Terra Magazine

24 de novembro de 2009

Governador deu 30 mil euros para Brenda, conta a também travesti, “China”

China, a trans-brasileira é nova personagem do gossip italiano

China, a trans-brasileira é a nova personagem do gossip italiano

De ROMA, para TERRA MAGAZINE.

Ontem, a RAI-televisão italiana (TG3) conseguiu bater recorde de audiência com o programa Porta a Porta, conduzido pelo polêmico jornalista Bruno Vespa.

Para discutir o escândalo decorrente do trans-affair do então governador Piero Marrazzo e de duas mortes misteriosas, a produção do programa Porta a Porta convidou a travesti brasileira apelidada de China.

Essa travesti, China,  era amiga íntima de Brenda, a paraense que morreu asfixiada na semana passada: confira neste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine os posts abaixo.

China, que não tem permissão para residir na Itália e se prostitui nas vias Due Ponti e Acqua Certosa, — como fazia Brenda–, “detonou” a travesti carioca Natalie e o governador Marrazzo, confesso frequentador de travestis e usuário de cocaína durante os encontros sexuais.

Segundo China, Marrazzo, certa vez, deu um presentão para Brenda, ou seja, 30 mil euros em papel moeda.

Marrazzo, –que tem por evidente liberdade de escolha–,  não nega tenha feito “programas sexuais” com a falecida Brenda.

Os advogados de Marazzo contestam valores. E frisam que ele só pagava mil euros (R$3.000,00) por encontro.

Marrazzo, que teria emitido cheques altos aos policiais chantageadores, está tendo de comprovar a procedência do dinheiro gasto: a travesti Natalie, para a polícia e o Ministério Público, contou que Marrazzo pagava de 3 a 5 mil euros por serviço sexual contratado. Pelo divulgado, Marrazzo, jornalista de profissão, ganhava 10 mil euros mensais, como governador.

Tal afirmação dos advogados de Marrazzo contrariam o afirmado por todos os travestis da zona Due Ponti-Acqua Certosa ouvidos pela polícia. Ele pagava muito bem, testemunharam: “quando passava, todos tentavam conquistá-lo e para isso mostravam-lhe os seios, as pernas, etc”.

No momento, a polícia tenta recuperar um segundo vídeo. Vídeo a mostrar, numa banheira, Marrazzo com as travestis Brenda e Michelle, uma dupla verde-ouro. Antes de falecer, Brenda relatou à polícia ter Marrazzo anuído com a filmagem, feita na banheira.

Não faltou no programa televivo Porta a Porta, apresentado ontem,  um bate-boca entre as nossas conacionais China e Natalie. Esta última não estava no estúdio, mas participava por meio de um link.

China, no ar (in diretta), acusou Natalie de ter preparado a armadilha da filmagem, para Marrazzo cair e ser extorquido.

No particular, a polícia suspeita de Brenda e do cafetão de travestis Rino (Guarino) Cafasso, ambos mortos e misteriosamente. Ontem, determinou-se a exumação do corpo de Rino, pois há suspeita de terem-lhe oferecido cocaína pura. Para matá-lo, evidentemente. Ele teria aspirado a dose que estava acostumado e, dada a pureza da droga, faleceu de overdose: era diabético e cardíaco.

Natalie reagiu às acusações de China, em bom italiano e não em português. Natalie posicionou-se como vítima de uma armação feita no seu apartamento, sem que soubesse. Ou seja, sustentou  não saber que estava sendo filmada enquanto se relacionava sexualmente com Marrazzo.

PANO RÁPIDO. Os jornais italianos de hoje destacam o episódio, com um novo personagem em destaque, ou seja, a brasileira China.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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23 de novembro de 2009

Brenda pode ter integrado rede de extorsão. Seu fantasma apavora políticos e celebridades italianas

Brenda.

Brenda

 

 

 

De Roma, para TERRA MAGAZINE

Em primeira página, os jornais italianos continuam a noticiar a misteriosa morte da travesti brasileira Brenda, registrada no Pará como Wendell Mendes Paes: ela morreu, aos 32 anos de idade,  asfixiada pela fumaça de um incêndio em seu apartamento e teve carbonizado metade do seu corpo .

No momento, o ROS - que é um grupo especial de repressão ao crime organizado mafioso e ao terrorismo - realiza o levantamento do tráfego telefônico nos três números dos celulares utilizados pela falecida Brenda.

Enquanto isso, a associação italiana de transsexuais e a organização não governamental Libélula pediram, hoje na parte da manhã e ao chefe da Esquadra Móvel de Roma, proteção policial para os seus membros.

A Libélula é presidida pelo brasileiro conhecido por Leila Daianis, residente há trinta anos na Itália.

No sábado e organizado pela Libélula,  houve passeata. Na faixa principal portada pelos participantes - fundo branco e escrita em tinta vermelha - vinha grafado “Brenda: omicidio. Basta vittime”.    

Brenda, segundo investigação em curso,  pode ter integrado um grupo de extorsionistas ligados a Gianguarino Cafasso. Este era um cafetão de travestis, que morreu de overdose de cocaína. Hoje, à mídia italiana, Pasquale Cafasso, pai do gigolô Gianguarino, afirmou que o filho foi assassinado.

Revelou Paquale ter o filho avisado-lhe que, em face do caso Piero Marrazzo (o governador filmado quando mantinha relacionamento com a travesti brasileira Matalia), estava sendo ameaçado de morte. Assim, o conhecido Rino (Gianguarino)  pode ter sido drogado e, como era diabético, obeso e tinha insuficiência cardíaca, assassinado. 

ex-governador Marrazzo

O ex-governador Marrazzo

 

Rino, além de intermediar “programas com travestis”, descontava, abatida comissões, os cheques recebidos pelos travestis estrangeiros. Como todos os travestis estrangeiros estão ilegalmente na Itália, não podem abrir contas em banco. Ele manobrava, também, o chamado “mercato nero” de locações de mini-apartamentos para travestis, nas vias de Due Ponti e Acqua Certosa: o aluguel mensal variava de 500 a 600 euros mensais, sem risco de batida policial e prisão para os não portadores de autorização para permanência no país. 

Brenda era uma das travestis desfrutadas por Rino, que fez proposta de venda do vídeo do “affair” do governador Marrazzo com a trans-brasileira Natalia ao cotidiano Libero e para uma agência de publicidade, onde o ROS realizou a apreensão, antes da difusão.

Com efeito. O ROS trabalha com a hipótese de Rino e Brenda terem se associado para filmar Marrazzo. E outros políticos e celebridades - daí a importância do levantamento do tráfego telefônico para conhecimento das relações profissionais e sociais de Brenda - podem ter sido alvos de chantagens financeiras.

A polícia trabalha com a hipótese de vários vídeos e, no mundo “gossip”, fala-se da “lista dos doze”, nome associado aos apóstolos dos travestis. Especula-se a respeito de nomes de dois políticos, um ministro e um jornalista famoso. 

Brenda, no primeiro depoimento ao ROS, contou que não conhecia Marrazzzo e “nunca tivera nada com ele”.

Depois de desmentida por outras transsexuais, admitiu, no início deste mês de novembro, encontros com o governador Marrazzo.

No segundo depoimento, colhido na presença do procurador Giancarlo Cataldo, Brenda falou de um segundo vídeo, que ela mesmo produziu. Ou seja, dela e da trans Michelly com o governador Marrazzo, numa banheira. Sobre esse vídeo, Brenda disse haver sido feito com a anuência de Marrazzo e que, depois do escândalo com Natalia, ela o apagou do computador, onde gravara.

Nesse segundo relato, surge menção ao computador, cuja existência, no primeiro depoimento, foi negado por Brenda: “Não tenho computador porque não sei mexer neles”. Um computador, debaixo d´água, restou apreendido no apartamento de Brenda, no dia do incêndio e da sua morte: o disco de memória foi recuperado pela perícia.

Enquanto o ROS cuida das investigações sobre extorsão, a Esquadra Móvel de Palermo apura a morte de Brenda.

Natalia, no v�deo com Marrazzo.

Natalia, no vídeo com Marrazzo.

O procurador Giancarlo Cataldo continua a insistir no homicídio. Mas, não se descarta a hipótese de morte acidental, ou seja, um incêndio quando Brenda estava sob efeito de alta dosagem de sonífero e de ingestão de álcool: confira no “post abaixo” os três mistérios ainda não solucionados.

Incêndio, consoante os peritos, iniciado em uma maleta com rodas (troyller). O que havia no interior da referida maleta para provocar a combustão não se sabe. Hoje, no período vespertino, serão ouvidos os bombeiros que apagaram o fogo no apartamento. Serão perguntados sobre a cor das labaredas.

Com efeito. Hoje, no velho bairro do Trastevere, almocei com a competente jornalista Vera Araújo, que, com muito brilho, escreve semanalmente ao Terra Magazine.

Vera Araújo, que vive faz mais de 20 anos em Roma, bem definiu o que se passa no momento: “o italiano, e os jornalistas daqui, acham que a morte da travesti Brenda é apenas a primeira  camada de um mar de lama”.

Na verdade, quando as coisas começam por acaso e chocam, ninguém sabe onde elas chegarão.

Essa é a frase que mais ouvi na capital da Itália, que é, também, a da região Lazio. A frase decorre do chamado “caso Marrazzo”, com duas pessoas mortas num arco de dois meses: Gianguarino Cafasso, apelidado Rino ou Chiappe d´Oro e morto aos 37 anos de idade, e  Wendell Mendes Paes, transsexual apelidado Brenda, de 32 anos de idade e natural do Pará, morto há menos de uma semana.

Só para lembrar, abro parêntese.

Lazio é a região cujo governador, Piero Marrazzo, renunciou depois da divulgação da notícia de haver sido filmado numa cama e a fazer sexo com a travesti carioca conhecida por Natália.

Natalia (ela reclama quando o jornais escrevem Natalie) é um travesti - por aqui se fala e escreve “viado”- que mora, por coincidência, vizinha ao apartamento onde ficou em cativeiro, e depois acabou assassinado, o ex-primeiro ministro, presidente do partido da Democracia Cristã e professor de direito processual penal, Aldo Moro. O jus-político Moro foi vítima das Brigadas Vermelhas, em 1978.

Em setembro passado, os integrantes do ROS recolheram em interceptações ambientais e telefônicas a informação de uma extorsão,  a vitimar o governador Marrazzo.

À época, o ROS investigava tráfico de cocaína pela facção casalese (da cidade campana de Casal de Príncipe) da Camorra.

O vídeo do ‘affair’ Marrazzo-Natalia estava sendo oferecido a jornais, editoras e emissoras privadas de televisão. Soube-se, também, que Marrazzo fora extorquido por quatro policiais carabineiros: os carabineiros invadiram o apartamento de Natalia e o surpreenderam com a travesti e grande quantidade de cocaína em cima de uma mesa.

Pelas provas colhidas, os policiais, dados como extorsionistas,  foram avisados da presença de Marrazzo no apartamento de Natalia pelo cafetão Rino. Segundo a acusação - e dois dos quatros policiais estão presos, Marrazzo entregou quatro cheques aos policiais. No particular, um outro mistério, ou seja, os cheque não foram descontados no banco sacado.

Até agora, as imagens do vídeo Marrazzo-Natalia não vazaram.

Marrazzo é do partido de oposição a Berlusconi, que, depois de um mês, resolveu contar-lhe sobre o vídeo oferecido para a sua empresa editorial. Dias após, enquanto Marrazzo tentava comprar as cópias do vídeo com a agência que recebera em consignação, o ROS chegou primeiro e realizou a apreensão.

PANO RÁPIDO. Gabriele Paoli anunciou que está na posse de um vídeo, feito por ele há vinte anos atrás. O filme conta a vida e entrevista um jovem transsexual brasileiro que se prostitui em Roma. O trans é a falecida Brenda.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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22 de novembro de 2009

Os Três Grandes Mistérios da morte da trans Brenda em Roma

walterfm1 às 9:45

Brenda.

Brenda

De Roma, para TERRA MAGAZINE

A esquadra móvel de Palermo e o procurador de Justiça Giancarlo Capaldo ainda não têm resposta para três dúvidas fundamentais a respeito da morte do transexual brasileiro conhecido como Brenda e envolvido no escândalo que derrubou Piero Marrazzo, governador da região Lázio.

- 1º Mistério.

Brenda, em 8 de novembro, foi abordada por duas pessoas que lhe levaram somente o aparelho celular. Mais ainda, deram-lhe uma surra.

No celular estavam registrados os nomes dos seus clientes “vips”, as chamadas recebidas, etc.

Só que  Brenda, bem antes da subtração, tinha um segundo celular. Um “palm” Samsung, que deixava em casa e guardava em duplicata os telefones dos clientes que melhor pagavam e exigiam reserva da sua parte.

Quando veio a público o escândalo Marrazzo, com a prisão de quatro policiais carabineiros que fariam extorsão e negociavam com a mídia a venda de imagens do affair Marrazzo-Natalie (trans brasileira), a polícia pediu para Brenda deixar um número de celular, onde pudesse ser encontrada.

Brenda deu o número do celular Samsung, que era o reservado e não o levava quando saia para fazer trottoir.

Mistério: o celular desapareceu do mini-apartamento de Brenda, na noite do incêndio.

- 2º Mistério.

Por Brenda, segundo descoberta recente do Ministério Público, passou um segundo filme a envolver Marrazzo.

Esse filme - conforme testemunho de Brenda no processo - realizou-se com a anuência de Marrazzo. No vídeo, Marrazzo aparecia numa banheira com dois travestis brasileiros.

Brenda afirmou que apagara do seu computador essas imagens de Marrazzo. O computador de Brenda acabou apreendido pela polícia,  na ocasião.

Um segundo e desconhecido computador de Brenda foi encontrado no local da sua morte. Estava mergulhado na pia do banheiro, com a torneira aberta.

No caso de ocorrência de homicídio de Brenda, o assassino procurou destruir a memória do computador, submergindo-o em água, segundo o procurador Cataldo. Ele aposta, até agora, em homicídio.

Mistério: a perícia acaba de informar que conseguiu recuperar os dados da memória do computador. Amanhã serão abertos os arquivos ao procurador Cataldo.

3º.Mistério.

Segundo a perícia, o fogo começou dentro de um trolley (pequena maleta com rodas, que podem ser levadas por passageiros em vôos).

Brenda, estava inconsciente quando começou o incêndio: havia ingerido altas doses (cerca de 50 gotas) do sonífero Minas.

Não se sabe sobre uso voluntário de alta dose ou se foi obrigada a ingerir todo o líquido.

Brenda usava sempre tal sonífero, que, como já comprovado, era comprado em farmácia, com receita médica.

Mistério: como começou o fogo dentro da maleta ? Os peritos não encontraram nada capaz de produzir combustão e fogo dentro do troyler.

PANO RÁPIDO. Os principais jornais italianos, dentre eles o La Reppublica, dedicam primera página e manchete ao caso Brenda.

Wálter Fanganiello Maierovitch

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21 de novembro de 2009

Caso do ex-governador italiano. Mãe da trans Brenda contrata advogado italiano e viaja para Roma.

Brenda, pós escândalo Marrazzo

Brenda, pós escândalo Marrazzo

De ROMA, para TERRA MAGAZINE.

A mãe da trans brasileira conhecida por Brenda, morta misteriosamente na Itália, contratou, por telefone, os advogados Walter Biscotti e Nicodemo Gentile para acompanharem o caso e proporem ações contra o Estado italiano. Ela mora no Brasil e partirá para a Itália neste domingo.

Os dois advogados são de Perugia.

Para os advogados, existem, como no caso de Wendell Mendes Paes, conhecido na Itália por Brenda, um grito de ajuda de pessoas frágeis e que se encontram no centro de histórias maiores do que elas.

Os advogados, claramente, referem-se a Branda e as demais trans que tinham o então governador Piero Marrazzo como cliente.Não se deve olvidar o comentário sobre a existência de outros filmes e os chantageados seriam um ministro, um jornalista e dois parlamentares.

Brenda, uma semana antes de morrer ( e o ministério Pública entende que houve assassinato e não um acidente doméstico), fora atacada e ferida por duas pessoas. O seu celular, com registro de telefones de celebridades e clientes vips, foi o único objeto subtraído.

Desde que veio a luz o caso do então governador,– filmado num celular enquanto fazia sexo com a trans brasileira Natalia e com cocaína à disposição–, Brenda começou a ser perseguida e estava de malas prontas para voltar ao Brasil, quando faleceu.

O proprietário do apartamento receberia as chaves no dia seguinte ao da morte, pois tudo já estava acertado com relação à rescisão do contrato de locação.

Brenda estava com malas prontas porque estava com medo de ser assassinada, conforme afirmaram os cerca de 20 travestis ouvidos ontem pela Esquadra Móvel de Roma e pelo procurador de Justiça Giancarlo Capaldo.

Na madrugada da sua morte, — ele deixou o trottoir por volta das 2 horas de sábado, disse ao amigo e trans Bárbara que estava com medo de morrer e iria à procura de drogas para se acalmar.
Os técnicos continuam a tentar salvar a memória do computador de Brenda, mergulhado num tanque de lavar com água: a torneira ficou aberta e o tanque transbordava, quando a polícia ingressou no apartamento.

–Wálter Fanganiello Maierovitch—

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Trans Natalie está com medo de ser a “bola da vez”. Brenda assassinado ou acidente doméstico ?

walterfm1 às 9:42

De ROMA, para TERRA MAGAZINE

"Não quero ser a bola da vez"

Natalie ao jornal Il Messaggero: "Não quero ser a bola da vez"

Wendell Mendes Paes, apelidado Brenda, tinha 32 anos de idade.

Segundo o exame cadavérico preliminar, a transexual Brenda morreu asfixiada pela fumaça de incêndio no seu ‘monolocale’. Dormia, quando morreu. Estava sob efeito de droga e embriaguez profunda por álcool. O corpo estava carbonizado.

Também conhecida no trottoir das vias Due Ponti e Acqua Certosa por Brendona ou Ballantynes (se embriagava todas as madrugadas), ela estava com duas malas prontas para retornar ao Brasil. Todos os seus pertences estavam nessas duas malas, encontradas ao lado da porta do seu minúsculo apartamento.

O proprietário do minúsculo apartamento já estava ciente da iminente desocupação e do seu retorno para o Brasil.

Brenda estava com malas prontas porque estava com medo de ser assassinada, conforme afirmaram os cerca de 20 travestis ouvidos ontem pela Esquadra Móvel de Roma e pelo procurador de Justiça Giancarlo Capaldo: na madrugada, alguns se desentenderam enquanto esperavam para serem ouvidos. Em resumo, houve “barraco” no departamento de polícia.

A trans brasileira Brenda, - como a carioca Natalie que aparece no filme a fazer sexo com o então governador da região Lazio (capital, Roma) - também mantinha relacionamento íntimo com Piero Marrazzo, o referido governador. Além disso, fornecia-lhe, nos encontros, cocaína, usada por ambos.

O medo de Brenda não estaria ligado apenas a uma iminente descoberta da sua participação na filmagem da dupla Natalie-Marrazzo e na extorsão feita pelos policiais carabineiros ao então governador.

Seu medo  - para os investigadores do ROS (grupo especial que apurava atuação da facção casalese da Camorra e numa interceptação telefônica, por acaso, soube da chantagem decorrente da venda do filme)- decorria do fato de estarem para ser revelados, a qualquer momento, três outros vídeos. Estes a mostrar transexuais na cama e a praticar sexo com outras três celebridade italiana.

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assassinato, segundo Ministério Público.

Brenda: assassinato, segundo Ministério Público.

A respeito, e sabe até a famosa estátua equestre do imperador Marco Aurélio, o trio de celebridades seria formado por um político, um ministro e um jornalista, todos de muito fama.

O ex-governador Marrazzo, que também está com “paura”, internou-se num convento. O nome e localização do convento não é informado nem pela sua família, nem pelo tagarela padre que era o seu orientador espiritual.

Em todos os jornais italianos de hoje, a trans Natalie avisa que está com medo e recorda de duas mortes estranhas. Não quer ser a “bola da vez”.

Natalie, que recebeu autorização para permanecer em Roma até o final do processo (ela e Brenda estavam ilegalmente na Itália há mais de 5 anos), referia-se, ao falar do seu medo, às misteriosas mortes de Giangavino Cafasso e a da trans Brenda.

Parêntese. O cafetão de travestis Giangavino Cafasso foi encontrado morto na véspera da prisão dos quatro policiais que tinham invadido o apartamento de Natalie. Consoante a magistratura do Ministério Público, os policiais extorquiam o governador. E , ainda, negociaram a venda do filme (filamagem realizada com celular) com uma agência de vendas de material publicitário e com a editora do premier Silvio Berlusconi (confira posts neste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine). Fechado o parêntese.

Para o procurador de Justiça Capaldo houve homicídio, com relação à trans Brenda.

Ele alerta que o fato de o apartamento estar trancado, sem sinais de arrombamento, não quer dizer muito

Entre travestis e consoante revelam outros inquéritos apuratórios italianos, é comum emprestar chave, ou seja, o assassino (ou assassinos) pode ter ingressado com cópia da chave da porta de ingresso. E lá encontraram Brenda em sono profundo, pelo efeito de drogas e álcool.

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Thaynna, baina que faz trottoir em Roma, precisa estar com o corpo-fechado.

Thaynna, baiana que faz trottoir em Roma, precisa estar com o corpo-fechado.

Lembra o procurador Capaldo que o computador de Brenda foi mergulhado num tanque de lavar roupa. A perícia tenta salvar o disco de memória, de computador que não era a prova de água.

No dia do assassinato,  o travesti de nome Bárbara informou que a trans Brenda trabalhara até as duas da madrugada. Brenda estava apreensiva e saiu em busca de drogas para se acalmar, já em avançado estado de embriaguez etílica, testemunhou Bárbara.

Durante o trabalho, Branda falava estar com medo, frisou Bárbara para os membros da Esquadra Móvel de Roma.

Nas próximas horas, a transssexual Natalie poderá receber proteção policial.

Só não se fala como fazer  escolta de alguém que faz trottoir e entra nos carros de clientes, após acerto contratual verbal. Certamente, haverá algum constrangimento.

PANO RÁPIDO. Uma coisa é certa e qualquer esfera de cristal revela, ainda que não seja à prova de água. Essa tragédia romana tem componentes fundamentais, que são : sexo , dinheiro, sangue, políticos e celebridades.

Do além, Nero proporia um novo incêndio.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

"Medo de ser a Bola da Vez", disse Natalie ao jornal Il Messaggero

"Medo de ser a bola da vez", disse Natalie ao jornal Il Messaggero

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20 de novembro de 2009

Entrevista de Tarso Genro à imprensa italiana é considerada provocatória e causa nova inquietação diplomática

minitro Genro, em loja de cristais.

minitro Genro, em loja de cristais.

De ROMA, para TERRA MAGAZINE.

Na Turquia, onde se encontra em visita oficial, o  presidente da república italiana,  Giorgio Napolitano, disse que a decisão do nosso Supremo Tribunal Federal (STF) prestigiou a Justiça do Estado italiano, com relação às condenações de Battisti.

Napolitano frisou, ainda, que nada mais falaria e aguardaria a decisão do presidente Lula, que lhe seria comunicada oficialmente.

O presidente Napolitano não quis comentar a entrevista do ministro Tarso Genro ao jornal La Repubblica, que irritou, por ser considerada provocatória, os políticos de todos os partidos políticos italianos.

Sobre a entrevista, será objeto de carta a ser encaminhada pelo presidente da Câmara dos Deputados italianos ao seu equivalente brasileiro.

Genro voltou a dizer que a Itália não quis extraditar Salvatore Cacciola.

No particular, repetiu uma sua velha estultice.

Fora isso, demonstrou, mais uma vez, não conhecer nem a Constituição do Brasil, nem a da Itália, que é de 1948.

O Brasil, como a Itália, não extradita os seus nacionais.

As duas constituições proíbem.

No mundo todo, apenas a Colômbia admite a extradição de nacionais, assim mesmo só no caso de narcotráfico internacional.

Um exemplo ajuda a esclarecer, não a Genro, evidentemente.

Se a Itália pedisse a extradição de Fernandinho Beira-Mar, em razão de tráfico internacional de drogas, ela não seria concedida pelo Brasil. Isto porque Beira Mar é brasileiro nato e a nossa constituição proíbe.

Cacciola, –que fugiu com base em surpreendente e histórica liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio de Mello–, enriqueceu com informações privilegiadas obtidas ilegalmente no Banco Central do Brasil.

A propósito, todas as instâncias judiciárias tinham negado habeas corpus a Cacciola, pois havia risco de fuga. A se imaginar como o único certo na aplicação do Direito, e sem encaminhar a questão ao Plenário como recomendava a boa-cautela, o supremo ministro Marco Aurélio de Mello concedeu a liminar. E Cacciola fugiu, como até o varredor de ruas de Cabrobó presumia.

Quanto à extradição mencionada pelo ministro Genro na entrevista à mídia italiana,  Cacciola é cidadão italiano. Portanto, não poderia ser extraditado pelo estado italiano. Só o ministro Genro não sabe, e insiste em acusar a Itália de falta de cooperação e arrogância.

Outra argumento canhestro do ministro Genro, à imprensa italiana e  para justificar a permanência de Battisti, foi dizer da nossa tradição em dar refúgios políticos até a sanguinários ditadores.

Como se hospedar facínoras fosse algo a engrandecer o Brasil ou a legitimar a  ilegal decisão (reconhecida pelo STF) de concessão de refugiado a Battisti, o ministro Tarso Genro citou os refúgios políticos concedidos pelo Brasil ao ditador paraguaio Alfredo Stressner e ao general francês Bidault, que organizou um atentado contra De Gaulle, à época da independência da Argélia.

Não bastasse, Genro, sem modéstia, quis se equiparar ao falecido presidente Mitterrand. Disse que Battisti ficou 11 anos na França com aval de Mitterrand. E não quis lembrar das decisões concessivas de extradição de Battisti concedidas pela Justiça e Conselho de Estado francês, pós Mitterrand. E nem tocou na decisão da Corte Européia de Direitos Humanos, que reconheceu a lisura nos processos condenatórios italianos.

PANO RÁPIDO. O competente ministro Celso Amorim, –das relações exteriores e favorável à extradição desde o momento da prisão de Battisti–, deve estar perdendo o sono.

Passou da hora de o governo Lula determinar, como fazem os papas, um silêncio obsequioso a Tarso Genro.

O momento é delicado e o presidente Lula deve ter tranquilidade para decidir.

Em outras palavras, o momento é delicado demais para o ministro Tarso Genro, –autor de uma decisão ilegal e causadora dessa grande confusão–, continuar com as suas velhas e impróprias afirmações.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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19 de novembro de 2009

Parlamento italiano aplaude STF; defesa de Battisti fala em novo julgamento

De ROMA, para TERRA MAGAZINE.

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Battisti, "histriônico, farsante e um fabulador capaz de emocionar incautos, segundo o jornal La Repubblica, que é de esqueda

Battisti, "histriônico, farsante e um fabulador capaz de emocionar incautos", segundo o jornal de esquerda La Repubblica

O Parlamento italiano, há pouco, aplaudiu a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro e se mostrou aliviado por não prevalecer a decisão do ministro Tarso Genro sobre Battisti que, para os parlamentares italianos, (1) deturpou a história do país, (2) ignorou o Estado de Direito italiano vigente à época da consumação dos assassinatos perpetrados pelo extraditando e, ainda, (3) taxou a Itália de incapaz de garantir a vida e de preservar os demais direitos humanos de Battisti.

Pior ainda, Tarso Genro continua a sustentar o acerto da sua decisão, não se sabe se por interesse político próprio ou por ignorância sobre a real situação vivida pela Itália.

A primeira manifestação de júbilo ao STF foi da esquerdista Olga D´Antona (Partido Democrático). Ela é viúva de Massimo D´Antona, que foi fuzilado em maio de 1999 pelas Novas Brigadas Vermelhas.

D´Antona era jurista e preparava um projeto sobre reforma na legislação trabalhista. Como isso desagradou a direção das Novas Brigadas Vermelhas, deliberaram pela sua execução.

Para o parlamentar Antonio Di Pietro, que iniciou e foi um dos baluartes da Operação Mãos Limpas na Itália, a extradição era um ato de respeito para com a Itália. Di Pietro preside o partido chamado Itália dos Valores.

Rose Byndi, uma das lideranças do Partido Democrática (de esquerda) e cientista política, afirmou que o deferimento da extradição de Battisti, pelo STF,  “ è uma vittoria del diritto”.

Apresentado pela imprensa francesa e italiana  como orientador da defesa de Battisti, o advogado francês Eric Turcon sustentou que a extradição ainda não é certa e que Battisti é um perseguido político merecedor de asilo ou outro julgamento, que não seja à revelia. Disse que Battisti nunca matou ninguém, como lhe afirmaram com convicção os seus filhos e Fred Vargas, a escritora de livros policiais amiga e ativista pró-Battisti.

Perguntado se não pensava nos familiares das quatro vítimas assassinadas, Turcon respondeu: “As compreendo, mas não podem provar que Battisti é o culpado. Lula conheceu a ditadura e sabe o quanto são preciosos os direitos humanos”.

Omero Ciai, enviado do jornal La Repubblica (o jornal de maior circulação, de esquerda e de oposição a Berlusconi) para acompanhar o julgamento no STF,  escreveu que Battisti  aposta “nas farsas que cria”. “Ele compara o seu caso com o de Chico Mendes e Martin Luther King”, ou seja, quer passar a falsa mensagem de ser uma vítima de perseguição política, destaca Omero Ciai.

Para o enviado do La Repubblica, Battisti é histriônico, capaz de jogar com a mentira e um fabulador capaz de comover incautos.

Pano Rápido: Aqui na Itália, o presidente Lula goza de grande prestígio e admiração.

Até existe um movimento para que, deixada a presidência da República, assuma a direção da FAO (sede em Roma, que é órgão das Nações Unidas sobre a agricultura e a fome no planeta.

Ninguém acredita que Lula irá negar a extradição, ainda mais depois que o STF demonstrou que Battisti não cometeu crime de natureza política e é apenas um assassino que faz qualquer coisa para fugir à responsabilidade pelos crimes praticados.

Para os italianos, a conversa de Lula com Massimo D´Alema, –único comunista que conseguiu ser primeiro ministro na história italiana e será o futuro chanceler da União Européia–, foi fundamental para sua compreensão saber, da boca de alguém com credibilidade e que viveu ao tempo do terror,  que a Itália era uma democracia. Mais, não havia regime de exceção e que Battisti, –antigo ladrão que conheceu na prisão e nela aderiu ao grupo eversivo Proletários Armados para o Comunismo (PAC)–, era um criminoso de sangue, sem escrúpulos.

Por outro lado, os italianos orgulham-se da admiração e amizade nutrida por Lula ao presidente Giorgio Napolitano, comunista histórico e garante, à época, do pacto de sustentação da democracia, ameaçada pelo terrorismo de direita (terrorismo nero), de esquerda armada ( terrorismo rosso) e pelos anarquistas.

Neste mês, na Itália, teve início a jornada de memória para lembrar os 40 anos de terror.

Nas livrarias e bancas, existem dezenas de livros e revistas sobre o terrorismo que acometeu o país. Em 12 de dezembro próximo, será o 40º. aniversário da tragédia na Piazza Fontana (Milão), primeira explosão terrorista: foi condenado por Noberto Bobbio e o ministro Genro ainda o citou para defender Battisti.

Hoje, nos cinemas, será exibido, com grande expectativa, o filme “Prima Linea”, que leva o nome da organização terrorista de esquerda pró soviétiva. As primeiras vítimas do bando Prima Linea foram dois magistrados, fuzilados em 1979 e 1980.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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18 de novembro de 2009

Caso Battisti: Genro sai como grande perdedor e maioria abre caminho para Lula decidir como achar conveniente

 

De ROMA, para TERRA MAGAZINE.

O único perdedor, até agora, foi o ministro Tarso Genro. Coube a ele conceder, contra a lei, o status de refugiado a Cesare Batisti.

Referido ministro Genro entendeu, erroneamente, que o estado italiano não teria condições, caso extraditado, para preservar a vida de Battisti, que, na sua ótica, cometeu crimes políticos.

Derrubada a decisão de Genro, os ministros, por maioria, voltaram ao entendimento de sempre da Corte. Ou seja, cabe ao presidente da República, como chefe da Nação, decidir se convém e se é oportuno extraditar Battisti.

O presidente Lula, para tanto, poderá ou não fazer valer o estabelecido no tratado bilateral de cooperação judiciária entre Brasil e Itália, celebrado em 1998 e homologado pelo Congresso Nacional.

Em outras palavras, Lula fará, como determina a Constituição no seu artigo 84, uso do seu poder discricionário. Destarte, poderá manter Battisti no Brasil.

Com efeito, Battisti - pelo seu Plano ‘B’,  que está em execução - poderá (confira post abaixo), ser contemplado com oficial permissão para ficar entre nós. Isto até por “questão humanitária”,  que está a criar pelo emprego da própria torpeza.

Pano Rápido. Só falta Lula decidir pela permanência para o Supremo Tribunal Federal determinar a sua imediata soltura.

Não se sabe como o Estado italiano irá reagir na hipótese de Lula não conceder a extradição.

Uma coisa, no entanto, é certa. Amanhã, nos principais cinemas italianos, será lançado o filme Prima Linea.

 Pela primeira vez, será mostrado esse grupo eversivo (Prima Línea) que, há 30 anos, iniciou a luta armada. O grupo eversivo Prima Linea começou sua atividade a matar dois juízes: Emílio Alessandrini e Guido Galli.

Wálter Fanganiello Maierovitch

Em tempo: os sites italianos destacam a palavra do defensor de Battisti: La difesa: “Gli dimostreremo che la decisione giusta è quella del rispetto dei diritti umani”.

Não esclarece o defensor de Battisti se fez referência aos direitos himanos dos familiares dos 4 assassinados por Battisti ou à incompatibilidade de se deixar impune quem matou, covardemente. 

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Plano ‘B’ de Battisti já está em execução: copiará caso de ex-brigadista na França e usará doença a seu favor

Tags:, , - walterfm1 às 16:10

.De Roma, para TERRA MAGAZINE.

Battisti.

Battisti.

Até a estilizada Themis, –deusa grega da Justiça e concretada de costas para o prédio do Supremo Tribunal Federal (STF)–, sabia que o voto do ministro Gilmar Mendes, presidente do Pretório Excelso, seria favorável à extradição de Cesare Battisti.

O ministro Mendes, acostumado a adiantar suas posições fora dos autos e sobre qualquer tema, já havia indicado que acompanharia o voto do relator, ministro César Peluso.

Daí, a greve de fome iniciada por Cesare Battisti, tão logo ocorrido o empate pelo voto do ministro Marco Aurélio de Mello, na semana passada.

O Plano ‘B’ de Battisti não é original.

Esse Plano ‘B’ é inspirado em Marina Petrella, ex-integrante das Brigadas Vermelhas: ao contrário de Battisti, a ex-brigadista Petrella nunca negou as acusações e jamais demonstrou arrependimento.

Petrella, quando a Corte Constitucional de Justiça da França (os ministros têm mandato de 7 anos e não há possibilidade de recondução para um segundo período) concedeu a sua extradição para a Itália, estava internada em hospital, com câncer irreversível e em greve de fome.

A primeira-dama francesa Carla Bruni, e a sua irmã, convenceram o presidente Sarkozy a conceder à ex-brigadista Petrella, que teve uma filha nascida na França durante o seu refúgio, uma permissão humanitária a fim de permanecer na França.

O presidente Sarkozy entrou em contato com o presidente italiano Giorgio Napolitano e comunicou, como noticiado pelas mídias francesa e italiana, que não cumpriria a decisão da Justiça francesa, relativa à extradição, unicamente por questão humanitária.

No caso Battisti, convém lembrar, Carla Bruni teve de ir à televisão italiana para esclarecer que, ao contrário do que vinha sendo divulgado pelo grupo brasileiro pró-Battisti, era favorável à extradição e jamais havia dito o contrário: o blog Sem Fronteiras, de Terra Magazine, informou e comentou a respeito, em primeira mão.

O jornal Folha de S.Paulo, edição de hoje, noticia que o presidente Lula está para repensar sobre o caso Battisti, por não deter “todas as informações”. Ou seja, o presidente Lula não mais garante a afirmação feita em Roma, nesta semana, de que cumpriria o decidido pelo STF.

Marco Aurélio Garcia, assessor para assuntos internacionais da presidência da República, entende dever Lula manter o status de refugiado concedido a Battisti pelo ministro  Tarso Genro, da pasta da Justiça.

PANO RÁPIDO. O presidente da república italiana, Giorgio Napolitano, não se manifesta sobre a extradição de Battisti até que haja definição.

Sobre o Plano ‘B’, não se deve perder de vista que o pluri-assassino Battisti, com a greve de fome a agravar sua crônica hepatite, está a querer se beneficiar da sua própria torpeza.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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Jogador faz campanha contra entrada de Amauri na seleção italiana

walterfm1 às 8:00

Amauri, em foto Ansa.

Amauri, em foto Ansa.


De Roma, para TERRA MAGAZINE.

Até antes da classificação para o mundial na África do Sul, a seleção italiana era considerada, pela crítica européia, como velha e carente de  novos craques. Em outras palavras, uma equipe decadente, sem motivação e sem condições de manter o título mundial.

A volta do técnico Lippi à nacional italiana renovou as esperanças e o discurso começou a mudar. Parece que Lippi advinhou e “tirou o time”, depois da conquista do mundial. O substituto Donadoni (ex-campeão mundial) não deu certo e Lippi voltou para reerguer e lançar novos talentos, sem desprezar craques como Pirlo, Gattuso, etc.

No último amistoso contra Holanda, a esquadra italiana jogou um ótimo segundo tempo e a mistura de novatos deu resultado.

Lippi convocou vários atletas novos: eles foram entrando no curso da partida. O único a decepcionar foi Mario Balotelli, da Inter: ele nasceu em Palermo. Os país são naturais de Gana e ele foi adotado e criado por um casal de italianos. Como Balotelli é um craque, ninguém duvida da sua recuperação. Até o veterano campeão mundial   Camaronesi, argentino naturalizado italiano, teve vez e fazia uma boa partida, contra a Holanda, até ser substituído. Lippi, gosta da habilidade  de Camaronese, que deverá ter lugar na seleção que vai para a África do Sul.

Como falta a Lippi um centroavante forte, trombador, bom de assistência e cabeceio, mal terminou o jogo com a Holanda o nome do brasileiro Amauri começou a circular.

Hoje, os jornais italianos falam do bate-boca entre Amauri, da Juventus, e Pazzini, da Sampdoria. Sem mais, Pazzini falou aos jornalistas ser contrário à convocação de Amauri, por não ser italiano.

Amauri ficou enfurecido: - “Voglio la maglia azzurra” (quero a camisa da seleção).

Pazzini, contra a convocação de naturalizados

Pazzini, contra a convocação de naturalizados

O brasileiro Amauri acrescentou que, há um ano e quando postulou a cidadania italiana, já tinha decidido a sua vida. Agora, só espera o passaporte e uma eventual convocação de Lipi.

As palavras de Pazzini não lhe agradaram: - “ Cada um pode falar e emitir o julgamento que quiser. Respeito cada palavra de um outro, mas os outros devem respeitar as minhas. Eu não me sinto embaraçado, absolutamente (referência à cidadania que está a caminho). Não falei com o técnico Lipi, nem com ninguém da seleção. Quando chegar o passaporte, - e se for chamado por Lippi–, responderei à convocação. Antes de chegar o momento certo não poderei fazer nada e continuarei a pensar e a me dedicar à Juventus”.

A fala de Pazzini encontra eco em parte da imprensa especializada italiana. Ou seja, Amauri, considerado bom jogador e no momento sacrificado taticamente no time da Juventus, não é unanimidade. Vai precisar jogar muito, no campeonato, para ser lembrado, embora Lippi precise de alguém com as suas características.

Amauri disse, ainda, que  pensa no Mundial, pois todos, inclusive ele, querem jogar no mundial, na África do Sul: - “Se in futuro arriverà la chiamata, cercherò di ripagare la fiducia di Lippi”, disse num italiano que domina, sem sotaque.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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