusconi de “papi” e já esteve a desfrutar da casa de veraneio na Sardenha (Villa Certosa), participaria da Ilha dos Famosos junto com o pai, Elio Letizia.

Quando do “escândalo Noemi”, Berlusconi disse que Elio era um velho amigo e representante do seu partido em Nápoles. Apurou-se, depois, que ninguém conhecia Elio no partido de Berlusconi.

— “Seria uma experiência maravilhosa”, disse Elio, sobre a participação na Ilha dos Famosos da RAI.

A RAI, emissora oficial e que concorre com as redes televisivas de Berlusconi, já emitiu nota e informa não ter convidado Noemi nem o seu genitor.

6. Para breve, novos capítulos sobre Berlusconi serão apresentados.

Berlusconi insiste em dizer que nunca pagou mulheres, pois tem atração pelas conquistas amorosas.

Sobre conquistas amorosas, os políticos, no mundo inteiro, costumam não se dar bem.  O senador Renan Calheiros serve como exemplo.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

Em tempo: Noemi, na intimidade do seu quarto de dormir.

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Noemi, tem foto do "papi Berlusca" no quarto

Noemi, tem foto do "papi Berlusca" no quarto

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