
imagem: guerra às drogas.
Ensinam os livros de botânica que no planeta foram identificadas até agora 80 mil plantas. Desse universo, 4 mil possuem propriedades psico-ativas.
Apenas sessenta plantas com tais propriedades são utilizadas pelo homem. Dentre elas, a maconha, a folha de coca, a papoula (da coroa de sustentação das pétalas é extraído ópio, que em grego quer dizer suco), o café e o chá. A utilização, muitas vezes, é para fins medicinais, terapêuticos.
O uso lúdico, recreativo, perde-se no tempo. O historiador Heródoto, que viveu no século V antes de Cristo, escreveu no quarto volume da sua obra de nove, sobre o uso ritual, em cerimônia fúnebre, de uma planta nativa. Sementes e folhas dessa planta eram queimados numa barraca fechada onde jazia o corpo. Apenas os homens podiam ingressar e ao inalar a fumaça sentiam um alívio e a dor da perda era abrandada.
Com efeito. O campeão Michael Phelps usou um recipiente de vidro para tragar maconha e acabou fotografado por uma câmara de aparelho celular. Tal fato ocorreu numa festa de universitários na Carolina do Sul. Meses depois do consumo, a foto Phelps foi publicada. Lógico, acabou vendida e revendida por uns bons trocados.
No país da falida política da “ war on drugs”, que acredita numa vexatória pena-castigo para inibir a demanda, Phelps acabou punido. Até pela federação de natação, que lhe aplicou três meses de proibição de competir, fora a publicidade da sanção.
Um dos seus patrocinadores, a cereais Kellogg, rescindiu o contrato. Nobre ato, ao invés de auxiliar Phelps e dar uma força no compromisso público de que o fato não irá se repetir, a Kellog preferiu romper o contrato, a mostrar grande sensibilidade humanitária, até por a prestigiar a “war on drugs”.
Até agora, nenhuma punição foi imposta aos que idealizaram e aos governos que adotam a equivocada política da “war on drugs”. Uma política que os EUA impuseram para as Nações Unidas na Convenção de Nova York de 1961. Ela continua em vigor, pois ainda não se alterou a referida convenção. Só que desde a sua adoção e implantação, os norte-americanos tornaram-se campeões mundiais de consumo de drogas relacionadas como proibidas.
No caso Phelps, sancionado sem a prova da materialidade e com base numa confissão, o xerife da Carolina do Sul resolveu agir dentro das regras da “war on drugs” de punir exemplarmente a todos.
O xerife prendeu sete jovens acusados de posse de maconha na tal festa que participou Phelps. Por evidente, o xerife não conseguiu apreender a porção de maconha que estaria, à época, na posse deles. Mas, na “war on drugs” vale até presunção de posse, sem prova do fato material, ou seja, a apreensão da substância proibida e a prova químico-toxicológica da presença do componente ativo: tetra-hidro-cannabinol, com relação à maconha.
Não bastasse, acabou preso, também, um jovem universitário que não estava na festa. Seu crime: era dono do recipiente de vidro usado, como cachimbo, para Phelps tragar a erva canábica.
Segundo o xerife, o dono do recipiente tinha mandado alguém portá-lo à festa para vendê-lo a algum interessado.
PANO RÁPIDO. Para os fundamentalistas da “war on drugs”, estribada na busca de um usuário culpado, não haveria tráfico sem demanda.
Esse truísmo tolo, de matriz religiosa, poderia ser aplicado a várias outras hipóteses. Por exemplo, não haveria cloridrato de cocaína se não existissem insumos químicos. Que tal fechar a indústria química, já que não se consegue fiscalizá-la ? Algum estulto proporia isso ?
Custa muito perceber, e não adianta citar Heródoto, que não existe sociedade sem drogas. Quando ao consumo, é uma questão de saúde pública, sócio-sanitário, e não criminal.
Como o tráfico de drogas ilícitas movimenta cerca de US$ 400 bilhões anualmente no sistema bancário internacional, poderíamos aplicar outro truísmo burro a levar ao fechamento dos bancos.
–Wálter Fanganiello Maierovitch–
……………………………………………………………………………………
PANO RÁPIDO de dois comentaristas,
1.Olá Dr. Walter
No blog do jornalista Luis Nassif, Antonio Carlos Fon comentou um post sobre o assunto, contando um episódio da época em que você era o czar anti-drogas do governo FHC.
O endereço do post é http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/02/12/fhc-e-as-drogas/
Que tal um comentário sobre isso, confirmando ou negando?
OTON.
2. Caro Oton,
Essa é uma missão, com certeza, para a famosa caneta-falante Concetta Rompicoglione…
Abraços do também leitor assíduo,
Danilo.
RESPONDE a caneta-falante Concetta Rompe-coglioni.
Prezados senhores Oton e Danilo, que me convocou a mostrar sua vocação de rompe-coglioni ou seria apenas um Danilo Rompe-scatole ?
O fato noticiado pelo jornalista Antonio Carlos Fon, –que infelizmente não encontro desde aquele jantar–, ocorreu.
Exatamente como informou o Fon no blog do Nassif.
O objetivo, quando o prof.Wálter era secretário nacional, conistia em transformar a posse de drogas para uso próprio em infração administrativa.
Ou seja, infração administrativa e não criminal.
O porte para uso próprio seria uma proibição administrativa, como, por exemplo, não estacionar em fila-dupla, não jogar lixo na rua, etc.
Portugal trilhou esse caminho, tem legislação. O Brasil ficou para trás.
Espantoso, depois de mais de 10 anos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso falar em não criminalização.
Algo que FHC não teve peito (não vou nem falar em coglioni) para fazer, pois rezava pela cartilha dos americanos, que não aceitavam a não criminalização.
Aliás, FHC, no fim de mandato, deixou escrito uma política nacional antidrogas, que copiava a norte-americana, como denunciou o prof. Wálter no blog do Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo, e no próprio jornal Folha de S.Paulo.
A lei de drogas, que FHC pediu para tramitar em regime de urgência e conseguiu, depois de elogiá-la publicamente, foi vetada por ele em 80%.
FHC descobriu que a velha-lei era melhor do que a nova. A nova, que ele disse ser ótima e depois acordou para a realidade, sancionava o usuário com cadeia ou interdição de direitos, de modo a impedi-lo de casar, exercer comércio, abrir conta-corrente em banco, etc, etc.
Como o prof.Wálter já escreveu, FHC, em matéria de política de drogas, é um cego com a pretensão de dirigir cegos.
No meu modo de ver, eu que levo o honroso sobrenome Rompe-coglioni, poderia até afirmar, –respeitosamente e já dado que testemunhei tudo do bolso de paletós e camisas–, que o ex-presidente FHC não é um Rompe-coglioni, mas um “furbo-bundão”
Concetta Rompe-coglioni