Vôo da Morte. Do juiz argentino Torres ao futuro ministro Toffoli
Atenção leitor. Caso tenha se utilizado da ponte-aérea Amsterdã-Valência, operada pelo consórcio KLM-Air France-Transavia, o piloto pode ter sido o argentino Julio Alberto Poch, aquele dos vôos assassinos.
Poch era o piloto dos vôos destinados a jogar no oceano Atlântico ou no rio da Prata, sem pára-quedas, presos políticos da ditadura argentina (1976 a 1983).
Pelos cálculos do juiz argentino Sergio Torres foram mais de mil presos políticos atirados de aviões pilotados por Poch.
Segundo dizia Poch, com a insensibilidade moral de um psicopata, todos esses “terroristas de esquerda” tinham sido dopados antes de ingressarem no avião e, assim, “não sentiam nada”.
Poch deixou a marinha da Argentina em 1981. Com o título de capitão de fragata, fixou residência na Holanda e passou a trabalhar como piloto de aviões. Imaginava, pelo decurso do tempo, que tinham esquecido dele e o som das “madres de Plaza de Mayo” não ecoavam em Amsterdã.
Num trabalho do juiz federal argentino Sergio Torres, encarregado dos processos sobre pessoas desaparecidas durante a ditadura militar, muitas testemunhas contaram sobre os chamados “vôos da morte”, em aviões pilotados por Julio Alberto Poch.
No curso dos processos, o juiz Sergio Torres descobriu que Poch, hoje com 57 anos, vivia em Amsterdã e trabalhava como piloto de aviões.
Na terça feira passada, em cumprimento a mandado internacional de prisão expedido pela Justiça argentina, Poch foi preso a bordo de um “low-cost”, no aeroporto de Valência (Espanha). O vôo atrasou cerca de duas horas para decolar, tempo levado para a substituição de Poch por outro piloto.
Hoje, chegou ao cárcere de Picassent, em Valência, onde está encarcerado Poch, a nota da expedição de pedido de extradição pela Argentina.
PANO RÁPIDO. Na Argentina, foram declaradas inconstitucionais as leis de anistia, Ponto Final e Obediência Devida, que conferiram impunidade a cerca de 1.800 militares envolvidos com torturas e assassinatos, durante a ditadura.
Enquanto o juiz argentino Sergio Torres processa assassinos da ditadura militar argentina, no Brasil, aguarda-se a chegada de José António Toffoli para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.
Toffoli, como Advogado Geral da União, sustentou tese que beneficiou o coronel Brilhante Ustra. O referido coronel Ustra comandou o DOI-CODI, onde eram torturados e desapareciam presos políticos.
No Brasil, a lei de anistia foi feita pelo regime militar. Ela, ao contrário do entendimento de Toffoli, não se aplica aos casos de terrorismo de Estado, que foi o que tivemos no Brasil, durante a ditadura.
–Wálter Fanganiello Maierovitch–

Pois é, caro Wálter, dentro em breve seremos um condomínio de luxo para terroristas e quejandos da nossa aldeia global, o planeta Terra: não puniremos os terroristas daqui e daremos asilo aos terroristas de fora (Battisti).
Sejam bem-vindos, Battistis, Pochs e Ustras do mundo todo ao Condomínio de Luxo Alphavile Brasil; nele, teremos a dupla T&T, como síndico e sub-síndico: o Ministro Tarso e o futuro Ministro Tofolli.
Diria Júlio César, Alia jacta est…
Com a mesma estima de sempre,
Jeová Barros de A. Júnior
Comentário por Jeová Barros de Almeida Júnior — 24 de setembro de 2009 @ 14:30
Dr. Walter, e como enfrentar o paradoxo de, num Estado Democrático de Direito, afastar os principios penais básicos para punir aqueles que também atropelaram a Lei. E se a Lei de Anistia não se aplica aos odiosos “terroristas de estado”, a quem se aplicará?
Aos crimes comuns?
Acho lamentável a não punibilidade dos “terroristas de Estado”. Mas entendo que não há como puní-los sem atropelar a Democracia e o Direito. Infelizmente, o que está feito, está feito.
Comentário por Rafael — 24 de setembro de 2009 @ 15:21
Dr. Wálter,
Parabéns pelas avaliações sempre precisas.
Gostaria que o senhor discorresse sobre a sua sugestão para a forma de ingresso no Supremo Tribunal Federal. O senhor é favorável ao mandato para o Ministro do Supremo? Como podemos estabelecer um controle mínimo para a escolha do Presidente da República (já que a sabatina no Senado é uma medida meramente formal)? Como o senhor avalia a atual composição do Supremo Tribunal Federal, depois de muitas indicações efetuadas pelo atual Presidente da República?
Obrigado.
André Guerato
Comentário por andré guerato — 24 de setembro de 2009 @ 16:17
Se tivermos que cancelar a anistia e julgarmos todos os envolvidos teremos que criar uma nova constituição e novas leis. Todos os crimes cometidos pela direita e pela esquerda já prescreveram. Reabrir somente os processos dos torturadores seria um absurdo factual.
Se tivermos que voltar no passado certamente muitos daqueles que hoje governam deveriam voltar aos bancos de reus, tais como Dilma, José Dirceu, tec.
O que passou, está passado.
Juridicamente tudo encerrou.
Comentário por Eduardo Siqueira — 24 de setembro de 2009 @ 16:20
Mais uma brilhante atuação do governo Lula, a indicação do Sr. Toffoli… A meu ver, um capacho dos interesses deste mesmo governo. Basta ver a absurda demarcação da reserva Raposa-do-Sol, em região de divisa, portanto oferecendo risco à soberania nacional, como se os índios que lá habitam ainda estivessem no Neolítico…
Similar atitude paleolítica nos meteu nos imbróglios Zelaya e Batisti, e na malfadada compra dos caças (em tempo, hoje cairam 2 Rafale franceses - mas, segundo Lula, estes é que são “bãos”).
A esperança é que, como os dinossauros, também essa corja um dia será extinta politicamente… Fé e esperança, sempre.
Comentário por oswaldo — 24 de setembro de 2009 @ 16:30
Quando é que vamos começar a falar em julgar os esquerdistas que saquearam, mataram, sequestraram, torturaram pessoas que nada tinham a ver com os militares e que pacificamente levavam suas vidas??
Por que ninguém fala disso?
Comentário por lucas — 24 de setembro de 2009 @ 16:34
Esse advogado não merece ser ministro, desde o principio aparece com muitas complicações na carreira. Sua trajetória política se sobressai sobre seu saber jurídico, além disso é cheio de bronca.
Como quer julgar os outros? vai ver tem até o nome sujo no DPC.
Comentário por Raimundo Magno — 24 de setembro de 2009 @ 16:38
Na Argentina foram declaradas inconstitucionais as leis de anistia. No Brasil não. Portanto, se queremos um estado de direito devemos respeitar as leis.
Não é somente o Dr. Toffoli que diverge do articulista, muitos outros juristas de notório saber têm a mesma opinião. Se assim não fosse, a lei já teria sido alterada, pois não vivemos mais em uma ditadura.
Se não aceitarmos o fato de que os excessos ocorreram em todos os lados, durante os anos do regime militar, vamos passar os próximos anos reavivando feridas que precisam ser definitivamente cicatrizadas.
Barbaridades aconteceram de ambos os lados por isso a anistia deve ser para todos: para os que mataram em nome de uma ditadura de esquerda e para os que mataram em nome de uma ditadura de direita.
Comentário por Newton — 24 de setembro de 2009 @ 16:41
tive parentes presos, torutrados e exilados pelo regime militar. A impunidade doi…mas acho que temos que andar para a frente. Tem muito mais crime contra os direitos humanos no Brasil de hoje do que houve no passado -e, pelo menos em boa parte dos casos, a responsabilidade e do Estado, pela mao das policias militar e civil.
Se for para fazer alguma coisa, que se faca com o que acontece agora. Ja viramos a pagina da ditadura e tentar desvira-la so serve aos velhinhos radicais dos dois lados (comunistas e facistas).
Comentário por Sergio — 24 de setembro de 2009 @ 16:55
Caso a Lei de Anistia seja declarada também inconstitucional, deveremos então prender a Dona Dilma, Zé Dirceu, Gabeira, Franklin Martins e outros terroristas da mesma época.
Comentário por Silvio Castilho — 24 de setembro de 2009 @ 17:00
o “regime de exceção” sempre reaparece de forma escusa , nas sombras dos becos aonde os q foram poder e os q são poder se encontRAM p/ alinhavar acordos …..
vivemos uma “democracia parcial ” , permeada por “ditadura dos poderes economico , politico e da midia de massa ” ….
só uma nova revolução , desta vez nas bases .. EDUCANDO E INFORMANDO p/ FORMAR um Povo q tenha condições de discernir a partir de fatos p/ escolher de acordo c/ os interesses do coletico
diriam os politicos e seus parceiros : ABENÇOADA IGNORANCIA
Comentário por DOC — 24 de setembro de 2009 @ 17:02
ASSASSINO É ASSASSINO EM QUALQUER SITUAÇÃO.
TANTO DE DIREITA , ESQUERDA , EM CIMA DO MURO….TEM QUE SER JULGADO,PELOS EXCESSOS. QUEM SE PREVALECE DE UMA SITUAÇÃO , NOS BONS MOMENTOS , DEVE PAGAR PELOS ATOS COMETIDOS .QUE SE ABRAM OS ARQUIVOS E SEJAM JULGADOS OS TRANSGRESSORES .TANTO DE UM LADO COMO O DO OUTRO. OS “SALVADORES “QUE SEM PIEDADE EXECUTAM UM CIDADÃO QUE TINHA POR OBRIGAÇÃO DEFENDER UM DESTACAMENTO , UM BANCO, UMA INDÚSTRIA …..EM PROL DE UMA CAUSA,NÃO DEIXA DE SER ASSASSINO , ASSIM COMO UMA AUTORIDADE QUE APÓS TER PRESO UM OPONENTE,COVARDEMENTE O EXECUTA.
POBRE HUMANIDADE,QUE ESTÁ LONGE DA PERFEIÇÃO!
Comentário por ROMEO — 24 de setembro de 2009 @ 17:32
Caro Prof Maierovitch,
Já lhe entrevistei uma vez, quando eu trabalhava na revista Superinteressante e escrevi um livro sobre maconha. Gostaria de conversar com você por email ou telefone, para uma matéria (meu interesse vem de seu post de ontem). Você poderia me mandar seus contatos? O endereço é burgierman arroba gmail ponto com.
abs
Comentário por Denis — 24 de setembro de 2009 @ 20:51
Há de se considerar dois pontos básicos, primeiramente tivemos no Brasil a anistia ampla e irrestrita, bem distinta da pseudo anistia aplicada na Argentina. Ainda assim é questionável a punição a militares cumprindo ordens superiores, prendem e condenam a ponta da faca mas não quem a empurra. Queriam que o piloto negasse a cumprir ordens? Estaria apenas uma mãe a mais chorando.
Já um “militante”, que pratica um ato terrorista deliberadamente, é a ponta e a mão que empurra, senhor de seus atos e deveria reponder pelos crimes, os comuns permanecendo e apenas os crimes políticos anistiados, roubar um banco não pode ser considerado um crime politico.
Comentário por Luiz Antonio — 25 de setembro de 2009 @ 0:30
” Se tivermos que cancelar a anistia e julgarmos todos os envolvidos teremos que criar uma nova constituição e novas leis. Todos os crimes cometidos pela direita e pela esquerda já prescreveram. Reabrir somente os processos dos torturadores seria um absurdo factual.
Se tivermos que voltar no passado certamente muitos daqueles que hoje governam deveriam voltar aos bancos de reus, tais como Dilma, José Dirceu, tec.
O que passou, está passado.
Juridicamente tudo encerrou.”
Não, amiguinho, nem tudo encerrou (ou ao menos não precisava ser assim). É bastante cômodo esse discurso do “o que passou passou” quando o torturado e morto (pela esquerda e pela direita) não foi um ente seu (ou quando talvez o senhor mesmo possa estar envolvido nesses atos de barbárie). Talvez o senhor não conheça nossa constituição suficientemente bem, mas conta:
“Racismo (art. 5, inciso XLII) e a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado de Direito (art. 5, inciso XLIV).”
Por favor, não nos venha com esse embuste de dizer que “o que passou passou”. Vê-se que a turma da impunidade não dá o braço a torcer mesmo.
Comentário por Eduardo Rodrigues — 26 de setembro de 2009 @ 10:19
” Há de se considerar dois pontos básicos, primeiramente tivemos no Brasil a anistia ampla e irrestrita, bem distinta da pseudo anistia aplicada na Argentina. Ainda assim é questionável a punição a militares cumprindo ordens superiores, prendem e condenam a ponta da faca mas não quem a empurra. Queriam que o piloto negasse a cumprir ordens? Estaria apenas uma mãe a mais chorando.
Já um “militante”, que pratica um ato terrorista deliberadamente, é a ponta e a mão que empurra, senhor de seus atos e deveria reponder pelos crimes, os comuns permanecendo e apenas os crimes políticos anistiados, roubar um banco não pode ser considerado um crime politico.”
A velha tática usada pelos nazistas de “diluir a responsabilidade”, ou seja, como cada um “faz apenas sua obrigação” e ninguém é mais culpado de nada. Um diz que “apenas cumpriu ordens”, outro diz que “era seu dever de agente do Estado”, outro diz que “não sabia de nada” e por aí vai. Quem quer que faça uma ação, por menos que seja (como apertar um botão por exemplo) sabendo que isso é parte de um dispositivo no qual cada um executa sua função que é destinada a promover a morte e o sofrimento é tão responsável quanto quem quer que seja; e de nada adianta apelas para argumentos legais quando o comportamento ético do indivíduo antecede qualquer regimento legal.
Comentário por Eduardo Rodrigues — 26 de setembro de 2009 @ 10:28
Boa noite.
Tá cheio de vovô com a alma vendida ao Diabo!!!!
Comentário por Paulo Cavalho — 27 de setembro de 2009 @ 19:08
TIVEMOS REGIME MILITAR, NÃO DITADURA!
ONDE A ESQUERDA “GANHOU”, COMO CUBA, JÁ MORRERAM MAIS DE 50.000 HABITANTES QUE NÃO CONCORDAM COM O REGIME!
REFLITAM!
Comentário por Petra — 21 de outubro de 2009 @ 0:06