Terra Magazine

1 de setembro de 2009

EUA e CIA em apuros. Apoio a narcotraficante, futuro vice-presidente do Afeganistão

Hillary Clinton numa saia-justa

Hillary Clinton numa saia-justa

A principal agência de espionagem americana, refiro-me à Central Intelligence Agency (CIA), acaba de entrar em outra trapalhada.

E também coloca em saia-justa a secretária de Estado Hillary Clinton, que ainda não sabe como contornar o problema e se livrar do prestigioso jornal New York Times, que está a pressioná-la.

Desta vez, a confusão é pantagruélica, diante da certeza da eleição de Marshal Muhammed Qasim Fahim, vice-presidente na chapa de Hamid Karzai e um dos grandes traficantes internacionais de ópio.

Na falta de outro, Karzai virou o candidato da predileção do governo dos EUA, que engoliu o vice Fahim.

Por informe da CIA, a dupla seria eleita no primeiro turno. Isto numa eleição que os 007 da CIA sabiam que seria fraudada. Nem os ataques de véspera dos talebans — provocadores de pesada abstenção —, mudariam o resultado: a maior abstenção ocorreu em Kandahar, a terceira maior cidade do país.

Fahim, de etnia tadjique, foi antigo agente da CIA, apesar de conhecido traficante de ópio.

Ele acabou cooptado pela CIA entre os Senhores da Guerra, no norte do país. Foi um ex-comandante de facção armada da Aliança Norte, do assassinado comandante Massud: o comandante Massud morreu às vésperas do trágico 11 de setembro de 2001.

O objetivo da entrada de Fahim na chapa teve por meta subtrair votos do principal opositor de Karzai, Abdullal Abdullah, um ex-militante da Aliança Norte e também da etnia tadjique.

Como sabem a CIA e a secretária Hillary Clinton, o tadjique Fahim possui um avião de fabricação russa, usado para o tráfico ilegal de ópio e heroína: o Afeganistão é responsável pela oferta ilegal de 90% do ópio em circulação no planeta.

Dois são os problemas que se apresentam, com Fahim eleito.

Primeiro, o fato de Karzai ser o grande alvo dos talebans, cujas milícias já conseguem promover ataques em Cabul, a capital do país. Caso morto Karzai, assumirá o seu vice. Assim, o novo presidente, eleito com apoio dos EUA, será um narcotraficante.

Por outro lado, nos EUA existe uma lei que proíbe ajuda militar e financeira aos países ligados ao narcotráfico ou que não cooperam na luta contra às drogas. Pergunta-se: como manter ajuda militar e econômica a um Afeganistão que elege um narcotraficante como vice-presidente?

PANO RÁPIDO. O clima é de tensão.

Hillary trabalha com a idéia de negar visto americano a Fahim, como é da praxe nos EUA. Logicamente, isso não basta. Chega a ser risível. E nem Fahim, sempre na ex-inimiga Rússia com o seu avião, tem interesse em pisar nos EUA.

Com Fahim no poder, no caso de faltar Karzai, será que os EUA retirariam suas forças e colocariam fim à promessa de Barack Obama de começar a combater o terrorismo pelo Afeganistão ?

As demais forças estrangeiras no Afeganistão, além do contingente Nato-Isaf, só lá permanecem em razão de compromisso com os EUA.

Como não canso de repetir, com a devida escusa pela reiteração, a questão das drogas é usada para encobrir interesses geopolíticos, geoestratégicos e geoeconômicos. E para encobrir um desses interesses, os americanos farão de conta que Fahim não é narcotraficante e nem vice-presidente.

Convém não esquecer que no governo de transição de Karzai, escolhido em 2002 pelos americanos, o narcotraficante Fahim foi, por imposição da CIA, escolhido para ministro da Defesa.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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17 de agosto de 2009

Em panfletos, Talebans avisam afegãos que atacarão os locais de votação na quinta-feira

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mulheres afegans apreendendo votar

mulheres afegans apreendendo votar

Na próxima quinta-feira, 20 de agosto, serão realizadas eleições no Afeganistão, como mencionado no “post” de domingo deste blog Sem Fronteiras, de Terra Magazine.

Pela constituição em vigor desde 25 de janeiro de 2004, o Afeganistão é uma república islâmica presidencial.

O presidente da república afegã é eleito por mandato de 5 anos e pode ser reeleito uma vez apenas. Hamid Karzai foi designado para assumir o poder em 5 de dezembro de 2001. Foi eleito em 13 de junho de 2002 e reeleito em 9 de outubro de 2004.

Como à luz da Constituição de janeiro de 2004 Karzai só foi eleito uma vez, entendeu-se que poderá disputar um novo mandato.

O mais forte concorrente de Karzai é Abdullah Abdullah, líder do grupo da Aliança Norte, do célebre comandante Massud (Ahmed Shah Massud): Massud era da resistência anti-talibã e acabou dinamitado em setembro de 2001, pouco antes do ataque às torres Gêmeas, pela Al Qaeda de Bin Laden.

Ao todo e para a presidência, disputam 36 candidatos, sendo duas mulheres.

Os dois outros concorrentes expressivos  de Karzai, Ramazan Bashardost (deputado e ex-ministro do Planejamento) e Ashraf Ghani (ex-ministro da economia e ex-funcionário do Banco Mundial), não têm nenhuma chance de vitória, consoante conclusão dos analistas internacionais. Caso haja segundo turno, poderão apoiar Abdullah.

 O Parlamento afegão é composto por duas câmaras. Na constituição ficou expresso a reserva de cadeiras (1/4) para as mulheres, que também são eleitas por sufrágio universal.

Ontem, os talibãs, por meio de volantes distribuídos nas cidades e aldeias do sul do país, anunciaram à população que dinamitarão os postos de votação.

Segundo analistas, o anúncio tem por objetivo desencorajar os eleitores. Por temor, muita gente poderá ficar em casa, acreditam os talibãs e alguns líderes tribais, chamados “senhores da guerra”, de oposição a Karzai. A maioria do líderes tribais apoia Karzai, que, na última sondagem eleitoral, foi dado como detentor de 45% dos votos. 

Pela primeira vez os talibãs fazem esse tipo de ameaça, ou melhor, aviso de que explodirão postos onde estarão instaladas as urnas receptoras de votos.

Vale lembrar que o último censo oficial é de 1979. E  deu o país com 13.051.358 habitantes. Em 2006, realizou-se uma estimativa e chegou-se a 28.100.000 habitantes, incluídos refugiados e nômades.

Por estimativa, perto de 6,0 milhões de afegãos fugiram do país por causa do conflito iniciado em outubro de 2001 e que culminou com a queda do regime talibã em 5 de dezembro de 2001. Mas,  cerca de 2,7 milhões de afegãos já retornaram ao país, entre 2002 e 2005. Em outras palavras, o colégio eleitoral cresceu em face da última eleição presidencial, realizada em 09 de outubro de 2004. 

Neste mês de agosto, os talibãs promoveram vários ataques contra operadores da Força Internacional de Assistência e Segurança (Isaf-NATO). No sábado passado um atentado com carro-bomba matou 7 pessoas e feriu outras 90. Esse atentado se verificou próximo ao quartel-general da NATO, na região mais vigiada de Cabul. A meta era explodir a embaixada dos EUA, próxima 100 metros do lugar da explosão.

Do início deste mês de agosto até domingo passado (16/8/2009) foram mortos 35 membros da Isaf-NATO.

No conflito afegão e a contar de 7 de outubro 2001, — quando as forças armadas dos EUA e os seus aliados da NATO invadiram o país e apearam do governo os talibãs guiados pelo mula Omar–, o número de vítimas fatais chega a 1.312.

PANO RÁPIDO. Qualquer “burca” ou “pipa”, independente da cor, sabem que o governo Bush enviou ao Afeganistão muito dinheiro. A ajuda, no entanto, não reverteu em benefício da população.

As verbas foram desviadas e o  presidente Hamid Karzai é apontado como o responsável pela grande corrupção existente no país. O governo Barack Obama só engole Karzai pela absoluta ausência de um outro que aceite o papel de marionete.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

QUADRO INFORMATIVO:

1.número de eleitores inscritos: 16,7 milhões.

2.número de postos para coleta de votos: 6.500

3.eleições provinciais: em disputa estão 420 cadeiras de conselheiros provinciais.

4.segundo turno: eventual segundo turno está designado para aprimeira semana de outubro.

5.resultado do primeiro turno: anúncio oficial programado para 7 de setembro.

6.total de candidatos à presidência: 36 (34 homens e 2 mulheres).

7.organização: os próprios afegãos. Ao contrário das passadas, organizadas pelasforças EUA-NATO-Isaf.

8.volantes com ameaças: além do aviso sobre ataques, os talebans frisam que os votantes serão considerados infiéis, sujeitos à pena de morte.  

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16 de agosto de 2009

Estupro mascarado de Legalidade. Vale tudo na eleição afegã de quinta-feira próxima

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preocupado com a eleição de quinta-feira no Afeganistão.

Barack Obama: preocupado com a eleição de quinta-feira no Afeganistão.

1. Causou profunda indignação internacional o antigo projeto de lei afegão que permitia ao marido xiita estuprar a esposa que oferecesse recusa ao coito.

O presidente Hamid Karzai — no poder desde 5 de dezembro de 2001 (foi escolhido pelos chefes tribais da Loya Jirga em 13/06/2002 e pelo voto direto em 9/10/2004 ) — queria cativar eleitoralmente os xiitas, que representam 15% da população afegã.

Mas, diante da pressão internacional, Karzai deve de voltar atrás. Então, colocou os seus aliados parlamentares para emendar o supracitado projeto legislativo e 20 novas emendas acabaram propostas e aceitas. Uma delas finge proibir o estupro da esposa pelo marido.

A meta foi contornar para não desagradar aos homens xiitas. Especialmente em face da  próxima quinta-feira, quando serão realizadas as eleições.

Com efeito, preparou-se o estupro mascarado. Ou seja, a esposa tem o débito conjugal de satisfazer “razoavelmente” a volúpia sexual do marido. Caso negue o referido débito, o marido, pela desobediência, pode deixar de fornecer-lhe comida, alimento.

Por evidente, trata-se de uma forma indireta de coação. Para não passar fome a esposa deverá ceder.

E a esposa, sem causa, não pode pedir judicialmente o divórcio e a pensão alimentícia.

Como se percebe, nem Maluf seria capaz de imaginar essa nova “arte do Procusto afegão”: aquele  que, à noite, adaptava o corpo do hóspede ao tamanho da cama, cortando pedaços do corpo excedente ou esticando ossos e músculos para completar o vazio do leito.

2. No Afeganistão, o ayatolá xiita Asif Mohseni, com recursos vindos do Irã para a comunidade xiita, construiu uma  universidade-modelo na capital Cabul.

Além do ensino de boa qualidade, os universitários são alimentados, os cursos, grátis: o grande edifício da universidade é revestido de mármore, com salas de aula com ar-condicionado.

Karzai conseguiu aproximar-se do ayatolá e recebe apoio eleitoral desse reitor xiita.

Espera-se que o ayatolá-reitor ensine a Karzai de como se procede no Irã: a mulher só perde o direito a alimentos quando abandona o teto conjugal, sem justa causa.

3. PANO RÁPIDO. Para analistas internacionais, os talebans — que ontem voltaram a mostrar os músculos na detonação de bomba e a provocar inquietação na Força Internacionais de Assistência e Segurança (Isaf) — estão próximos de retomar o poder. Este perdido quando as forças americanas com os aliados da Otan, em 7 de outubro de 2001, tomaram conta do país.

O presidente Barack Obama afirmou que a verdadeira guerra ao terror será desenrolada no Afeganistão e região de fronteira com o Paquistão. Por enquanto, os líderes tribais, conhecidos por “senhores das guerras” e que já estiveram ao lado dos operadores da Otan/Isaf, estão com os talebans.

Até quinta-feira muitos ataques acontecerão. Enquanto isso, a lei do estupro mascarado volta ao Parlamento, para discussão final.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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29 de março de 2009

Obama admitiu risco elevado de ataque da al Qaeda nos EUA.

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presidente Obama preocupado com al Qaeda

presidente Obama preocupado com al Qaeda

Para o presidente Barack Obama, “a situação está cada vez mais arriscada”, numa referência a Al Qaeda que, na região tribal entre o Paquistão e o Afeganistão (fronteira ocidental do Paquistão), projeta um novo ataque aos EUA.

O presidente norte-americano voltou, ontem,  a afirmar que não vai ficar à espera, mas procurará, o quanto antes, “destruir, desmantelar e aniquilar a Al Qaeda, de modo a impedir, no futuro, que se reestruture e retorne.”

Obama anunciou o início da execução da sua nova estratégia para combater o terrorismo de matriz alquaedista.

De pronto, o presidente Obama enviará 4 mil soldados norte-americanos para o Afeganistão. Esses soldados irão adestrar as forças de segurança de Cabul (Afeganistão). Ou seja, não serão combatentes, mas instrutores.

O presidente norte-americano destacou, também, que haverá permanente avaliação sobre o cumprimento de metas, ou seja, diuturnamente serão verificados progressos ou retrocessos.

A grande falha no governo Bush deveu-se ao descontrole: os talebans se reorganizaram, o governo do presidente Karzai mergulhou na corrupção e os chamados Senhores da Guerra, líder tribais que controlam o plantio e negociam a venda do ópio-bruto, celebraram alianças com os insurgentes talebans. Ainda, fecharam acordo com Abu Yahya al Libi, responsável pelo elo de ligação entre os talebans e os alqaedistas. 

 A falta de fiscalização ensejou, como acima frisado, a reestruturação dos talebans, que já retomaram o controle de 70% do território e  mostraram estar na porta de Cabul, onde promovem repetidos ataques. 

Como se sabe, a ajuda financeira encaminhada no governo Bush foi desviada e a corrupção virou a marca registrada do governo do presidente Karzai, que prega uma negociação com os talebans, porque já os sente no seus calcanhares.

Sobre uma vitória dos talebans, cujo líder é o conhecido mulá Omar (vive na fronteira, do lado paquistanês, e a sua filha é uma das mulheres de Bin Laden), o presidente Barack Obama, numa tentativa de mostrar que o problema não seria apenas norte-americano, comentou: - “ Se o governo afegão cair em mãos dos talebans, a Al Qaeda não teria mais opositores e o país (Afeganistão) voltaria a ser usada como base pelos terroristas. É um preço que o mundo não pode permitir-se a pagar”.

No curso desta semana, Obama apresentará o plano aos europeus, na viagem que fará. Ele quer parceiros, pois pretende deslocar a frente de batalha do Iraque para a fronteira entre Paquistão e Afeganistão. É na fronteira, segundo pensa o governo de Obama, que reside o problema e “mora o perigo”.

Ao Congresso americano, Obama pediu a aprovação do projeto bipartidário apresentada pelos senadores John Kerry e Richard Lugar. Com a aprovação, Obama poderá, em 5 anos, enviar ajuda de US$1,5 bilhão ao Paquistão.

Essas remessas anuais seriam controladíssimas para evitar desvios como o ocorrido no Afeganistão. Os auxiliares do presidente Obama sabem muito bem a fama e o apelido de “Dr.10%” do atual presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, que é o viúvo de Benazir Buto.

PANO RÁPIDO. O presidente norte-americano teme surpresas originárias da Ásia central, daí o alerta de ontem: -“ Os terroristas islâmicos fundamentalistas querem nos atacar a partir do Paquistão”.

Vamos esperar que Obama consiga evitar tragédias e logre controlar  a fronteira ocidental do Paquistão, onde estão operantes grupos alqaedistas.

–Wálter Fanganiello Maierovitch

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