Terra Magazine

27 de julho de 2009

Guerra às Drogas no México: mais de 7.700 mortos em ano e meio

massacres em Juarez

Guerra às drogas: massacres em Juarez

O presidente do México, Felipe Calderón, declarou guerra às drogas no primeiro dia do seu mandato, ou seja, em 1 de dezembro de 2006.

Para promover a “War on Drugs” mexicana,  Calderón recebeu apoio e recursos financeiros do então presidente americano George W. Bush. O mexicano Plan Mérida, feito a quatro mãos e que consistiu numa adaptação do falido Plan Colombia, também fracassou.

O apoio da sociedade civil mexicana, a princípio favorável à iniciativa de Calderon, foi retirado.

Não demorou para os mexicanos perceberem que os cartéis ganhavam a guerra e desmoralizavam o Exército, empregado no combate. Pior: civis inocentes eram a maioria das vítimas.

Em 2008, Calderón colheu o balanço de 5.600 mortos e 70% das vítimas não tinham relação com o tráfico de drogas, e nem com os cartéis. Balas perdidas mataram muito mais do que os projéteis disparados contra os narcos.

Hoje, já são mais de 7.700 mortes.

Neste fim de semana ocorreram 20 mortes só em Ciudad Juárez, que faz fronteira com a cidade americana de El Paso, no Texas.

Em Juárez atua o segundo cartel mais potente e violento do México: o primeiro leva o nome da cidade de Tijuana, na fronteira com a americana San Diego.

Só no ano de 2008,  e em Juárez, foram trucidados, nos violentos conflitos entre forças de ordem e cartel, exatos 1.600 mexicanos.

Na cidade de Chihuahua e no domingo passado, três pessoas foram metralhadas e mortas quando circulavam nos seus automóveis. Uma menina de 7 anos, transportada num dos automóveis, saiu ferida.

Para combater o Cartel de Juárez, o presidente Calderón conta com 36 mil homens, entre soldados do Exército e policiais especialmente selecionados. Antes do início da “War on Drugs” em Juárez, o efetivo policial era de 8.500 agentes.

PANO RÁPIDO. O presidente Calderón envolveu o Exército, pois a polícia mexicana é uma das mais corruptas do planeta.

Em várias cidades, Calderón mandou retirar as armas dos policiais e os afastou das atividades de policiamento de rua.

Os militares demonstraram não saber combater em centros rurais densamente habitados e a população civil restou exposta e alvo da violência.

Fora isso, a corrupção também atingiu setores militares.

O general do Exército e czar mexicano antidrogas, Robledo Gutierrez, estava no bolso do Cartel de Tijuana. Quando descoberto, ele apresentou uma justificativa, ou seja, tinha muitas amantes e precisava de dinheiro para mantê-las com luxo. Aí, o Cartel de Tijuana aproveitou para corrompê-lo.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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26 de junho de 2009

México legaliza porte de pequena quantidade de drogas leves

Com a Guerra às Drogas em curso e sangrenta, a Câmara e o Senado do México aprovaram a legalização da posse, para consumo próprio, de pequenas quantidades de cocaína, maconha, heroína, anfetaminas e metanfetaminas.

A nova lei seguiu ontem para sanção do presidente Felipe Calderón. Este, no seu primeiro ato de governo, iniciou, com ajuda do então presidente George W. Bush,  a War on Drugs, contra os potentes cartéis mexicanos. Executou e fracassou com o Plan Mérida, uma versão mexicana do Plan Colombia.

Como já escrevemos neste espaço, a repressão militarizada de Calderón resultou em mais mortes de civis — sem ligações com a criminalidade organizada — do que de membros dos cartéis mexicanos de drogas. Calderón envolveu e desmoralizou o Exército do país, que não contava com preparo para enfrentar potentes cartéis: Tijuana, Golfo, Sinaloa etc. Por outro lado, Calderón descobriu que a polícia mexicana havia sido cooptada pelos cartéis.

Em 2006, e ao decretar guerra aos narcotraficantes, Calderón ganhou aprovação popular. Com isso, abafou o forte rumor de suspeita de fraude nas apurações que lhe deram a vitória nas eleições. Até  enquanto esteve o aliado W. Bush na Presidência dos EUA, o mexicano Calderón sempre foi contrário à descriminalização das drogas.

Com pesquisas a mostrar que a popularidade do presidente está em baixa e os cidadãos mexicanos cientes de que a Guerra às Drogas foi um fracasso, Calderón começou a mudar o discurso. E os mexicanos têm certeza de que vai sancionar a lei descriminalizante, nas próximas horas. Pelo que se comenta, Calderón perdeu a Guerra às Drogas e só fez “trapalhadas” com a gripe suína, que se difundiu a partir do México.

Com efeito, pela lei em face de sanção, aquele que for apanhado com pequena quantidade de droga para uso pessoal não estará a cometer crime.

Para os adeptos das políticas conservadoras, de matriz americana, a nova legislação transmitirá uma mensagem errada, de o consumo não ser prejudicial.

PANO RÁPIDO. Caso sancionada a lei, o México, ao contrário do Brasil, vai se alinhar com países progressistas. Para estes — e com todo o acerto —, o consumo de drogras é uma questão sociossanitária, e não criminal.

Sobre o tema, Calderón surpreendeu ao afirmar ser necessário distinguir entre pequeno consumidor e grande traficante. Essa sua colocação está sendo vista como indicativo de que sancionará a nova lei. Antes, usava o conhecido discurso de Bush, um verdadeiro truísmo, de que se não houvesse consumo não existiria o problema das drogas.

No Brasil e no governo Lula, deu-se tímido passo. Ou seja, a posse de droga para uso próprio continua a ser considerada conduta criminosa. Houve, apenas, despenalização. Ou seja, o usuário não mais vai para a cadeia: a pena pelo crime é alternativa ao encarceramento.
–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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27 de maio de 2009

Interrogados os dez Prefeitos presos por ligações com o Narcotráfico.

.narco-general Gutierrez Rebolo

O presidente Felipe Calderon continua a guerra contra os potentes cartéis mexicanos.

Como não acredita na polícia, –que estaria no “bolso” dos narcotraficantes–, resolveu desarmá-la e empregar na repressão o Exército Mexicano.

Em operação sigilosa, o Exército, ontem, prendeu dez prefeitos de cidades do estado de Michoacan. Também foi aprisionado o secretário de segurança pública estadual Mario Bautista.

O governador de Michoacan, Leonel Godoy, disse nada saber a respeito de ligações  do secretário e dos dez prefeitos. Também afirmou que não tinha anterior conhecimento da operação do exército.

Os prefeitos encontram-se presos numa base militar. Na manhã de  hoje começaram os interrogatórios. Eles estão sendo acompanhados pelo procurador geral Eduardo Medina, que, em entrevista, admitiu que os cartéis de narcotraficantes “conseguiram penetrar nas raízes do estado”.

Na capital, advogados se movimentam para conseguir na Justiça a imediata soltura dos prefeitos. Eles contestam a legalidade e a veracidade do relatório de inteligência que fundamentou às prisões.

Não foi divulgado o nome do responsável pelo trabalho de inteligência. Pelo levantado por este blog Sem Fronteiras, não se trata de Protógenes Queiroz. Mais, eventuais pedidos de liminares de soltura não serão apreciados por Gilmar Mendes.

No México, não é novidade o envolvimentos de altas autoridades com narcotráfico. Isto foi bem mostrado no filme Traffic, um campeão de bilheterias.

PANO RÁPIDO. Em 1999, no escritório das Nações Unidas em Viena, participei de uma reunião sobre narcotráfico.

Dentre os participantes, estava o general Gutierez Rebolo (foto acima), então czar antidrogas mexicano. Participava, também, o responsável pela guarda e a conservação dos bens imóveis apreendidos de narcotraficantes colombianos, cujo nome não mais lembro.

Meses depois, o general Rebolo foi preso por ligações com o megacartel de Tijuana: ele é mostrado no filme Traffic e a produção conseguiu um sósia para fazar o papel. Rebolo é o general careca, um dos protagonistas do filme. No filme, a produção resolvê-lo matá-lo, para evitar problemas pois ainda não estava definitivamente condenado e poderia ingressar com ação indenizatórioa.

Na vida real, Rebolo está preso. Ele confessou a ligação com os cartéis de narcotraficantes. Até deu uma desculpa por ter se corrompido: tinha muitas amantes para sustentar.

O supracitado colombiano foi destituído do cargo de responsável pelos bens apreendidos com narcotraficantes. Ele havia colocado os seus familiares para morar nos magníficos apartamentos apreendidos.

Wálter Fanganiello Maierovitch

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24 de março de 2009

Hillary Clinton chega ao México para a Guerra às Drogas

Tags:, , - walterfm1 às 14:08
Hillary Clinton, secretária de Estado

foto:Hillary Clinton, secretária de Estado

No interior da maleta 007 que carrega uma  assessora, Hillary Clinton, –a poderosa secretária de Estado do governo Brack Obama-, tem disponível um longo relatório, com três itens destacados:

(1) a “war on drugs” deflagrada pelo ex-presidente Bush e pelo presidente mexicano Felipe Calderón causou 5.600 mortes, só no ano de 2008.

Mais da metade dos mortos eram de pessoas sem qualquer ligação com os potentes cartéis mexicanos ou com organizações criminosas menores.

(2) em 2009, até início de março, morreram na “guerra às drogas” 1.501 mexicanos.

Ainda não se sabe, ao contrário de 2008, quantos dos mortos tinham comprometimento com o narcotráfico realizado pelos cartéis:  tijuana, golfo, juarez, nova-laredo,etc.

(3) o milionário Plan Mérida faliu. Ele era uma adaptação do colombiano Plan Colombia e  substituiu-se, no trabalho de repressão, a corrupta polícia pelo Exército do México.

A secretária de estado Hillary Clinton, –amanhã e na reunião com Calderón–, irá anunciar o envio de um contigente de agentes federais para pontos da fronteira. Lógico, do lado norte-americano por onde passam cocaína, maconha, armas, munições, heroína, clandestinos e refugiados da guerra às drogas.

O conservador Felipe Calderón tomou posse no cargo de presidente em dezembro de 2006 e fez campanha focada no combate aos potentes cartéis de narcotraficantes.

A vitória de Calderón foi contestada pelos correligionários de Lopez Obrador, da esquerda progressista e apelidado de El Peje. Em razão disso, Calderón, no dia seguinte à posse, deu início à “war on drugs”, em parceria com Bush.

Assim, conseguiu Calderón desviar o foco do debate, que era a fraude nas apurações. Algo, aliás, da tradição mexicana, que teve um único partido político (PRI) a controlar o poder durante 21 anos.

No início da “war on drugs” da dupla Calderón-Bush teve o apoio da população. E o presidente Calderón passou a contar com elevado porcentual de aprovação, revertendo o quadro de suspeitas, pelas fraudes eleitorais: 300 mil pessoas, na Praça da Constituição, tinham estado na manifestação voltada a dar, de fato, “posse” a Lopez Obrador.

Diante do número de mortes de civis inocentes e das derrotas impostas pelos cartéis, Calderón despencou em prestígio. E não colou mais o seu discurso de a “war on drugs” haver levado à prisão 45 mil suspeitos de ligações com os sete maiores cartéis mexicanos. Ou melhor, ele não convenceu os cidadãos da veracidade das suspeitas e da utilidade de arrestar “peixes menores”.

Mais ainda, os mexicanos não aceitam a matança a cidadãos inocentes promovida por Calderón, que já deveria ter entrado na mira do Tribunal Penal Internacional (TPI).

PANO RÁPIDO. Há grande expectativa quanto à visita de Hillary Clinton.

Sabe-se que ela irá dizer que o governo Barack Obama tem uma nova estratégia para reforçar as relações com os países latino-americanos, a incluir acordos no campo das drogas proibidas.

Essa nova estratégia, no entanto, caberá a Obama propor, em abril e por ocasião à Cúpula das Américas, que será em Trinidad e Tobago.

Pela rádio-corredor da Casa Branca comenta-se que Obama oferecerá ao México um grupo de especialistas para ajudar na luta contra as drogas. Se for isso, nenhuma mudança, pois o Plan Mérida foi, como o Plan Colômbia, feito pelos tais “especialistas” norte-americanos.

Em abril, pouco antes da Cúpula das Américas, o governo norte-americano enviará ao México o procurador-geral Eric Holden, que está preocupado com o fato de os conflitos e a violência já terem ultrapassado a fronteira do México, ou seja, migrado  para as cidades norte-amerianos.

A agenda de Holden vem carimbada como uma visita a tratar de tema que interessa à segurança interna dos EUA.

Holden  sabe bem que os cartéis e os bandos armados mexicanos usam armas e munições compradas nos EUA.

Wálter Fanganiello Maierovitch.

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Pano Rápido, diretamente do México, pelo Thalles.

  • Espero que as coisas mudem com a visita a Hillary , aqui no México as coisas realmente estão assustadoras, moro no norte do pais desde 1997 e as cidades já estão tomadas pelos carteis. Sábado em uma reunião com amigos Mexicanos saiu o comentário de um amigo que viu uma pessoa morta no carro em uma avenida movimentada aqui de Monterrey (2 horas da fronteira com os EUA) isso as 10 da Noite e percebemos que essas coisas estão cada vez mais freqüentes e que a pessoas se acostumando aos fatos.

    Hoje o México anunciou recompensas altíssimas por informações sobre os chefes dos cartéis. E isso que estou perto da fronteira, as coisas nas cidades da fronteira está ainda piores.

    Comentário por Thalles — 24 de março de 2009 @ 15:57

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