Guerra às Drogas no México: mais de 7.700 mortos em ano e meio
O presidente do México, Felipe Calderón, declarou guerra às drogas no primeiro dia do seu mandato, ou seja, em 1 de dezembro de 2006.
Para promover a “War on Drugs” mexicana, Calderón recebeu apoio e recursos financeiros do então presidente americano George W. Bush. O mexicano Plan Mérida, feito a quatro mãos e que consistiu numa adaptação do falido Plan Colombia, também fracassou.
O apoio da sociedade civil mexicana, a princípio favorável à iniciativa de Calderon, foi retirado.
Não demorou para os mexicanos perceberem que os cartéis ganhavam a guerra e desmoralizavam o Exército, empregado no combate. Pior: civis inocentes eram a maioria das vítimas.
Em 2008, Calderón colheu o balanço de 5.600 mortos e 70% das vítimas não tinham relação com o tráfico de drogas, e nem com os cartéis. Balas perdidas mataram muito mais do que os projéteis disparados contra os narcos.
Hoje, já são mais de 7.700 mortes.
Neste fim de semana ocorreram 20 mortes só em Ciudad Juárez, que faz fronteira com a cidade americana de El Paso, no Texas.
Em Juárez atua o segundo cartel mais potente e violento do México: o primeiro leva o nome da cidade de Tijuana, na fronteira com a americana San Diego.
Só no ano de 2008, e em Juárez, foram trucidados, nos violentos conflitos entre forças de ordem e cartel, exatos 1.600 mexicanos.
Na cidade de Chihuahua e no domingo passado, três pessoas foram metralhadas e mortas quando circulavam nos seus automóveis. Uma menina de 7 anos, transportada num dos automóveis, saiu ferida.
Para combater o Cartel de Juárez, o presidente Calderón conta com 36 mil homens, entre soldados do Exército e policiais especialmente selecionados. Antes do início da “War on Drugs” em Juárez, o efetivo policial era de 8.500 agentes.
PANO RÁPIDO. O presidente Calderón envolveu o Exército, pois a polícia mexicana é uma das mais corruptas do planeta.
Em várias cidades, Calderón mandou retirar as armas dos policiais e os afastou das atividades de policiamento de rua.
Os militares demonstraram não saber combater em centros rurais densamente habitados e a população civil restou exposta e alvo da violência.
Fora isso, a corrupção também atingiu setores militares.
O general do Exército e czar mexicano antidrogas, Robledo Gutierrez, estava no bolso do Cartel de Tijuana. Quando descoberto, ele apresentou uma justificativa, ou seja, tinha muitas amantes e precisava de dinheiro para mantê-las com luxo. Aí, o Cartel de Tijuana aproveitou para corrompê-lo.
–Wálter Fanganiello Maierovitch–



