Terra Magazine

26 de janeiro de 2009

Bento XVI veste batina-justa na véspera do Dia da Memória.

Tags:, - walterfm1 às 12:36

O papa Ratzinger acaba de vestir uma outra batina-justa, “griffada” pela falta de oportunidade e conveniência. E bem na véspera do Dia Internacional de Comemoração Anual em Memória das vítimas do Holocausto. A propósito, que digam os islâmicos, quando, em aula-magna, o professor Ratzinger ofendeu o profeta Maomé: alegou que falou como professor e não como papa.

Num ato de reconciliação com os fundamentalistas do bispo Marcel Lafebvre, falecido em 1991, resolveu Ratzinger, no dia 24 de janeiro, levantar a excomunhão de quatro bispos. Todos eles consagrados por Lefebvre, que não aceitavam as regras do Concílio Vaticano II e nas missas empregavam o rito tridentino, do papa Pio V.

Dentre os quatro bispos que tinham sido excomungados, encontra-se o britâncio Richard Williamson, que diz ser o holocausto uma invenção dos judeus. Não bastasse, ele nega a existência de câmaras de gás nazistas e reduz para 300 mil o número de judeus mortos na Segunda Guerra.

No final de semana, a Conferência episcopal da Alemanha entendeu “ inaceitável” a volta do “negacionista” Williamson, sem que fizesse um pronunciamento a reconsiderar as suas posições. O porta-voz da referida Conferência, o clérigo Matthias Kopp, transmitiu, pela rede pública de televisão da Alemanha, a reprovação dos religiosos alemães.

O representante da comunidade hebraica junto ao Vaticano emitiu uma nota, onde afirma que “A reabilitação é um ato interno da Igreja católica e sobre isso não queremos interferir, mas sobre o negacionismo temos muito a dizer pois o consideramos uma infâmia. Esperamos que com a Igreja católica isso seja apenas um momento de dificuldade e aguardamos por um gesto positivo”.

PANO RÁPIDO. Uma “reintegração” de ultraconservadores não surpreende.

O papa Ratzinger, desde o tempo que comandou a Propaganda Fede, antigo Tribunal da Inquisição, sempre foi um ferrenho opositor dos progressistas. A perseguição ao frei Leonardo Boff, que recebeu a sanção de silêncio obsequioso, é marcante. Até don Paulo Evaristo, um grande humanista, sofreu retaliações, em especial quando, por ato de João Paulo II apoiado em conclusão da Propaganda Fede, teve seu território de competência dividido,  com o fim claro de reduzir o seu merecido prestígio.

Ratzinger, ao levantar a excomunhão dos lefrebvrianos, sabia, por evidente, de que Williamson estava no meio. Talvez tenha se aproveitado do massacre promovido por Israel em Gaza, com a opinião pública internacional indignada.

Amanhã, 27 de janeiro e dia internacional da Memória, Ratzinger será lembrado, ao reconduzir um que nega o Holucausto. Lamentável.

Wálter Fanganiello Maierovitch.

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1. PANO RÁPIDO do Alexandre Melo, vice-decano deste blog.

Bento XVI deveria dedicar-se mais em suas orações diárias, não é bem estas decisões que esperaríamos do Vigário de Cristo. O perdão só acontece depois do arrependimento, o que não aconteceu no caso acima.

Alexandre Melo.
–1.1.Responde ao Alexandre a caneta-falante Margot Sans-coulote.

Seria bom que dedicasse o período matutino para orações na capela Paulina. O vespertino, após frugal refeição em silêncio glorioso, algumas horas de orações na capela Sistina.

 À noite, reflexões, já que por ser papa estaria dispensado de mortificações com silício, como fazia a turma do Lefebvre.

Margot Sans-coulote.

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2.PANO RÁPIDO do Paulo Carvalho, exmo. Decano do blog.

Boff foi perseguido por Ratzinger até seu desligamento da Igreja. Ganhamos todos nós.
A propósito, ontem assisti ao filme Goya, que mostra parte das atrocidades cometidas pela Igreja com a Inquisição.

Paulo Carvalho

2.2. Responde ao Paulo a caneta-falante Giordana Bruna.
Meu falecido irmão, Giordano, um dominicano vítima da Inquisição e queimado-vivo em 1600 na pizza Campo dei Fiori, tem, do além-túmulo, uma certa inclinação pela ousadia do seu irmão dominicano Boff.
Giordana Bruna.

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20 de janeiro de 2009

BATTISTI:Todos os deputados italianos protestam. Carta enviada a Chinaglia.

Demorou para um amigo, –que trabalha como assessor no palazzo Montecitorio, sede da italiana Câmara dos Deputados–, receber sinal verde para enviar-me o texto completo da carta redigida por Gianfranco Fini, presidente da Câmara dos Deputados, do unitário estado italiano: ao contrário do Brasil, a Itália não é uma república federativa, mas unitária.

 Como recebi o texto agora, faço a postagem deste “post”,  às 24,50 hs.

Fini escreveu a carta na qualidade de presidente da Câmara e em nome de todos os deputados italianos, que lhe deram permissão e total apoio.

 O  presidente Fini está a encaminhar a carta ao seu correspondente brasileiro, ou seja, ao presidente da Câmara Federal, deputado Arlindo Chinaglia.

 Como o presidente da república italiana Georgio Napolitano, — um comunista histórico–, ficou indignado com a concessão de “status de refugiado político” ao terrorista-assassino Cesare Battisti (quatro homicídios, um como mandante) e externou seu profundo pesar em carta pessoal endereçada ao presidente Lula (vide “post” abaixo), a Câmara dos Deputados, e todos os seus integrantes, deliberaram manifestar, igualmente, o inconformismo e externar que o Estado italiano foi ofendido por Tarso Genro.

 Na verdade, e quase todos perceberam no Brasil, o ministro Genro criou, e se deu mal, factóides, todos insustentáveis. Não foi capaz nem de perceber que a Itália vivia em plena normalidade democrática, quando dos crimes de Battisti e do seu grupo, que queriam tomar o poder pela força: Battisti era um criminoso que, no cárcere, resolveu filiar-se ao insignificante grupo chamado Proletariados para o Comunismo: o  carcereiro do presídio onde estivera foi um dos executados.

Conforme declarado, Fini e todos os deputados sentiram-se, quer como italianos, quer como órgãos do Estado a representar o povo italiano, chocados com o ministro Tarso Genro. Isto porque ele, com base em lei, escolheu e aplicou um seu dispositivo a estabelecer a possibilidade de concessão de “status de refugiado político” em face de haver risco de morte para Battisti, caso voltasse à Itália.

 Em outras palavras, para Tarso Genro a Itália não teria condições de preservar a vida de Battisti. No popular, caso não deferisse  o pedido estaria a jogar Battisti aos leões. Talvez, na arena do Coliseu, que Genro deve imaginar em pleno funcionamento, com gladiadores (justiceiros para usar a expressão do nosso ministro) em aquecimento para as lutas e com leões esfomeados.

 Com a carta, os deputados e o presidente da Câmara procuram entrar em cena dada a grande repercussão entre cidadãos italianos, que se sentiram ofendidos.

 Só para relembrar, o pedido de extradição de Battisti, junto ao Supremo Tribunal Federal, foi apresentado pelo governo de centro-esquerda do premier Romano Prodi. E o Partido Comunista (não confundir com a Refundação Comunista que não conseguiu nenhuma cadeira no Parlamento na última eleição) e o Pardido Democrático (segundo maior), ambos de esquerda, manifestaram-se favoravelmente à extradição de Battisti, pois crime de sangue, com evento morte  (no caso morte de inocentes), não é considerado político. Em especial, pelo fato de na Itália vigorar, à época, todas as regras constitucionais garantidoras  do Estado de Direito.

 Numa tradução livre, a carta dos deputados e do presidente  Fini, que já foi ministro das Relações Exteriores, tem o seguinte teor:

 - “Exmo Presidente. Dirijo-me a Vossa Excelência, à Sua sensibilidade e à Sua origem italiana, para exprimir-lhe uma grande surpresa e um forte pesar. Sentimentos estes  que condivido com todas as forças políticas representadas nesta Câmara dos Deputados.

 Desconforto pela recente decisão do Ministro da Justiça, Tarso Genro, de conceder o status de refugiado a Cesare Battisti, já julgado e reconhecido culpado por homicídios pela magistratura  italiana, pela magistratura da França e pela Corte Européia de Direitos Humanos.

 A Câmara dos Deputados, como a opinião pública italiana, permanece perplexa e desconsertada pelo fato de que, ao bloquear a análise do pedido de extradição,  a decisão do Ministro da Justiça acaba por conceder a Battisti o status de refugiado com motivações, dentre elas a principal, de “fundado temor de perseguição” dentro do território da Itália. Isto é, francamente, inaceitável para um país profundamente democrático e   de grandes tradições jurídicas, como é a Itália.

 De se anotar, ainda, que com a decisão em questão (de Tarso Genro), o Brasil é hoje o único país do mundo a reconhecer o status de foragido a um nosso cidadão italiano.

 Em nome da totalidade dos deputados da Câmara dos Deputados e desta presidência desejo exprimir –lhe a ntenção, com pleno respeito às regras do procedimento legal brasileiro, que as competentes Autoridades do Seu País possam realizar, o quanto antes, um reexame mais objetivo e sereno do caso, de modo a chegar a uma decisão mais equânime e fundada, que autorize a entrega à Itália de um cidadão italiano que  maculou-se pela prática dos mais odiosos crimes.

Ao agradecer- Vossa Excelência pela gentil atenção, aproveito a ocasião para enviar-lhe as mais cordiais saudações.” Gianfranco Fini.

 PANO RÁPIDO. O ministro Tarso Genro criou um factóide e pensou que pudesse, sem reação, acusar um país de incapacidade de dar segurança a um terrorista condenado definitivaente, co-autor e partícipe de quatro homicídios. Mais, todos os argumentos apresentados em paralelo, desde o cerceamento de defesa, testemunho único e parcial de um colaborador de Justiça, asilo na França, pena de prisão perpétua, etc, caíram um-a-um por .

 Muitas das colocações foram grotescas. Por exemplo, se a França, admirável segundo Tarso Genro pelo respeito dos direitos fundamentais, concedeu a Battisti (como erroneamente sustenta Tarso Genro), por que este fugiu do território francês ?

 O real é que a França, pela sua Justiça, concedeu a extradição e Battisti fugiu. No processo italiano, Battisti escolheu e contratou advogados. Foi revel porque fugiu da prisão: ao tempo, até o Brasil admitia julgamento a revelia do foragido. E continua a admitir, se ele, antes da fuga, foi citado para o processo: o Cacciola foi citado e depois fugiu. Por isso, foi julgado e condenado à revelia no Brasil.

 Pena de prisão perpétua não existe na Itália. É só nominal, pois o cumprimento da pena não pode passar de 30 anos, como no Brasil.

 Ainda, não foi apenas um colaborador de Justiça que acusou Battisti, como partícipe e como mandante (como mandante poderia estar em outro lugar, a cometer outro crime). Na Itália, como no Brasil, existe o princípio do livre convencimento do julgador. Quer isto dizer que basta um testemunho: muitas vezes, vale, pela coerência, a palavra da vítima estuprada: estupradores, por evidente, praticam crime na clandestinidade, sem testemunhas.

 Com a palavra o presidente Lula, até para impor, como no direito Canônico, a pena de silêncio obsequioso a a Tarso Genro, que já demonstrou total despreparo.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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