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29 de setembro de 2009

Czar antidrogas de Obama chega a Bogotá com discurso contra a Guerra às Drogas. Expectativa sobre como justificará as 7 futuras bases militares dos EUA

Obama e Uribe, pupilo de W.Bush

Obama e Uribe, pupilo de W. Bush

O czar antidrogas da Casa Branca, Gil Kerlikowske, inicia o seu périplo pela Colômbia e deverá dizer ao presidente Álvaro Uribe para não contar com o apoio de Barack Obama no que toca a ressuscitar o fracassado Plan Colombia.

Desde que assumiu, em maio passado, a responsabilidade como gestor das políticas sobre o fenômeno das drogas, Kerlikowske considera um grande equívoco a War on Drugs.

Depois de ter o nome aprovado pelo Congresso, o novo czar, em entrevista ao Wall Street Journal, desabafou: “Independentemente da maneira como se procura explicar para as pessoas que se cuida de uma guerra às drogas ou que se trata de uma ‘guerra’ a uma substância, os cidadãos percebem ser ela uma guerra contra as pessoas. E não devemos entrar em guerra com o povo deste país”: http://online.wsj.com/article/SB124225891527617397.html.

Numa das duas reuniões agendadas com Uribe, o czar Kerlikowske dirá que Obama, para a questão das drogas proibidas, privilegiará políticas voltadas para a redução da demanda. Ou seja, vai mudar o foco do governo anterior,  que optou  pela repressão militarizada e pela repressão judicial criminalizante.

Para reduzir a demanda, o czar Kerlikowske, que tem experiência na área policial, falará a Uribe sobre planos de incentivos a (1) cultivos substitutivos à coca e (2) aproveitamento, em atividades lícitas, da mão de obra atualmente empregada pelos potentes cartelitos, administrados por narcotraficantes colombianos.

Só para lembrar, 80% do cloridrato de cocaína (pó) disponível nos EUA tem origem colombiana.

Uribe mandou preparar para apresentar ao czar Kerlikowske um relatório detalhado sobre políticas de contraste ao narcotráfico que o governo colombiano pretende levar adiante. E, no relatório, pelo que se sabe, haverá registro sobre as polêmicas sete bases dos EUA, justificadas como necessárias ao combate ao narcotráfico e à guerrilha.

Pelo que se sabe, Kerlikowske não propõe o fim da repressão à oferta, mas considera ser o principal a redução da demanda. E o governo Obama, ao contrário de Bush, não apoiará o derrame de herbicidas em áreas de plantio de coca, dados os danos ecológicos irreversíveis: o ponto principal do Plan Colombia era o derrame, por aviões da DynCorp, do herbicida glifosato (no Brasil conhecido por Round-Up), fabricado pela multinacional Monsanto.

O czar Kerlikowske sabe muito bem da experiência calamitosa, e ruinosa em termos financeiros, do projeto de cultivo substitutivo que a ONU e os EUA experimentaram na Bolívia, na região do Chapare e no governo do falecido presidente Hugo Banzer.

Os agricultores bolivianos do Chapare não conseguiram escoar a safra substituta e suportaram prejuízos. Todo o projeto estava centrado no escoamento da safra para a Argentina, que, à época, mergulhou numa profunda crise econômica.

O czar sabe, também, do interesse geoestratégico americano, que procura disfarçar a presença bélica na Colômbia, com as novas bases militares, mediante o falso rótulo de combate às drogas.

PANO RÁPIDO. Como perguntar não ofende, coloco uma questão. Se a nova política de Obama privilegiará a redução da demanda, por que bases militares na Colômbia?

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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31 de julho de 2009

Novas bases militares dos EUA na Colômbia. Guerra às drogas serve de pretexto

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Já escrevi tanto que perdi a conta. Também falei em inúmeros foros internacionais — incluídos os sob o patrocínio das Nações Unidas (ONU) e da Organização dos Estados Americanos (OEA) — que a  War on Drugs é utilizada para esconder, camuflar, interesses geoestratégicos, geopolíticos e geoeconômicos.

No momento, os EUA e a Colômbia — como ficou acertado em Washington na visita feita por Álvaro Uribe a Barack Obama e a anteceder o G8 deste julho — cuidam de alinhavar o projeto de construção de três (3) bases militares em território colombiano: Palanquero, Malambo e Apiay.

As futuras bases de Malambo e Palanquero estarão em posição topográfica a permitir, sob o prisma militar,  ataques à Venezuela.

A terceira base, Apiay, permitirá o controle da região próxima à chamada Cabeça do Cachorro (onde o mapa do Brasil tem esse formato) e a cobrir o curso do venezuelano rio Orinoco, que corta área de extração de petróleo.

Quando teve de devolver o Canal do Panamá (1999), os EUA instalaram bases militares em Aruba (Antilhas Holandesas), Curaçao (Antilhas Holandesas), Iquitos (Peru) e Manta (Equador).  A motivação dada para as instalações: “Guerra às Drogas”.

Parêntese.  O atual presidente do Equador não renovou o acordo de cooperação com relação à base americana de Manta, daí mais três na Colômbia, fora a implantada, de fato, na Bolívia.

As novas três bases militares colombianas estão sendo implementadas com base no velho discurso: cooperação na luta contra as drogas. Pergunta-se: por que não deram certo as outras (Curaçao, Aruba, Iquitos e Manta) no que toca à redução de oferta ?

Como escreveu a brilhante jornalista Eliane Cantanhêde, na Folha de hoje, os governos do Brasil e da Espanha articulam reações conjuntas, a envolver a União Europeia e a Unasul (União de Nações Sul-Americanas), contra a intenção dos EUA de ampliarem sua presença militar na Colômbia.

O falido Plan Colombia, que consumiu US$ 5,0 bilhões em cinco anos, teve início para combater a oferta de cocaína, a partir da destruição de plantios de folhas de coca. No segundo mandato de Bush, o Plan Colombia mudou e voltou-se a reprimir e demonizar as Farc, que passaram a ser consideradas como uma organização terrorista e de exploração do narcotráfico.

PANO RÁPIDO. Para grande surpresa, o presidente Barack Obama continua, como os anteriores presidentes,  a querer controlar militarmente a América Latina. No México, a Guerra às Drogas do presidente Calderón tem apoio dos EUA.

Tudo começou no governo do presidente Ronald Reagan.

Reagan iniciou uma guerra às drogas sem limitação de fronteiras. Esse foi o pretexto dado para os EUA, na América Latina, que era considerada um seu quintal, combater o comunismo.

No particular, nada muda com Obama, cujo czar antidrogas da Casa Branca, ao assumir o cargo, sentenciou que o modelo militarizado de guerra às drogas não tinha dado certo. Parece que não é o que pensa Obama.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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27 de julho de 2009

Guerra às Drogas no México: mais de 7.700 mortos em ano e meio

massacres em Juarez

Guerra às drogas: massacres em Juarez

O presidente do México, Felipe Calderón, declarou guerra às drogas no primeiro dia do seu mandato, ou seja, em 1 de dezembro de 2006.

Para promover a “War on Drugs” mexicana,  Calderón recebeu apoio e recursos financeiros do então presidente americano George W. Bush. O mexicano Plan Mérida, feito a quatro mãos e que consistiu numa adaptação do falido Plan Colombia, também fracassou.

O apoio da sociedade civil mexicana, a princípio favorável à iniciativa de Calderon, foi retirado.

Não demorou para os mexicanos perceberem que os cartéis ganhavam a guerra e desmoralizavam o Exército, empregado no combate. Pior: civis inocentes eram a maioria das vítimas.

Em 2008, Calderón colheu o balanço de 5.600 mortos e 70% das vítimas não tinham relação com o tráfico de drogas, e nem com os cartéis. Balas perdidas mataram muito mais do que os projéteis disparados contra os narcos.

Hoje, já são mais de 7.700 mortes.

Neste fim de semana ocorreram 20 mortes só em Ciudad Juárez, que faz fronteira com a cidade americana de El Paso, no Texas.

Em Juárez atua o segundo cartel mais potente e violento do México: o primeiro leva o nome da cidade de Tijuana, na fronteira com a americana San Diego.

Só no ano de 2008,  e em Juárez, foram trucidados, nos violentos conflitos entre forças de ordem e cartel, exatos 1.600 mexicanos.

Na cidade de Chihuahua e no domingo passado, três pessoas foram metralhadas e mortas quando circulavam nos seus automóveis. Uma menina de 7 anos, transportada num dos automóveis, saiu ferida.

Para combater o Cartel de Juárez, o presidente Calderón conta com 36 mil homens, entre soldados do Exército e policiais especialmente selecionados. Antes do início da “War on Drugs” em Juárez, o efetivo policial era de 8.500 agentes.

PANO RÁPIDO. O presidente Calderón envolveu o Exército, pois a polícia mexicana é uma das mais corruptas do planeta.

Em várias cidades, Calderón mandou retirar as armas dos policiais e os afastou das atividades de policiamento de rua.

Os militares demonstraram não saber combater em centros rurais densamente habitados e a população civil restou exposta e alvo da violência.

Fora isso, a corrupção também atingiu setores militares.

O general do Exército e czar mexicano antidrogas, Robledo Gutierrez, estava no bolso do Cartel de Tijuana. Quando descoberto, ele apresentou uma justificativa, ou seja, tinha muitas amantes e precisava de dinheiro para mantê-las com luxo. Aí, o Cartel de Tijuana aproveitou para corrompê-lo.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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27 de maio de 2009

Interrogados os dez Prefeitos presos por ligações com o Narcotráfico.

.narco-general Gutierrez Rebolo

O presidente Felipe Calderon continua a guerra contra os potentes cartéis mexicanos.

Como não acredita na polícia, –que estaria no “bolso” dos narcotraficantes–, resolveu desarmá-la e empregar na repressão o Exército Mexicano.

Em operação sigilosa, o Exército, ontem, prendeu dez prefeitos de cidades do estado de Michoacan. Também foi aprisionado o secretário de segurança pública estadual Mario Bautista.

O governador de Michoacan, Leonel Godoy, disse nada saber a respeito de ligações  do secretário e dos dez prefeitos. Também afirmou que não tinha anterior conhecimento da operação do exército.

Os prefeitos encontram-se presos numa base militar. Na manhã de  hoje começaram os interrogatórios. Eles estão sendo acompanhados pelo procurador geral Eduardo Medina, que, em entrevista, admitiu que os cartéis de narcotraficantes “conseguiram penetrar nas raízes do estado”.

Na capital, advogados se movimentam para conseguir na Justiça a imediata soltura dos prefeitos. Eles contestam a legalidade e a veracidade do relatório de inteligência que fundamentou às prisões.

Não foi divulgado o nome do responsável pelo trabalho de inteligência. Pelo levantado por este blog Sem Fronteiras, não se trata de Protógenes Queiroz. Mais, eventuais pedidos de liminares de soltura não serão apreciados por Gilmar Mendes.

No México, não é novidade o envolvimentos de altas autoridades com narcotráfico. Isto foi bem mostrado no filme Traffic, um campeão de bilheterias.

PANO RÁPIDO. Em 1999, no escritório das Nações Unidas em Viena, participei de uma reunião sobre narcotráfico.

Dentre os participantes, estava o general Gutierez Rebolo (foto acima), então czar antidrogas mexicano. Participava, também, o responsável pela guarda e a conservação dos bens imóveis apreendidos de narcotraficantes colombianos, cujo nome não mais lembro.

Meses depois, o general Rebolo foi preso por ligações com o megacartel de Tijuana: ele é mostrado no filme Traffic e a produção conseguiu um sósia para fazar o papel. Rebolo é o general careca, um dos protagonistas do filme. No filme, a produção resolvê-lo matá-lo, para evitar problemas pois ainda não estava definitivamente condenado e poderia ingressar com ação indenizatórioa.

Na vida real, Rebolo está preso. Ele confessou a ligação com os cartéis de narcotraficantes. Até deu uma desculpa por ter se corrompido: tinha muitas amantes para sustentar.

O supracitado colombiano foi destituído do cargo de responsável pelos bens apreendidos com narcotraficantes. Ele havia colocado os seus familiares para morar nos magníficos apartamentos apreendidos.

Wálter Fanganiello Maierovitch

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6 de maio de 2009

Guerra às Drogas chega à Corte Internacional de Justiça de Haia.

cheirador de cocaîa

foto: cheirador de cocaína

O Plano Colômbia foi concebido no governo do democrata Bill Clinton, pelo general Barry Mc-Caffrey, herói de guerra no Vietnã e escolhido como czar antidrogas da Casa Branca, apesar de republicano.

O milionário e militarizado “Plan Colômbia” foi enfiado goela-abaixo do presidente Andrés Pastrana.

Para o general Mc-Caffrey, a solução seria a erradicação das folhas de coca, usadas como matéria prima na elaboração do cloridrato de cocaína.

Tudo muito simples, na visão do supracitado czar: sem coca, fim da cocaína.

Então, aviões da norte-americana Dyn Corp foram contratados para derramar herbicida nas áreas de cultivo da coca.

O herbicida escolhido e derramado por avião foi o “glifosato”, vendido pela Monsanto. É encontrado em supermercados brasileiros.

Para derramar o herbicida, a privada Dyn Corp embolsou US$ 170 milhões, em cinco anos de Plan Colombia.

Não se sabe quanto lucrou a Monsanto, pelas toneladas de glifosato despejadas.

Dispensável dizer que o Plano Colômbia foi um fracasso.

As áreas de plantio de coca migram, inclusive para o Peru e Bolívia. Até para as reservas e parques ecológicos colombianos, onde era proibida a fumigação. Clareiras foram abertas na floresta amazônica (lado colombiano) para o plantio de coca, ou seja, em áreas onde os derrames eram proibidos.

Segundos fotografias tiradas por satélite, o plantio migrou e, nos cinco anos de Plano Colômbia, as áreas continuaram do mesmo tamanho. Ou seja, nem um pé de coca a menos, embora em outras áreas.

Nada afetou a produção do cloridrato de cocaína. E em nenhum momento se verificaram “narinas ” consumidoras agitadas, pelo risco de abstinência. A indústria das drogas não foi abalada e os bolsos dos “barões” do tráfico não perderam nenhum centavo.

Os danos ecológicos foram enormes na Colômbia. Também no Equador, na região de fronteira. Os ventos carregaram os herbicidas para o território equatoriano. E as águas dos rios penetrantes, como o San Miguel, ficaram contaminadas pelo glifosato.

A população ribeirinha perdeu plantações e animais que bebiam nos rios contaminados pelo glifossato. Índios adoeceram. Muitos foram internados em hospitais, pela intoxicação.

Para se ter idéia, em 2004, quando o Equador tornou-se sede do concurso de miss Universo, os jardins da embaixada dos EUA foram invadidos por ativistas de direitos humanos. Referidos ativistas regaram os jardins com glifosato e todas as plantas secaram e morreram.

Com Rafael Correa na presidência, cuidou o Equador de tentar junto à Colômbia e aas EUA um ressarcimento amigável. Uma indenização pecuniária a ser distribuída à população afetada e, também, necessária para a recuperação ambiental.

Os entendimentos foram suspensos quando aviões colombianos, em 2008, invadiram o território do Equador e mataram Raul Reyes, segundo homem das Farcs (Forças Armadas Revolcionárias da Colômbia). Ele estava acampado em território do Equador, próximo à divisa com a Colômbia.

Agora, com relações diplomáticas interrompidas (as comerciais não estão suspensas), o presidente do Equador acaba de propor uma ação indenizatória contra a Colômbia, com pedido cumulativo de suspensão das fumigações em área próximo à fronteira. Pede-se à Corte de Haia estabelecer distâncias, de modo a se criar uma faixa de proteção.

As autoridades colombianas, a respeito da ação do Equador, já falam em estado de necessidade, ou seja, as Farc tinham colocado, na região de fronteira e debaixo dos arbustos de coca, minas explosivas. Tal situação impedia, segundo os colombianos, a erradicação manual.

Ontem, a Colômbia, pela embaixada na Holanda, foi citada para se defender. O prazo para contestar termina, pasmem, em março de 2010. Pelo jeito, vai demorar mais do que o chamado “processo do mensalão”, que tramita no nosso Supremo Tribunal Federal.

Pano Rápido. O governo do Equador foi à Corte Internacional de Justiça (conhecida por Corte de Haia), criada em 1945 e tem função arbitral, com relação aos conflitos nas fronteiras.

Quando se pretende dar solução militarizada para enfrentar o fenômeno das drogas, paga-se caro, em todos os sentidos. Até, indenizações são devidas e estas, por exemplo, independem do sucesso ou do fracasso de um Plano Colômbia da vida

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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24 de março de 2009

Hillary Clinton chega ao México para a Guerra às Drogas

Tags:, , - walterfm1 às 14:08
Hillary Clinton, secretária de Estado

foto:Hillary Clinton, secretária de Estado

No interior da maleta 007 que carrega uma  assessora, Hillary Clinton, –a poderosa secretária de Estado do governo Brack Obama-, tem disponível um longo relatório, com três itens destacados:

(1) a “war on drugs” deflagrada pelo ex-presidente Bush e pelo presidente mexicano Felipe Calderón causou 5.600 mortes, só no ano de 2008.

Mais da metade dos mortos eram de pessoas sem qualquer ligação com os potentes cartéis mexicanos ou com organizações criminosas menores.

(2) em 2009, até início de março, morreram na “guerra às drogas” 1.501 mexicanos.

Ainda não se sabe, ao contrário de 2008, quantos dos mortos tinham comprometimento com o narcotráfico realizado pelos cartéis:  tijuana, golfo, juarez, nova-laredo,etc.

(3) o milionário Plan Mérida faliu. Ele era uma adaptação do colombiano Plan Colombia e  substituiu-se, no trabalho de repressão, a corrupta polícia pelo Exército do México.

A secretária de estado Hillary Clinton, –amanhã e na reunião com Calderón–, irá anunciar o envio de um contigente de agentes federais para pontos da fronteira. Lógico, do lado norte-americano por onde passam cocaína, maconha, armas, munições, heroína, clandestinos e refugiados da guerra às drogas.

O conservador Felipe Calderón tomou posse no cargo de presidente em dezembro de 2006 e fez campanha focada no combate aos potentes cartéis de narcotraficantes.

A vitória de Calderón foi contestada pelos correligionários de Lopez Obrador, da esquerda progressista e apelidado de El Peje. Em razão disso, Calderón, no dia seguinte à posse, deu início à “war on drugs”, em parceria com Bush.

Assim, conseguiu Calderón desviar o foco do debate, que era a fraude nas apurações. Algo, aliás, da tradição mexicana, que teve um único partido político (PRI) a controlar o poder durante 21 anos.

No início da “war on drugs” da dupla Calderón-Bush teve o apoio da população. E o presidente Calderón passou a contar com elevado porcentual de aprovação, revertendo o quadro de suspeitas, pelas fraudes eleitorais: 300 mil pessoas, na Praça da Constituição, tinham estado na manifestação voltada a dar, de fato, “posse” a Lopez Obrador.

Diante do número de mortes de civis inocentes e das derrotas impostas pelos cartéis, Calderón despencou em prestígio. E não colou mais o seu discurso de a “war on drugs” haver levado à prisão 45 mil suspeitos de ligações com os sete maiores cartéis mexicanos. Ou melhor, ele não convenceu os cidadãos da veracidade das suspeitas e da utilidade de arrestar “peixes menores”.

Mais ainda, os mexicanos não aceitam a matança a cidadãos inocentes promovida por Calderón, que já deveria ter entrado na mira do Tribunal Penal Internacional (TPI).

PANO RÁPIDO. Há grande expectativa quanto à visita de Hillary Clinton.

Sabe-se que ela irá dizer que o governo Barack Obama tem uma nova estratégia para reforçar as relações com os países latino-americanos, a incluir acordos no campo das drogas proibidas.

Essa nova estratégia, no entanto, caberá a Obama propor, em abril e por ocasião à Cúpula das Américas, que será em Trinidad e Tobago.

Pela rádio-corredor da Casa Branca comenta-se que Obama oferecerá ao México um grupo de especialistas para ajudar na luta contra as drogas. Se for isso, nenhuma mudança, pois o Plan Mérida foi, como o Plan Colômbia, feito pelos tais “especialistas” norte-americanos.

Em abril, pouco antes da Cúpula das Américas, o governo norte-americano enviará ao México o procurador-geral Eric Holden, que está preocupado com o fato de os conflitos e a violência já terem ultrapassado a fronteira do México, ou seja, migrado  para as cidades norte-amerianos.

A agenda de Holden vem carimbada como uma visita a tratar de tema que interessa à segurança interna dos EUA.

Holden  sabe bem que os cartéis e os bandos armados mexicanos usam armas e munições compradas nos EUA.

Wálter Fanganiello Maierovitch.

………………………………………….

Pano Rápido, diretamente do México, pelo Thalles.

  • Espero que as coisas mudem com a visita a Hillary , aqui no México as coisas realmente estão assustadoras, moro no norte do pais desde 1997 e as cidades já estão tomadas pelos carteis. Sábado em uma reunião com amigos Mexicanos saiu o comentário de um amigo que viu uma pessoa morta no carro em uma avenida movimentada aqui de Monterrey (2 horas da fronteira com os EUA) isso as 10 da Noite e percebemos que essas coisas estão cada vez mais freqüentes e que a pessoas se acostumando aos fatos.

    Hoje o México anunciou recompensas altíssimas por informações sobre os chefes dos cartéis. E isso que estou perto da fronteira, as coisas nas cidades da fronteira está ainda piores.

    Comentário por Thalles — 24 de março de 2009 @ 15:57

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    19 de fevereiro de 2009

    O proximo Presidente do México será um Narcotraficante.

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    Ontem, o ministro da economia do México, Gerardo Ruiz Mateos, afirmou, em Paris, que “o próximo presidente do México será um narcotraficante”. Ele está em visita oficial à França.

    A sua afirmação objetivou criar impacto e sensibilizar a União Européia a apoiar a “war on drugs” (guerra às drogas) iniciada pelo presidente mexicano Felipe Calderon.

    Uma guerra que teve início logo no primeiro dia da posse de Calderon (1/12/2006) e contou com a parceria do então presidente Bush, que bancou o já fracassado Plan Mérida: uma cópia adaptada  do falido Plan Colombia.

    Com Bush fora, o ministro da Economia, Gerardo Ruiz Mateos, corre em busca de recursos financeiros para essa aventura de Calderon.

    Para se ter idéia, essa “guerra” mexicana provocou, em 2008, cerca de  4 mil  mortes e grande parte das vítimas eram civis inocentes.

    No funesto balanço fechado até a primeira quinzena de fevereiro de 2009, já são 5 mil mortos.

     Por considerar a polícia corrupta e cooptada pelos potentes cartéis mexicanos, o presidente Calderon recolheu as suas armas de fogo e colocou o exército do México para executar a repressão ao tráfico de drogas proibidas. Assim, Calderon militarizou o combate aos cartéis que atuam, principalmente, no repasse de cocaína colombiana para os EUA.

    Os cartéis mais combatidos são os de Tijuana, Golfo, Juarez, Sinaloa, Nova Laredo e Reynosa.

    Segundo o governo, mais de 500 mil mexicanos estão envolvidos no tráfico ilegal de drogas.

    Até Laura Zuniga, de 23 anos e eleita miss Sinaloa e miss Hispano-Americana, foi presa por ligações com o narcotráfico.

    Ontem, centenas de cidadãos mexicanos bloquearam as principais passagens na fronteira entre México e EUA.

    O bloqueio, conforme revelaram as faixas exibidas pelos manifestantes, foi para protestar contra os abusos e violências perpetradas pelo exército, a título de guerra aos cartéis e às drogas.

    Os mexicanos que protestaram na fronteira bateram na tecla de uma “war on drugs” onde as conseqüências são suportadas por civis sem nenhuma vinculação com o narcotráfico.

    Para o governo, os bloqueios das passagens de fronteiras foram organizados a mando dos cartéis.

    Os manifestantes, em protesto, bloquearam as passagens nas fronteiras das cidades de Juarez, Reynosa e Nova Laredo (a cidade com recorde mundial de jornalistas assassinados por narcotraficantes). Na cidade industrial de Monterrey, várias rodovias utilizadas para escoamento de produção foram bloqueadas.

    Organizações não governamentais de proteção aos direitos humanos manifestaram-se no sentido da legitimidade dos protestos, pois, efetivamente, civis estão a suportar abusos promovidos pelas forças de ordem do governo mexicano. De se acrescentar: até agora os cartéis estão a vencer o Estado e os resultados, em termos de perda de vidas, são desesperadores.

     Na “war on drugs” mexicana, o exército emprega 40 mil soldados e todo o seu equipamento de guerra, como, por exemplo, helicópteros, aviões e blindados.

    No início da “war on drugs” mexicana, o presidente Felipe Calderon contava com apoio da sociedade civil. Era uma sua promessa de campanha. Calderon, acusado de ter se beneficiado da fraude nas apurações dos votos, tentou, logo no primeiro dia do mandato, desviar o foco e conquistar a população. Para isso, deu início à “war on drugs”, com apoio dos EUA e das agências norte-americanas Cia e Dea.

    A sociedade civil, no entanto, já questiona a opção bélica de Calderon.  Ainda, preocupa-se com a informação oficial sobre o grau de corrupção das polícias.

    No final de 2008, o ministro da defesa Guillermo Galvan, consoante entrevista ao jornal “El Universal”, noticiou  que num grupo de três narcotraficantes a serviço dos cartéis, um dos integrantes passou regularmente e foi treinado pelas Forças Armadas.

    Com efeito, teve grande repercussão a afirmação feita em Paris pelo ministro da Economia do México, no sentido de o próximo presidente poder ser um narcotraficante.

    Para o ministro da Economia, isso só não acontecerá se o país se empenhar ao máximo para acabar com o narcotráfico, ou seja, com a sutileza de tanque-de-guerra ele abriu caminho para receber ajuda financeira internacional, pois, com relação aos EUA, a “fonte Bush” secou.

    O referido ministro Ruiz Mateos elogiou o presidente Calderon e a sua última determinação de aumentar para 45 mil o número de militares do Exército na sua “guerra às drogas”: mais 5 mil soldados, a juntar aos 40 mil em atuação.

    PANO RÁPIDO. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, começou com a mesma fúria populista de Felipe Calderon. Ou seja, com ações espetaculares contra narcotraficantes nas favelas, apesar do altíssimo risco para os seus moradores.

    Os moradores das favelas que eram objeto da “pirotecnia” de Cabral ficaram, pela irresponsabilidade do governador, no meio do fogo cruzado entre traficantes e policiais. Mais, depois de rápidas ações de guerra, daí a “pirotecnia populista”, as tropas deixavam os morros e os traficantes voltavam a controlar os territórios.

    Felizmente, o governador Cabral percebeu e considerou os riscos à população pobre e, hoje, desenvolve projeto de retomada não violenta do poder do estado nessas supracitadas áreas. À época, as ações militarizadas  de Cabral, por evidente, contaram com o apoio dos endinheirados e da classe média. Lógico, a elite não mora nos morros e nas favelas nas quais a população esteve sob fogo-cruzado.

    Wálter Fanganiello Maierovitch.

    …………………………………………………………………………………….

    Pano Rápido do JEOVÁ BARROS de A JÚNIOR, diretamente de Recife.

    Caro Walter,
    seu companheiro de kombi tem formação jurídica; minha monografia de conclusão de curso foi justamente sobre a descriminalização das drogas; isso nos idos de 2002, na amada capital pernambucana.

    Desde então, sempre acompanho as notícias sobre este assunto, que muito me interessa, por ser tão cheio de polêmicas, caminhos, penhascos e tudo que tem direito.
    A política da “war on drugs” está falida (aliás, sempre foi):

    a) aumenta o lucro do traficante (lei do mercado: quanto maior o risco, maior o lucro);

    b) fomenta a corrupção estatal (polícia, judiciário e outras instituições);

    c) incentiva a violência, já que, por ser uma atividade ilegal, todo e qualquer conflito de interesses não pode ser levado ao poder judíciário (então, vale a lei do exercício das próprias razões; a lei do meis forte);

    d) em decorrência da alínea c, alimenta-se também o mercado ilícito das armas;

    e) o estado, ao invés de arrecadar impostos, o que seria possível com a legalização, põe dinheiro num saco furado, pois não há dinheiro que chegue;

    f) a corda só arrebenta do lado mais fraco e, logo, quem vai para prisão, sempre, é o pequeno;

    g) o aumento da população carcerária tem sido, na verdade, instrumento de controle social dos excluídos (isso tem ajudado a resolver o problema habitacional, dizem as más línguas);

    h) em alguns países, tem servido como desculpa para intervenções internacionais, quando, na verdade, é sabido que por trás há um verdadeiro interesse geopolítico.

    Bem, acho que ainda poderíamos enumerar outros motivos para sermos contra a políctica da “war on drugs” e, como diz o Moisés Naim, em seu livro “Ilícito”, as drogas não podem ser tratadas com moralismo, mas sim com política.

    Mas, ao mesmo tempo, sabemos que a legalização pode se tornar um tiro no pé… Sendo assim, para aonde iremos nós, os passageiros da kombi?!

    Gostaria muito de saber a sua opinião sobre tema tão rico e delicado.

    Com a estima de sempre.

    Jeová Barros de A. Júnior — 19 de fevereiro de 2009 @ 19:41.


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