Terra Magazine

6 de julho de 2009

Barrado no Baile. Protocolo do G8 afasta primeiras-damas de Berlusconi

Ministra Carfaga, cuidará da recepção das primeiras-damas.

Ministra Carfagna cuidará da recepção às primeiras-damas.

Até uma tradição será quebrada no G8 que começará esta semana na Itália.

Por causa do inconveniente e desmoralizado premier italiano Silvio Berlusconi, não haverá o tradicional jantar de gala que o chefe de governo do país anfitrião oferece aos seus pares e às respectivas esposas.

Por salutar cautela protocolar, o premier Berlusconi não vai nem cruzar com as first ladies, cujos esposos participarão do G8. A summit está agendada simbolicamente  para a cidade de L’Aquila, atingida por terremoto em abril passado.

Primeiras-damas como Michelle Obama e Carla Bruni Sarkozy poderão estar até com o papa, mas com o incontrolável Berlusconi só se postularem mudança no protocolo.

Por máxima cautela, durante o G8 as damas não estarão nem com os seus maridos. Afinal, Berlusconi poderá grudar num deles. Berlusconi já foi sabujo de George W. Bush e faz de tudo para cair nas graças de Barack Obama.

Nesta quarta-feira, as primeiras-damas serão recebidas, no Palazzo del Quirinale e à tarde, por Clio Napolitano, esposa do respeitado presidente italiano Giorgio Napolitano, que na semana passada completou 84 anos de idade.

No chá agendado para o Palazzo del  Quirinale,  não estará presente Veronica Lario, em fase de separação litigiosa de Berlusconi, por suas aventuras amorosas, relacionamentos sexuais com garotas de programa, colocação de “berlusconetes” nas listas partidárias eleitorais, e bacanais na Villa Certosa (Sardenha), onde fica a cinematográfica casa de praia do premier.

Berlusconi estará  em L’Aquila (Abruzzo) e a presidir fechada reunião do G8. Nela, mulher só entra se for chefe de Estado ou de governo, como a alemã Angela Merkel. Aliás, ela  já está vacinada contra as gafes do premier italiano.

Duas ministras do governo Berlusconi recepcionarão durante a summit as primeiras-damas: Mara Carfagna (confira foto, de quando ela era modelo) e Mariastella Gelmini. Ambas são fiéis escudeiras do premier e foram surpreendentemente escolhidas para compor o ministério. Essas duas ministras já marcaram para a quarta-feira 8 audiência com o papa Ratzinger para as primeiras-damas interessadas num encontro com o chefe de Estado do Vaticano.

No programa romano das primeiras-damas está previsto um giro pelas ruas do centro histórico, onde estão as famosas casas de moda: não se sabe se alguma primeira-dama,  lógico, com exceção da italiana Carla Bruni Sarkozi, que saiu da Itália por medo do terrorismo dos anos 70, passará pela Fontana de Trevi a fim de jogar uma moedinha: a lenda conta que voltará a Roma quem atirar, de costas, uma moeda naquela fonte.

As damas estarão com o jovem prefeito de Roma, Gianni Alemanno,  já neofascista. Ele é aliado direitista de Berlusconi. A prefeitura fica na magnífica praça Campidoglio, projetada por Michelangelo. Na praça estão os museus Capitolini, que serão visitados pelas primeiras-damas.

Paralelamente ao G8, ocorrerá o J8, organizado pela Unicef. O J8 (Junior 8) será a summit que contará com a participação de jovens dos países que compõem o G8. Do J8 também não participará Berlusconi, sob suspeita de ter iniciado um relacionamento amoroso com uma napolitana menor de 18 anos: escândalo Noemi Letizia, que completou a maioridade em festa com a presença de Berlusconi.

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barrado do baile, com qualquer disfarece.

Berlusconi: barrado no baile, com qualquer disfarce

Na sexta-feira passada, um filme — sobre a história de um mafioso que se apaixona por uma jovem —não foi selecionado para concorrer ao festival italiano. Noemi Letizia era atriz do filme, debutando no seu primeiro trabalho, pós-escândalo de Berlusconi, a quem chama de “papi”.

PANO RÁPIDO. As primeiras-damas estarão em L’Aquila, num passeio pelo centro histórico que foi atingido pelo terremoto. Como o plano de segurança para o G8 envolverá 15.000 policiais, espera-se que sejam capazes de impedir a aproximação de Berlusconi.

Hoje, consultei meus livros de Medicina Legal, no tópico psiquiatria forense. Não encontrei menção a priapismo mental. Acho que, diante do fenômeno Berlusconi, os psiquiatras italianos poderiam considerar essa hipótese,  levantada neste Blog Sem Fronteiras.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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30 de junho de 2009

Escândalo Berlusconi: presidente da Itália pede trégua até final do G8. Cai prestígio do premier entre as eleitoras

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diz não pagar michê por ser conquistador.

Berlusconi: diz não pagar michê por ser conquistador

Giorgio Napolitano, presidente da Itália, completou ontem, 29 de junho, 84 anos de idade. Ele aproveitou a presença da imprensa para pedir uma  trégua com relação aos escândalos protagonizado pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

A trégua pedida terminaria no final do G8, summit que terá início na próxima semana, na cidade de L’Áquila, em reconstrução depois de forte terremoto.

Pelo jeito, a trégua não foi aceita e vários jornais europeus dedicaram, hoje, comentários sobre o escândalo.

O londrino Times, por exemplo, reservou uma página inteira às festas de Berlusconi, com participação de garotas de programa e, conforme se está apurando pela magistratura de Bari, uma eventual circulação de cocaína.

Anota o Times que Berlusconi se coloca, como todos os líderes políticos envolvidos em escândalos internos, ativíssimo no campo da política externa. Trata-se de referência à coletiva de ontem de Berlusconi, a bordo do magnífico navio Fantasia, onde ficarão hospedados os chefes de governo e de Estado membros do G8.

Richard Owen, correspondente do Times, bateu pesado: “A escolha de uma coletiva a bordo de um navio de turismo foi singular. Serviu para recordar as origens de Berlusconi como ‘cantor de piano-bar’ em cruzeiros e com seu olhar particular para as belas mulheres. No Fantasia, o “cenário era perfeito, pois havia um piano. Podia-se até esperar que o premier se  levantasse e iniciasse a cantar as canções napolitanas que o fascinam”.

Durante a coletiva no Fantasia, Berlusconi se apresentou, sem modéstia, como o líder político europeu de maior aceitação popular.

Por evidente, Berlusconi esqueceu-se da pesquisa do último domingo, pós-escândalo com as três garotas levadas a pagamento para encontro com ele no Palazzo Grazioli (residência oficial).

Entre as eleitoras italianas, a popularidade de Berlusconi caiu 4%: em janeiro ele tinha 51%, e caiu em junho para 47%.

Qaunto aos jovens, na faixa entre 18 a 24 anos, Berlusconi despencou e a sua avaliação é negativa. Seis meses atrás era positiva sua avaliação, ou seja,  antes dos escândalos com Noemi Letizia, pivô da sua separação, e com as garotas de programa que eram contatadas por Gianpaolo Tarantini, apelidado de o “Rei das Próteses”.

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palco da coletiva dada ontem por Berlusconi.

Navio Fantasia: palco da coletiva dada ontem por Berlusconi.

Parêntesis aberto.  Tarantini está sendo investigado em Bari por suspeita de fraude na venda de próteses cirúrgicas a hospitais públicos: ele tem uma empresa que fornece produtos hospitalares. Também está sendo investigado — diante do revelado por interceptações telefônicas realizadas pela Guarda de Finanças da Itália — por crime de exploração de prostituição.

O terceiro inquérito contra Tarantini diz respeito a tráfico de cocaína. Numa festa em casa alugada na requintada e alpina Cortina d’Ampezzo (sem presença de Berlusconi), Tarantini e os seus amigos ofereciam cocaína às mulheres: sexo e cocaína, diziam nos telefonemas interceptados pela Justiça.

No momento, existe investigação para saber se Tarantini fornecia cocaína para as inúmeras garotas de programa que encaminha para as festas de Berlusconi, na sua cinematografica mansão sarda, em Villa Certosa. Parêntesis fechado.

PANO RÁPIDO. O grande temor de Berlusconi diz respeito aos eleitores católicos, em grande número na Itália. Eles são mais fiéis às cartilhas vaticanas do que aos programas dos partidos políticos.

Pela última pesquisa pós-escândalo com as garotas a pagamento, Berlusconi, entre eleitores católicos praticantes, caiu de 61% para 54%. Parece que sua esperança está na “remissão dos pecados”, que Ratzinger poderá lhe conceder. E minha caneta-falante, Concetta Rompi-Coglione, já resmunga sobre quanto lhe custará uma penitência.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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14 de junho de 2009

G8 sob ameaça e Raspadinha vitalícia em tempos de crise global.

 

Prêmio é pago mensalmente até o final da vida

Prêmio é pago mensalmente até o final da vida

1. Em tempos bicudos, uma “fezinha” em loterias do Estado estimula sonhos. E os bolsos e as carteiras sentem-se menos pressionados.

Na Grã Bretanha e na Itália percebeu-se que a “raspadinha”, que oferece prêmio baixo, foi a modalidade lúdica que mais cresceu. Lógico, isso não vai interessar tipos como os “José Sarney” da vida (ex-presidente da República e atual presidente do Senado), ou seja, pessoas abastados que nem percebem depósitos mensais inferiores a 3.000 nas suas contas bancárias.

O crescimento dessa modalidade, –conhecida como “raspadinha” no Brasil–, fez cair a ficha britânica e lá foi lançada a “raspadinha” com prêmio vitalício.

O ganhador, mensalmente, recebe um prêmio, que dá para pagar o aluguel e o supermercado. Isto enquanto estiver entre nós. Morreu, acabou. Nada de transmissão por herança, ou melhor, vale o vetusto princípio romano de que com a “morte tudo termina”.
 
A implantação está em fase inicial  na Itália. Será aberta concorrência pública para a escolha da empresa operadora.

Na Polônia, Romênia e República Tcheca, a “raspadinha vitalícia”, no modelo britânico, chegará em breve. Como a situação econômica nesses países está difícil,  alguém puxar uma moeda para raspar a cartela poderá ser considerada uma sofisticação. Com tamanha dureza, a unha ganhará mais essa função.

No Brasil, ainda não ouvi falar nada a respeito. Por aqui, só se comenta a reabertura dos bingos e os empresários da indústria da jogatina querem o “liberou geral”, sem fiscalizações nas máquinas. Como antes de se descobrir que os jogos eletrônicos estavam em mãos mafiosas e as máquinas “viciadas”.

Só para lembrar, os jogos eletrônicos de azar começaram no Brasil com lavagem de dinheiro de cocaína colombiana, por Fausto Pelegrinetti (lavador internacional) e a sua equipe, como escrevi milhões de vezes: estava em vigor a chamada Lei Pelé.

2. No arco de 8 a 10 de julho de 2009, ocorrerá mais um encontro do G8.

o anfitrião do G8 de julho próximo

Berlusconi será o anfitrião do próximo encontro

O último G8 aconteceu em Londres, no último mês de março. Houve confronto dos que protestavam com a polícia e um manifestante morreu.

Silvio Berlusconi será o anfitrião do encontro de julho próximo. O evento está marcado para a cidade de Aquila, na região do Abruzzo, em fase de reconstrução depois de destruída pelas chamadas forças da natureza.

Neste final de semana, foram presas duas pessoas. Ambas acusadas de organizar, para o G8, uma associação subversiva, ramificada nas grandes cidades italianas: na Itália, o código penal tipifica, além de bandos armados, associações subversivas.

Os 007 da inteligência italiana temem a repetição do sucedido no G8 de Genova, em julho de 2001. Na ocasião, vários grupos de jovens enfrentaram a polícia: um jovem estudante acabou alvejado pela polícia e morreu tragicamente.

Em Genova, a polícia não estava preparada para enfrentar os manifestantes, a maioria estudantes a protestar contra o neoliberalismos. Naquele julho, a polícia estava preocupada com um iminente ataque da Al Qaeda (ocorreu em 11 de setembro nos EUA) e colocou os chefes de Estado ou de governo em navios, com vigilância total por terra, mar e ar.

Para julho próximo, os serviços de inteligência não temem um ataque alqaedista. As preocupações são com grupos de extrema direita e de esquerda. Os de extrema direita são os que mais cresceram.

Quanto  às duas prisões recém realizadas, houve surpresa. O preso Pierino Morlacchi é filho de um dos fundadores das Brigadas Vermelhas, grupo terrorista que atuou nos anos 70 e foi responsável pelo seqüestro e a execução do ex-premier Aldo Moro.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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