Terra Magazine

14 de novembro de 2009

Maconha Terapêutica: cai a última resistência. American Medical Association aprova o uso.

De Roma, para TERRA MAGAZINE.

A American Medical Association (AMA) é a mais importante, a maior e, também, a mais conservadora dentre as entidades que congregam médicos dos EUA.

Por duas vezes, a AMA já havia recomendado às autoridades sanitárias e aos parlamentares para não excluírem a ‘marijuana’ do elenco da Tabela I, ou seja, das substâncias proibidas, como a heroína e a cocaína.

A reviravolta, –e esse é o assunto do dia entre os especialistas e operadores europeus–, ocorreu depois da aprovação do uso terapêutico da maconha pela American College of Physicians e da adoção, em cerca de 15 estados norte-americanos, de programas de uso médico-terapêutico da erva canábica.

Na verdade, Bush já era, Obama logo no primeiro dia de Casa Branca proibiu a policia federal de prender usuários de maconha para fim terapêutico e várias unidades federativas, há anos e por meio de leis estaduais, admitem o emprego, com receita médica.

Fora isso, existe a experiência européia, onde até sachê com a erva natural pode ser comprado em farmácias, para infusão, segundo adverte hipocritamente o rótulo. Ainda, o comércio exportador de maconha, para finalidade terapêutica, cresce em progressão geométrica. As associações médicas, constituídas para a importação e posterior  liberação aos clientes-pacientes, proliferam nos EUA.

No comunicado favorável ao consumo terapêutico da maconha, a AMA não abdicou do seu lado conservador. Dele consta que a aprovação, pela AMA, refere-se ao emprego para fim médico-terapêutico e não aval aos programas existentes e praticados nos estados-federados.

PANO RÁPIDO.  O responsável pelas relações do governo Obama com as associações que desenvolvem projetos sobre políticas para o emprego de marijuana (Marijuana Policy Project), avaliou como histórica a decisão da AMA.

Para Aaron Houston, diretor responsável do supracitado órgão de correlação, - “A classificação da maconha junto às drogas pesadas não é apenas cientificamente insustentável. Isto porque a avalanche de dados científicos estão a mostrar o quanto é seguro e eficaz o emprego dessa erva contra a dor crônica e contra várias doenças. Mais ainda, a colocação na Tabela I, até hoje, tem sido um grande obstáculo para a pesquisa científica”.

Hoje cedo, desci na estação ‘Colosseo’ do metrô de Roma para dar uma olhada na passeata programada contra o Berlusconi (amanhã comento): mais um sempre ajuda, embora brasileiro. E serve, também, para dar uma força para os avós italianos que, do céu e das suas campas não param de gritar: “Berlusconi Vaffanculo” .

Fora da estação e próximo a um jardim, senti um forte odor de maconha. Fiquei com a impressão que ferozes combates continuam a atuar na arena do Coliseu e alguns deles, feridos por lanças, espadas e feras selvagens, devem estar a fazer uso terapêutico de maconha, para inibir as dores. 

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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17 de agosto de 2009

O duplo efeito da maconha. Combate à osteoporose da terceira idade, mas enfraquece ossos de jovens.

crachá oficial de usuária de maconha, na Califórnia.

crachá oficial de usuária de maconha, na Califórnia.

O uso da maconha para fins terapêuticos é legalizado em vários países e as pesquisas científicas avançam em progressão geométrica.

No Canadá é o próprio Estado que cultiva a maconha e disponibiliza aos necessitados a erva mediante apresentação de receita médica.

Como já mencionamos em outros textos publicados neste blog, na Califórnia o serviço público de saúde fornece um crachá de identificação de usuário, para evitar incômodos policiais.

A última novidade sobre o emprego da maconha para finalidade médico-terapêutica vem da Escócia.

Trata-se de uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Edimburgo. A pesquisa ainda está em curso, mas já foi vencida a fase de emprego de ratos.

Duas conclusões contrastantes foram notadas.

Para os idosos, o consumo de maconha ativa uma molécula existente no corpo humano, o receptor CB1, coenvolto no desenvolvimento da degenerativa osteoporose.

Com a ativação canábica — sempre em pessoa idosa —, impede-se a formação de acúmulo de gordura responsável pela osteoporose, que arruína progressivamente os ossos.

No jovem o efeito é contrário, concluem, nesta fase da experiência, os pesquisadores.

O uso da maconha, em jovens, tornam mas frágeis os ossos do fêmur e da tíbia. Em outras palavras, os referidos ossos, na idade de crescimento do jovem, desenvolvem-se com mais fragilidade.

Os estudos com ratos de cobaia, geneticamente privados do receptor, demonstraram alto risco de crescimento ósseo mais fraco do que o normal.

A pesquisa acaba de ser publicada pela revista científica Cell Metabolism. O chefe do departamento de reumatologia da supracitada universidade escocesa deixou alertado: “Foram apresentados resultados parciais, mas ampliando os testes poderemos conquistar novos mecanismos para combater a osteoporose nos adultos”.

PANO RÁPIDO. As políticas proibicionistas no Brasil desmotivam estudos e pesquisas, no que diz respeito à maconha.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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8 de maio de 2009

Maconha vira salvação da lavoura e Obama fica com batata-quente.

Governador da quebrada Califórnia.

Governador da quebrada Califórnia.

O governador Arnold Schwarzenegger, do partido republicano, disse ontem que chegou a hora de o seu estado, a Califórnia, discutir a legalização da maconha para uso recreativo.

Fim recreativo, afirmou Schwazenegger. Isto ao site da CBS. E lúdico-recreativo porque, desde 1996, uma lei da Califórnia autoriza o consumo médico-terapêutico, sob controle do estado. O próprio estado fornece um crachá de identificação, para evitar incômodos policias ao usuário: confira imagem acima.

Schwazenegger, ao falar em legalização dá um claro sinal à bancada parlamentar republicana. Ou seja, o governador não se opõe à aprovação do projeto do deputado Tom (Tony) Ammiano, protocolado em abril: confira abaixo matéria do blog Sem Fronteira, postada no mês março sobre o projeto que seria apresentado.

Pelo texto do projeto de lei do deputado Ammiano, a maconha seria equiparada às bebidas alcoólicas e tributadas a cultivação e o comércio.

Como já informamos neste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine, a legalização da maconha permitiria ao estado da Califórnia a arrecadação de US$1,3 bilhões por ano. Essa arrecadação, segundo cálculo inserto no projeto de lei do deputado Tony Ammiano, decorreria da tributação imposta, ou seja, US$50 por onça (28 gramas).

Convém registrar, –com relação à comercialização da maconha para fins terapêuticas–, que o estado da Califórnia fatura anualmente US$200 milhões. De olho nesse tipo de receita, nos estados de Minnesota, New Hamoshire e Rhode Island, tramitam em regime de urgência projetos legislativos para autorizar o consumo de maconha para finalidade médico-terapêutica.
O governador Schwazenegger afirmou, também, “estar pronto a avaliar qualquer idéia voltada a criar receitas extras”.  E essa última afirmação foi feita em acréscimo à anterior: -“Penso ter chegado o momento de iniciar o debate sobre a legalização da maconha para consumo recreativo”.

No momento, o estado da Califórnia está deficitário. O rombo no cofre estadual vem sendo estimado em US$42 bilhões.

Caso a Califórnia aprove a lei a fim de  liberar a maconha para consumo lúdico-recreativo, a “batata-quente” vai parar nas mãos do presidente Barack Obama. Isto porque é da exclusiva competência legislativa federal a matéria sobre drogas proibidas. A pergunta que circula é se Obama, como fez Bush, proporá ação na Suprema Corte para que se declare a inconstitucionalidade da lei estadual da legalização da maconha.

 

Obama, flagrado com cigarro de tabaco

Obama, flagrado com cigarro de tabaco

O silêncio de Obama (no caso de não acionar a Suprema Corte) implicará em aprovação. Em outras palavras, o estado que quiser poderá liberar, por lei local.

Só para lembrar, o ex-presidente George W. Bush postulou o pronunciamento da Corte quando a Califórnia liberou, mediante prescrição médica, a venda da maconha. A Corte, em caso concreto, entendeu não poder o estado-federado legislar sobre drogas. Com isso, Bush colocou a polícia federal para reprimir o uso terapêutico na Califórnia, mas logo recuou em razão da reprovação popular.
Pano Rápido. Na quebrada Califórnia, a maconha poderá ser a salvação da lavoura.

Wálter Fanganiello Maierovitch.
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Retrospectiva, em 16 de março de 2009.

A crise pegou em cheio a Califórnia do governador Arnold Schwarzenegger. Nunca houve taxa tão alta de desemprego e até já se pensa, nas escolas, em aulas só quatro dias da semana.
Por causa dos tempos bicudos, Schawarzenegger conseguiu aprovar uma lei que lhe autoriza a cortar temporariamente a prestação de alguns serviços públicos. Enquanto isso, os californianos exigem criatividade dos dirigentes para reduzir os efeitos negativos da crise financeira em curso.
Como todos falam em criatividade, o deputado californiano Tom Ammiano resolveu dar a sua contribuição e quer ver aprovado o seu projeto de lei que levaria aos cofres públicos, todo o ano, mais de US$1,3 bilhão.
O projeto de Ammiano parte da liberação da maconha e de derivados para uso lúdico-recreativo, com o monopólio da venda canábica reservado exclusivamente ao estado da Califórnia.
Ammiano fala em liberação para emprego recreativo uma vez que a Califórnia, desde 1996, permite o uso da maconha para fins terapêuticos. Para evitar problemas com a polícia nas ruas e nas praças, o próprio estado fornece um crachá para identificar os autorizados a consumir maconha.
O mercado da maconha-terapêutica é controlado pelo estado californiano. E a Califórnia, por ano, vende US$200 milhões de maconha para finalidade médica-terapêutica. Como se percebe pela cifra, trata-se de uma terapia muita apreciada pelos pacientes, que são obrigados a exibir receita médica para obter a maconha.
Segundo Ammiano, e desde que aprovado seu projeto chamado Marijuana Control, Regulation and Education Act, cada cigarro de maconha será vendido por US$1,0, “uma bagatela”, acrescenta.

Usuária terapêutica

Usuária terapêutica

Pelo projeto, o cigarro canábico só poderá ser vendido a maiores de 21 anos de idade.
O momento político é favorável, propala Ammiano. Isto porque Barack Obama acabou com a linha dura da administração Bush para as drogas. E o novo czar antidrogas da Casa Branca, o policial Gil Kerlikowske (foi chefe de polícia de Seatle), avisou que a perseguição a usuários de drogas não fará parte das suas prioridades.
Os conservadores estão assustados com o projeto de Ammiano que aposta todas as fichas, para a Califórnia sai da crise financeira, na liberação, regulamentação e taxação da venda da maconha.
Para atacar o projeto de lei, os supracitados conservadores falam que já têm problemas graves com o consumo abusivo de bebidas alcoólicas. E frisam não quererem arcar com custosas despesas em face da dependência da maconha. Destacam, ainda, não desejarem correr riscos por terem de interagir com pessoas sob efeito de maconha.
PANO RÁPIDO. A polêmica está aberta na Califórnia.
De se ressaltar que ninguém contesta a venda de maconha para emprego terapêutico.
Só Bush implicava com isso e promoveu, junto à Corte Suprema de Justiça dos EUA, uma ação judicial. Sua tese, acolhida pela Corte Suprema, era de que apenas a lei federal poderia cuidar da liberação de drogas.
Os estados-federados com leis a autorizar o uso terapêutico da maconha fizeram de conta que a decisão da Corte Suprema não era para eles. Dentre esses estados, figura a Califórnia.
No Brasil, a lei não permite o uso terapêutico da maconha, uma das evidências de como nossa política sobre o fenômeno das drogas é atrasada e preconceituosa.

Wálter Fanganiello Maierovitch

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17 de março de 2009

Crise Financeira: maconha para salvar a Califórnia

crachá de usuária de maconha terapêutica

crachá de usuária de maconha terapêutica

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A crise pegou em cheio a Califórnia do governador Arnold Schwarzenegger. Nunca houve taxa tão alta de desemprego e até já se pensa, nas escolas, em  aulas só quatro dias da semana.

Por causa dos tempos bicudos,  Schawarzenegger conseguiu aprovar uma lei que lhe autoriza a cortar temporariamente a prestação de alguns serviços públicos. Enquanto isso, os californianos exigem criatividade dos dirigentes para reduzir os efeitos negativos da crise financeira em curso.

Como todos falam em criatividade, o deputado californiano Tom Ammiano resolveu dar a sua contribuição e quer ver aprovado o seu projeto de lei que levaria aos cofres públicos, todo o ano, mais de US$1,3 bilhão.

O projeto de Ammiano parte da liberação da maconha e de derivados para uso lúdico-recreativo, com o monopólio da venda canábica reservado exclusivamente ao estado da Califórnia.

Ammiano fala em liberação para emprego recreativo uma vez que a Califórnia, desde 1996, permite o uso da maconha para fins terapêuticos. Para evitar problemas com a polícia nas ruas e nas praças, o próprio estado fornece um crachá para identificar os autorizados a consumir maconha.

O mercado da maconha-terapêutica é controlado pelo estado californiano. E a Califórnia, por ano, vende US$200 milhões de maconha para finalidade médica-terapêutica. Como se percebe pela cifra, trata-se de uma terapia muita apreciada pelos pacientes, que são obrigados a exibir receita médica para obter a maconha.

Segundo Ammiano, e desde que aprovado seu projeto chamado Marijuana Control, Regulation and Education Act, cada cigarro de maconha será vendido por US$1,0, “uma bagatela”, acrescenta.

Pelo projeto, o cigarro canábico só poderá ser vendido a maiores de 21 anos de idade.

O momento político é favorável, propala Ammiano. Isto porque Barack Obama acabou com a linha dura da administração Bush para as drogas. E o novo czar antidrogas da Casa Branca, o policial Gil Kerlikowske (foi chefe de polícia de Seatle), avisou que a perseguição a usuários de drogas não fará parte das suas prioridades.

Os conservadores estão assustados com o projeto de Ammiano que aposta todas as fichas, para a Califórnia sai da crise financeira, na liberação, regulamentação e taxação da venda da maconha.

Para atacar o projeto de lei, os supracitados conservadores falam que já têm problemas graves com o consumo abusivo de bebidas alcoólicas. E frisam não quererem arcar com custosas despesas em face da dependência da maconha. Destacam, ainda, não desejarem correr riscos por terem de interagir com pessoas sob efeito de maconha.

PANO RÁPIDO. A polêmica está aberta na Califórnia.

De se ressaltar que ninguém contesta a venda de maconha para emprego terapêutico.

Só Bush implicava com isso e promoveu, junto à Corte Suprema de Justiça dos EUA, uma ação judicial. Sua tese, acolhida pela Corte Suprema, era de que apenas a lei federal poderia cuidar da liberação de drogas.

Os estados-federados com leis a autorizar o uso terapêutico da maconha fizeram de conta que a decisão da Corte Suprema não era para eles. Dentre esses estados, figura a Califórnia.

No Brasil, a lei não permite o uso terapêutico da maconha, uma das evidências de como nossa política sobre o fenômeno das drogas é atrasada e preconceituosa.

Wálter Fanganiello Maierovitch

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